Com fraude, Volkswagen pode ter contribuído com 1 mi de toneladas em poluição atmosférica

É o que diz uma análise do portal britânico The Guardian. O escândalo das emissões tem ganhado tamanha proporção que provocou, nesta quarta-feira (23), a renúncia do presidente global da companhia, Martin Winterkorn. Em comunicado no site da empresa alemã, Winterkorn afirma que não tinha conhecimento das irregularidades, mas que aceita a responsabilidade, e que sua renúncia vem para permitir um recomeço na VW.

Tudo começou na sexta-feira (18), quando a Agência de Proteção Ambiental (EPA) americana acusou a empresa de utilizar um software nos carros com motores TDI (turbodiesel) para fazê-los parecer menos prejudiciais ao meio ambiente quando estavam sendo testados. Ao final dos testes, o software revertia a alteração para permitir que os veículos ganhassem mais força nas ruas. A denúncia fez o governo do presidente Obama exigir que a Volkswagen fizesse um recall de quase meio milhão de carros.

Na terça-feira, a empresa admitiu ter instalado esse sistema em 11 milhões de veículos ao redor do mundo, valor incrivelmente superior ao que antes havia sido apontado pelos EUA (482 mil).

Caso esse novo número indicado pela VW se mostre correto, considerando a rodagem média anual nos EUA, os carros fraudados podem ser responsáveis por uma quantidade extra de emissões entre 238 e 948 mil toneladas de NOx por ano (valores de 10 a 40 vezes superiores aos padrões aplicados a novos modelos no mercado americano atualmente.)

POTENCIAIS IMPACTOS DAS EMISSÕES

As emissões de motores a diesel – que foram o foco da fraude na VW – são usualmente agrupadas e citadas como NOx, e incluem o óxido nítrico (NO) e o dióxido de nitrogênio (NO2).

Os dois gases causam problemas ambientais, porém, o dióxido de nitrogênio também traz efeitos negativos à saúde: altas concentrações de NO2 são danosas por provocarem a inflamação das vias aéreas. Um estudo publicado em maio no British Medical Journal indicou que exposições de curto-prazo a NO2 elevaram a incidência de mortes prematuras por doenças no coração e pulmões em 0,88% e 1,09%, respectivamente.

Além disso, o NO2 pode reagir com outras substâncias no ar e formar poluentes secundários, como o ozônio, que levam a seus próprios problemas na saúde.

E AGORA?

Outros países, especialmente na União Europeia, estão abrindo investigações para avaliar se a mesma fraude feita pela Volkswagen nos EUA foi conduzida em seus territórios; escritórios de advocacia estão entrando com processos coletivos contra a companhia; e a sociedade civil – ONGs e associações de consumidores –, além da mídia, estão cobrando respostas coerentes e firmes por parte da companhia alemã.

O dano que ela pode ter provocado ao meio-ambiente e à saúde de pessoas de todo o mundo é irreparável. Mas o dano à sua reputação tem grandes chances de ir pelo mesmo caminho...

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