©Jo-Anne McArthur/Unsplash

Visons e coronavírus: por que esses animais viraram alvo na pandemia?

Desde o início da pandemia de coronavírus, a ligação do vírus com os animais esteve sempre presente. Inicialmente vimos que o alvo principal estava nos morcegos, mas agora os pesquisadores estão associando sua transmissão com outros animais, como os visons, por exemplo.

Ninguém sabe qual animal originou o surto do coronavírus, mas sabe-se que houve um salto de um animal ao homem: como, quando e porquê são as muitas das perguntas ainda sem resposta desta pandemia.

Recentemente fizemos uma publicação falando sobre sobre a Dinamarca ter sacrificado 15 milhões de visons para evitar a mutação de coronavírus. Essa medida foi tomada para evitar que a mutação do vírus comprometesse o desenvolvimento da vacina.

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Segundo informações da primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, parte dos casos de Covid-19 confirmados no norte da Dinamarca estão relacionados ao vison. Esses animais são usados na indústria de casacos de pele e tudo indica que eles estão sendo infectados por trabalhadores agrícolas. Ao entrar no organismo deles, o vírus sofre mutações e volta para os humanos.

Essa informação foi comprovada pelo professor Wim van der Poel, da Universidade de Wageningen, através de dados coletados também na Holanda, em maio deste ano.

Visons são criados muito próximos e por isso são mais vulneráveis ao coronavírus

Sabemos que não são apenas os visons que se contaminam com o coronavírus, mas eles parecem ser mais vulneráveis ao Sars-Cov-2. Isso porque o coronavírus se espalha mais rapidamente, principalmente onde há aglomerações, inclusive de animais.

Além da preocupação acerca da contaminação humana, os cientistas estão preocupados com o futuro das vacinas. Segundo informações da BBC News Brasil, as mutações ocorrem na proteína spike, a qual é utilizada pelo vírus para se fixar nas células humanas e é alvo de estudo nas vacinas.

De qualquer forma, o professor James Wood, da Universidade de Cambridge disse à BBC que identificar mutações genéticas requer cuidado, mas que a criação de visons para esse fim precisa sim ser suspensa.

Já o professor Dirk Pfeiffer, do Colégio Real de Veterinária de Londres explica que, embora as mutações nos vírus ocorram o tempo todo, o mais importante é saber se elas alteram as características do vírus de fato. Se isso ocorrer, a eficácia da vacina pode ser comprometida.

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A matéria consultada diz que o Centro Europeu para Prevenção e Controle de Doenças fará uma nova publicação com orientações sobre a disseminação do Sars-Cov-2 em visons.

Mais uma vez a culpa pela contaminação cai nos animais que têm seus habitats invadidos pelo homem e o pior, tendo sua pele explorada para sustentar um luxo que não tem cabimento.

Enquanto houver indústria de pele e outros tipos de exploração animal no mundo, mais pandemias irão surgir e o ciclo só tende a crescer.

Cabe a nós colocarmos um fim nessa bola de neve, antes que seja tarde demais.

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Sobre Eliane A Oliveira

Eliane A Oliveira
Formada em Administração de Empresas e apaixonada pela arte de escrever, criou o blog Metamorfose Ambulante e escreve para GreenMe desde 2018.

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