©Michael Poggi/WPLG Local 10/Youtube

Homem paga para tirar selfie com leopardo e acaba sendo atacado

Nos Estados Unidos, um homem chamado Dwight Turner pagou US$ 150 para entrar em uma jaula onde estava um leopardo preto. Esse homem pagou esse valor para ficar perto do animal, tocar nele e tirar selfies com ele.

O felino, por sua vez, não gostou da visita inesperada desse humano e reagiu com agressividade, movido pelo seu instinto de defesa.

Instintivamente, o leopardo atacou Dwight Turner e a consequência disso foi que esse homem teve sua orelha direita rasgada ao meio e um corte na cabeça.

Esse incidente aconteceu no final de agosto desse ano, em Davie, Flórida, local onde vive Michael Poggi, um homem que mantém animais selvagens confinados.

Após esse ataque, Turner passou por duas cirurgias e recebeu 22 pontos em sua cabeça e, por conta disso, ele pretende entrar com um processo contra Poggi, o homem que subjuga esse leopardo a viver em uma jaula.

Poggi, por sua vez tem uma licença do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, como comerciante de animais e é proprietário “legal” do leopardo (que absurdo!). Porém, o que lei da Flórida proíbe é que um visitante tenha contato total com um grande felino com mais de 11 quilos.

A Comissão de Conservação de Peixes e Animais Selvagens (FWC) acusou Poggi de “permitir a um membro do público, o contato total com um leopardo preto adulto extremamente perigoso” e “manter a vida selvagem em cativeiro em condições inseguras.”

Com tudo isso, Poggi terá que comparecer ao tribunal em 2 de dezembro desse ano, e está sujeito a penalidades de prisão de até um ano e meio de prisão e multas de US $ 1.500.

Qual lição se tira desse incidente?

Na era dos vídeos virais, dos selfies e das curtidas nas redes sociais, mostrando pessoas junto com animais selvagens como se fossem pets, fica a impressão que esse tipo de situação não oferece risco ou perigo.

Ignora-se que esses animais podem ter sido submetidos a administração de tranquilizantes ou calmantes para serem ficarem mansos, ou que foram criados desde pequenininhos junto a um humano, por isso desenvolveram vínculo com ele.

Isso não quer dizer que serão assim com todos os humanos.

Imogene Cancellare, bióloga conservacionista que estuda o leopardo-das-neves e pesquisadora da National Geographic, reforça essa questão explicando porque não se deve entrar em recintos de animais selvagens:

“Os cérebros desses animais são literalmente projetados para serem predadores de emboscada,

Não há situação, que entrar em um espaço com um grande felino seja 100% seguro, mesmo que ele tenha sido criado em cativeiro.”

De fato, muitos felinos selvagens, desafortunadamente, estão vivendo em  espaços artificiais, como jardins zoológicos, reservas de beira de estrada e falsos santuários.

Detalhe, isto ocorre no mundo inteiro!

Esse grandes felinos criados nesses espaços antinaturais toleram o humano com o qual convivem porque estão enjaulados e são alimentados por ele, por isso são condicionados e forçados a esse convívio.

Isso não é vínculo entre animal e humano e sim um ato de abuso e desrespeito contra natureza das espécies selvagens.

Condições precárias

Locais como onde aconteceu esse incidente nos recorda as condições indevidas e precárias que animais selvagens são submetidos.

Para se ter uma ideia, nesses locais, felinos selvagens são induzidos a se reproduzirem rapidamente, a fim de ter sempre filhotes para os turistas pagarem e poderem apreciar, acariciar e tirar selfies com esse animais.

Nesses recintos impróprios e antinaturais, esses animais não recebem alimentação adequada, não têm os devidos cuidados veterinários e vivem em pouco espaço.

Documentários que são exibidos no Netiflix, como o Tiger King, não mostram o que está por trás dos bastidores, pois os seus protagonistas como Doc Antle,  proprietário do Myrtle Beach Safari, foi acusado de tráfico de animais selvagens e crueldade contra animais, enquanto Jeff Lowe perdeu sua licença por exibir animais depois que as autoridades registraram vários casos de sofrimento animal.

Diga não aos selfies

Segundo apontamento da Fundação Vida Selvagem Mundial – WWF, a população de tigres, outra espécie felina selvagem, diminuiu cerca de 97% ao longo do último século, e as principais causas para essa trágica estatística são a caça, o tráfico e confinamento desses animais, além da destruição de seus habitats naturais.

Calcula-se que cerca de 4 milhões de pessoas contribuem para a manutenção dessa triste realidade, ao participarem e se envolverem no turismo com selfies de animais selvagens, irem em zoológicos e circos que apresentam as atrações explorando esses seres.

Nesse contexto, podemos ajudar a acabar com toda essa exploração e crueldade animal boicotando e dizendo NÃO a esse tipo de atração.

Assim, será possível parar com o financiamento do sofrimento animal.

Nem sempre o que parece legal, realmente o é. Por isso é preciso que existam leis que proíbam a criação comercial, o manejo público e a propriedade de grandes felinos como animais de estimação, para que assim acabem o tráfico e a criação inadequada e cruel de animais selvagens. 

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Sobre Deise Aur

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Professora, alfabetizadora, formada em História pela Universidade Santa Cecília, tem o blog A Vida nos fala e escreve para GreenMe desde 2017.

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