Pangolim, o animal mais traficado do mundo, agora está fora da lista da Medicina Tradicional Chinesa

Três espécies de pangolins entraram para a lista da IUCN dos animais criticamente ameaçados de extinção. Por conta disso, a China finalmente retirou as escamas de pangolim da lista de ingredientes utilizados na Medicina Tradicional Chinesa.

O pangolim é considerado o animal mais traficado do mundo e isso ocorre devido ao consumo da carne, tanto na China quanto no Vietnã, bem como pela utilização de suas escamas para produzir medicamentos na Medicina Tradicional Chinesa.

Segundo informações do The Guardian, cerca de 200.000 pangolins são consumidos por ano na Ásia, mesmo com a proibição do comércio desses animais. Existem oito espécies de pangolins, três delas nativas da Ásia, foram incluídas na lista da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) como espécies criticamente ameaçadas.

A Administração Estadual de Florestas e Pastagens (SFGA) subiu o status de proteção dos pangolins para o nível mais alto. Isso fez com que a China retirasse as escamas desses animais de sua lista de medicamentos chineses.

Comer pangolim

Apesar da decisão assertiva da China, espera-se ainda um posicionamento mais definitivo com relação à proibição do consumo da carne, pois essa ainda não foi feita. A elite chinesa consome a carne dos pangolins com o objetivo de conseguir benefícios para a saúde ou sexuais. No entanto, a própria Medicina Tradicional Chinesa, que é milenar, alerta sobre o consumo de animais.

De qualquer forma, o fato da utilização das escamas tornar-se proibida na China, já representa uma vitória para os grupos de proteção desses animais, dentre eles o WildAid e a Fundação para a Conservação da Biodiversidade e o Desenvolvimento Verde da China.

Criação em cativeiro

A luta agora é com relação às criações de pangolins em cativeiro (mesmo sendo animais selvagens), pois algumas empresas farmacêuticas ainda possuem licença para utilizar pangolins em pesquisas medicinais. Isso, segundo os grupos de proteção, desperta o interesse de caçadores e o consequente tráfico ilegal.

Outro fato importante de ser mencionado que está vinculado aos pangolins, é a descoberta feita neste ano pelos estudos da Covid-19. Além dos morcegos, os pangolins também poderiam ser os hospedeiros intermediários do novo coronavírus e transmiti-los aos humanos.

Apesar dessa informação não ter sido 100% confirmada, pesquisas realizadas em janeiro deste ano revelaram que das 33 amostras colhidas por pesquisadores no mercado de Wuhan, e que deram positivas para o Sars-CoV-2, 31 vinham da área em que a vida selvagem era vendida no mercado.

Desde dezembro de 2019, o número de apreensões de pangolins traficados reduziu significativamente na Ásia, segundo relatórios do C4ADS (banco de dados de Washington). Tanto que em 2020 não foi registrada nenhuma apreensão de tráfico de pangolins na Ásia, sendo que nos últimos cinco anos elas chegaram a 32% nas fronteiras da China, informou o relatório.

O C4ADS tem sido e ainda será de grande utilidade para que os grupos de proteção dos pangolins possam atuar mais efetivamente contra o tráfico desses animais.

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Formada em Administração de Empresas e apaixonada pela arte de escrever, criou o blog Metamorfose Ambulante e escreve para GreenMe desde 2018.