1/3 da população mundial viverá um calor insuportável nos próximos anos

Uma pesquisa realizada por cientistas da China, EUA e Europa constatou que o aquecimento global provocado pelos gases de efeito estufa, poderá fazer com que a temperatura da Terra aumente cerca de 7,5ºC, nos próximos 50 anos.

A pesquisa em questão foi publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences e é um alerta de que as emissões de carbono colocarão o planeta em risco de novas crises climáticas sem precedentes. Isso implica dizer que, áreas do planeta que abrigam um terço da população mundial tornar-se-ão tão quentes quanto as partes mais quentes do Saara.

Atualmente, a maioria das pessoas vive em locais onde a temperatura média anual é de 11 a 15º C, enquanto que a minoria vive em regiões cuja temperatura média varia entre 20 a 25ºC. Contudo, se as emissões de gases continuarem aumentando, a previsão é a de que o aumento da temperatura média seja de 7,5ºC até 2070.

Isso é mais do que a média prevista de 3ºC, pois a Terra aquecerá muito mais rápido do que a temperatura média, dizem os especialistas. Ou seja, se as emissões de gases de efeito estufa continuarem a aumentar, 30% da população viverá em locais com temperatura média acima de 29ºC, nos próximos 50 anos. Atualmente essa condição é experimentada por apenas 0,8% da população global, diz a matéria.

Segundo Jens-Christian Svenning, co-autor do estudo, “isso colocaria 3,5 bilhões de pessoas em condições quase inabitáveis”.

Comparação com a Covid-19

O coordenador da pesquisa, Marten Scheffer, professor da Universidade de Wageningen, comparou as consequências das mudanças climáticas à pandemia de Coronavírus. A constatação dele diz o seguinte:

“O vírus corona mudou o mundo de maneiras difíceis de imaginar há alguns meses e nossos resultados mostram como as mudanças climáticas podem fazer algo semelhante. A mudança se desenrolaria menos rapidamente, mas, diferentemente da pandemia, não haveria alívio para o futuro: grandes áreas do planeta se aqueceriam a níveis quase imperceptíveis e não se acalmariam novamente. Isso não apenas teria efeitos diretos devastadores, como deixa as sociedades menos capazes de lidar com crises futuras como novas pandemias. A única coisa que pode impedir que isso aconteça é um corte rápido nas emissões de carbono”, diz Scheffer.

Isso significa que a redução na emissão de gases de efeito estufa pode reduzir pela metade o número de pessoas expostas a condições de clima mais quentes. De acordo com o especialista em clima, Tim Lenton, da Universidade de Exeter, cada grau de aquecimento acima dos níveis atuais representa cerca de um bilhão de pessoas fora do “nicho climático”.

Migrações em massa

De acordo com o estudo, a previsão é a de que parte dos 3,5 bilhões de pessoas expostas ao calor extremo migrem para locais menos quentes. No entanto, os especialistas atentam para a possibilidade de adaptação climática, impulsionando mais rapidamente o desenvolvimento humano.

Marten Scheffer, diretor do estudo, acrescentou:

“Este estudo ressalta por que uma abordagem holística para enfrentar as mudanças climáticas que inclui a adaptação aos seus impactos, abordando questões sociais, construindo governança e fortalecendo o desenvolvimento, bem como caminhos legais compassivos para aqueles cujas casas são afetadas, é crucial para garantir um mundo no qual todos os humanos podem viver com dignidade”.

Os dados obtidos nesse estudo surpreenderam os próprios pesquisadores. Por isso, eles levaram mais um ano após a conclusão da pesquisa para verificar todas as suposições e os cálculos, os quais foram publicados na íntegra  para facilitar o acompanhamento de outras pessoas.

Esse com certeza é um estudo muito importante para conscientizar as pessoas da nossa dependência com o clima, bem como da necessidade de diminuirmos drasticamente as emissões de carbono no planeta. O estudo também levou em conta toda a história arqueológica, onde vários exemplos indicaram que as mudanças climáticas provocaram migrações e adaptações.

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Sobre Eliane A Oliveira

Eliane A Oliveira
Formada em Administração de Empresas e apaixonada pela arte de escrever, criou o blog Metamorfose Ambulante e escreve para GreenMe desde 2018.

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