Qual é o preço que os animais pagam pela tua diversão? Zoos, aquários, circos e muito mais

diz nao aos Zoos, aquários, circos

Nossas escolhas e atos são bem mais abrangentes do que em geral pensamos. A cada minuto fazemos escolhas que podem interferir diretamente na vida de outros seres que habitam este planeta. Nossas formas de viver, de se alimentar, de se locomover e até mesmo de se divertir podem ser responsáveis por grandes danos ao planeta, aos animais e à nós mesmos.

Na busca por diversão, nem sempre fazemos escolhas bem pensadas. Os zoológicos, aquários, parques aquáticos e circos sempre atraíram muita gente. Principalmente pelo fato de expor uma interação, nem tão bacana, com os animais. A parte chata desses passeios é que o uso dos animais para o nosso entretenimento, cria sérios problemas, tanto para o bem-estar do animal em si quanto, em alguns casos, para a preservação das suas espécies. A indústria do entretenimento emprega animais para uma enorme variedade de usos, muitas vezes causando imenso sofrimento e até a morte desses animais.

A exploração animal reflete uma crença de que eles existem para nos servirem, inclusive para nos divertirem, sem que essa seja a sua natureza.

Manter animais em cativeiro, como nos zoológicos, é negar-lhes a liberdade de movimento e associação, o que é importante para sua socialização. O dia-a-dia nos zoos é monótono e repetitivo, na maioria dos casos não há nenhum tipo de privacidade e nem tampouco estímulo. Os animais sofrem de esgotamentos físico e mental.

Para garantir boas visitações há até zoológicos domesticando leões. O Zoo de Lujan, na Argentina, permite que as pessoas entrem nas jaulas e toquem nos leões “domesticados”.

E o que é feito para que os turistas consigam ficar tão próximos de animais ferozes como leões e outros grandes felinos? Segundo eles, apenas são domesticados desde bebês. Mas se levarmos em conta que até nossos cães que são completamente domesticados têm seus momentos de selvageria, se torna um pouco difícil de acreditar que isso basta para que leões permitam um entra e sai em suas jaulas. Muitos visitantes falam sobre a lerdeza dos animais e desconfiam que esses animais sejam dopados. Outra técnica suspeita é a de que os tratadores mantenham esses animais acordados durante a noite. Desta forma, no dia seguinte, os animais estão muito cansados para reagirem de forma agressiva.

Geralmente os zoos justificam suas existências com base na preservação de espécies e como fonte de pesquisa e estudos científicos. Mas, convenhamos que aproveitar dos animais para o prazer das pessoas não é a situação adequada para abrigo ou para centro de pesquisa. Uma ínfima minoria de zoológicos conduzem estudos científicos viáveis, que são basicamente direcionados para o alívio dos problemas físicos e psicológicos causados pelos confinamentos. Tais pesquisas têm pouca, ou nenhuma, aplicação para os animais selvagens e silvestres em seu habitat natural.

Não são apenas os zoos culpados por criarem entretenimento a partir da vida de outros. Os aquários de golfinhos, assim como outros parques aquáticos, mantêm golfinhos e baleias em cativeiro, geralmente treinados para se exibirem. Desde a captura até a sua vida de “palhaços”, os animais sofrem um grande estresse, além dos riscos de ferimentos e morte. Preocupada com o bem-estar de golfinhos, a Alemanha começou a debater a proposta de liberdade para estes animais tão inteligentes.

Há também os circos, que alojam e confinam, em nome da diversão, animais grandes em jaulas pequenas. Não são raros os casos que além de enjaulados os animais são acorrentados e permaneçam sem liberdade para se comportar naturalmente durante toda a suas vidas. Os treinadores ainda usam técnicas que envolvem medo, submissão, privação e castigos que incluem espancamentos, chicoteamento e a supressão de alimentos.

Assim como os zoológicos, os circos passam uma mensagem educacional negativa. Ver os animais executando truques que não são naturais e fora do seu habitat, não integra e nem ensina nada às crianças sobre a real vida que esses animais deveriam ter.

No Brasil, alguns centros urbanos como Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Porto Alegre, por exemplo, já proíbem o uso de animais em circos.

Entre as formas de “diversão” ainda há o Rodeio, um movimento que está se alastrando pelo nosso país. Os rodeios podem consistir em vários tipos de competições, incluindo prova de laço de bezerro ou novilho e montaria em cavalos ou touros, quando os participantes tentam se sustentar em cima de animais que se contorcem violentamente. O sedém, tipo de correia geralmente de crina, é firmemente apertado sobre a virilha com violento puxão na hora da abertura do brete, que comprime os órgão abdominais e genitais, fazendo os animais se contorcerem e pularem, tentando se livrar dele. Como se já não bastasse todas essas formas de tortura legais para entreter, ainda há a Farra do Boi, que é proibida no Brasil, mas que ainda mata e tortura centenas de bois em diversas comunidades, principalmente em Santa Catarina. A Farra começa quando o boi é solto e perseguido pelos “farristas”, que carregam pedaços de pau, facas, lanças de bambu, cordas, chicotes e pedras. Eles perseguem o boi, que no desespero de fugir, corre em direção ao mar, vilas, casas ou hotéis. A tortura pode durar por três dias ou mais, quando o boi é morto a carne é dividida entre os participantes.

Além da Lei federal 9.605/98 que proíbe “praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos”, a Farra do Boi foi expressamente proibida através de Recurso Extraordinário nº 153.531-8/SC; RT 753/101 em território catarinense, dada como crime punível com até um ano de prisão para quem a pratica, colabora ou se omite de impedi-la.

Apesar de nem todas as práticas de “entretenimento” que utilizam animais possuírem leis que as regulamente, cabe a nós decidirmos o preço que pagamos, ou melhor, que os animais pagam, pela nossa diversão. Está claro que o sofrimento vivido por eles não ensinam e nem agregam conhecimento. Ainda que existam, a dica é não incentivar esse tipo de exploração. Procure passeios alternativos, não leve seus filhos à zoos, aquários, Rodeios e ajude a acabar com essa exploração desnecessária.

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