Agências meteorológicas indicam alta probabilidade de ocorrência de El Niño em 2014

El Niño volta em 2014

Conforme divulgado pelo Serviço Nacional de Metereologia dos EUA nesta quinta-feira (10), a probabilidade é de mais de 50 por cento. O escritório de metereologia da Austrália já havia se manifestado nesta terça-feira (08), com uma projeção de 70 por cento de ocorrência do El Niño neste ano. Mike Halpert, diretor do Centro de Previões do Clima da NOAA (sigla em inglês para Agência Nacional Oceânica e Atmosférica - agência federal dos EUA com foco nas condições do oceanos e atmosfera), também afirmou que “há uma probabilidade de 65% de que o El Niño se desenvolverá no final do outono”. O final do outono no hemisfério norte corresponde a meados de dezembro.

O El Niño consiste basicamente num ligeiro aquecimento das águas do Pacífico Sul, iniciando-se geralmente no final do ano. Daí o nome, que em espanhol significa “o menino”, em referência ao Natal.

O fenômeno, via de regra, dura de 12 a 18 meses e afeta o clima em diversas regiões ao redor do globo, causando enchentes e secas, e consequentemente afetando a produção agropecuária e o preço de commodities.

Os eventos de El Niño também estão frequentemente relacionados altas temperaturas globais, e nos anos de sua ocorrência costumam ser os com as maiores médias.

Entenda a dinâmica do fenômeno.

Num ano sem El Niño, na área dos trópicos sopram fortes ventos no sentido leste-oeste, os chamados ventos alísios, que fazem com que o nível do mar seja aproximadamente meio metro mais alto na Indonésia, em comparação com o Equador. Esse movimento favorece a ressurgência de águas mais profundas, e portanto mais frias, na costa do Pacífico na América do Sul. Essa água traz consigo nutrientes, e a pesca costuma ser farta nesses anos.

Com a ocorrência do El Niño, que ocorre em intervalos entre 2 a 7 anos (não há regularidade na ocorrência do fenômeno), uma variação na pressão atmosférica na área central do Oceano Pacífico faz com que os ventos alísios soprem com menos força, diminuindo a ressurgência de águas profundas e fazendo com que a temperatura da água na costa oeste da América do Sul seja maior que o normal.

No Brasil, conforme a metereologista Neide Oliveira, do INMET (Instituto Nacional de Metereologia), o fenômeno causa o aumento das chuvas e das temperaturas. "Podemos ter também ocorrência de granizo e fortes rajadas de vento, dependendo da intensidade do fenômeno". As regiões Sul e Nordeste do Brasil são especialmente vulneráveis ao fenômeno, que costuma causar fortes chuvas, sendo comum a ocorrência de inundações.

Fonte foto: wikipedia.org