Veneno na água: coquetel de agrotóxico na torneira de 1 em cada 4 cidades do Brasil

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Veneno na água

A sociedade brasileira já vem mostrando uma enorme preocupação com os altos níveis de agrotóxicos encontrados nos alimentos produzidos no país.

Não bastasse a liberação, em 2019, de um agrotóxico por dia no Brasil, uma reportagem das jornalistas Ana Aranha e Luana Rocha, da Agência Pública em conjunto com a Repórter Brasil e a organização suíça Public Eye, descobriu que a água brasileira também está envenenada.

Vários especialistas consultados pela reportagem mostraram-se preocupados com essa contaminação.

“A situação é extremamente preocupante e certamente configura riscos e impactos à saúde da população”, disse a toxicologista e médica do trabalho Virginia Dapper. A pesquisadora em saúde pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) no Ceará, Aline Gurgel, também corrobora a colega: “dados alarmantes, representam sério risco para a saúde humana”.

Em 80% dos testes realizados foram encontrados agrotóxicos classificados como “prováveis cancerígenos” por agências dos EUA e da Europa, sendo que 27 deles estão proibidos na União Europeia devidos aos riscos que provocam à saúde humana e ao meio ambiente.

O maior problema enfrentado por nós, brasileiros, sobre a qualidade da água que consumimos é a ausência de fiscalização. De acordo com A Pública, dos 5.570 municípios brasileiros, 2.931 não realizaram testes na sua água entre 2014 e 2017.

regar veneno

Não bastasse a presença de um agrotóxico na água para gerar temor e revolta, a situação é ainda mais alarmante, haja vista que a água desses municípios contém um coquetel de veneno. A química Cassiana Montagner explica que:

“Mesmo que um agrotóxico não tenha efeito sobre a saúde humana, ele pode ter quando mistura com outra substância. A mistura é uma das nossas principais preocupações com os agrotóxicos na água”.

Água tóxica por estado

O estado onde foi detectado o nível de toxicidade da água mais elevado foi São Paulo, que registra 27 agrotóxicos em mais de 500 cidades. O segundo estado é o Paraná, seguido de Santa Catarina e Tocantins.

Segundo os especialistas consultados pela reportagem, São Paulo lidera o ranking da contaminação por causa da cultura de cana, a que mais utiliza herbicidas, já que o estado é um dos principais produtores do país.

Muitas doenças podem estar sendo desenvolvidas por causa da múltipla contaminação provocada pelo consumo de água tóxica, aponta Dapper. Nem os pacientes nem os médicos, em muitas casos, sabem a origem das doenças.

O Ministério da Saúde, questionado pela reportagem, respondeu estar tomando as medidas cabíveis e que “a exposição aos agrotóxicos é considerada grave problema de saúde pública”. Entretanto, a pasta afirma que ações de controle e prevenção só podem ser tomadas quando o resultados dos testes de qualidade de água ultrapassam o limite fixado em lei, o qual não existe no Brasil em relação a misturas de substâncias toxicológicas.

Ainda de acordo com Montagner:

Essa legislação está há mais de 10 anos sem revisão, é muito atraso do ponto de vista científico. É como usar uma TV antiga, pequena e preto e branco, quando você pode ter acesso a uma HD de alta definição”.

Veneno na água

veneno agua

A gravidade da exposição contínua ao coquetel de agrotóxicos na água são os seus efeitos crônicos graves, como câncer, problemas na tireoide, hormonal ou neurológico.

Nem mesmo a água mineral seria 100% segura, já que suas fontes são alimentadas pela água da superfície, que pode estar contaminada. Por isso, é fundamental trabalhar com a prevenção, evitando que os agrotóxicos cheguem aos mananciais, alerta Rubia Kuno, gerente da divisão de toxicologia humana e saúde ambiental da Cetesb. Ela explica que o tratamento convencional da água não é capaz de eliminar os agrotóxicos.

Existem vários grupos no país exigindo um maior rigor no controle de agrotóxicos, sobretudo, porque o atual governo federal acena na direção contrária. A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, foi uma das que buscou apressar o projeto de lei conhecido como “PL do Veneno”, que visa a agilizar a aprovação de novos agrotóxicos no país, o que já vem sendo feito desde o dia 1º de janeiro deste ano.

Se alguém ainda tinha dúvidas de que estávamos sendo envenenados pela comida, agora fica a certeza de que também estamos sendo pela água!

VEJA TEXTO COMPLETO NA AGÊNCIA PÚBLICA E CONSULTE O SEU MUNICÍPIO

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