Moratória da Soja é eficaz contra desmatamento

Moratória da Soja é eficaz contra desmatamento

Você sabe o que é e do que se trata a Moratória da Soja? Este é o nome dado ao pacto ambiental feito pelas entidades representantes dos produtos de soja brasileiros, ONGs ambientais, e por conseguinte, com o próprio Governo Nacional. Criado em 24 de julho de 2006, a Moratória da Soja surgiu para adotar uma série de medidas preventivas para eliminar da cadeia produtiva de soja o desmatamento da Floresta Amazônia e tinha previsão para durar por dois anos.

Pois o que era para terminar em julho de 2008 se estendeu por muito mais tempo – sete anos para ser mais preciso – agora, depois de seu último vencimento que deveria ocorrer no final de 2014, a Moratória da Soja foi renovada mais uma vez.

Atualmente o pacto tem validade até o dia 31 de maio de 2016 pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, com o intuito de aguardar a conclusão do cadastro ambiental rural, cujo objetivo final é catalogar todos os produtores em situação irregular para abrir uma nova fase do monitoramento do território da Amazônia.

A manutenção do pacto deve ser celebrada por ambientalistas e pesquisadores, em especial por um grupo de dez profissionais brasileiros e estadunidenses, que publicaram um artigo no dia 24 de janeiro na revista Science, defendendo a importância da Moratória de Soja.

Assinado por pesquisadores de três instituições brasileiras, Britaldo Soares Filho, da Universidade Federal de Minas Gerais, UFMG, Paulo Barreto, do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia, Imazon, e Laurent Micol, do Instituto Centro de Vida, ICV, juntamente Holly Gibbs, da Universidade de Wisconsin, Estados Unidos.

Todos eles relatam a eficiência da moratória na redução do desmatamento da Amazônia no que tange ao cultivo de soja. Inclusive comparam a situação com a do Cerrado brasileiro, região em que a moratória não foi aplicada.

O artigo também critica o monitoramento que só é feito em locais com mais de 25 hectares e não cobrir assentamentos da reforma agrária, mas enfatizam a importância da continuidade da moratória, já que o Código Florestal vigente não é suficiente para proteger cerca de 14 milhões de hectares de floresta propícia para o plantio de soja e que até mesmo dois milhões de hectares poderiam ser desmatados legalmente por conta do código falho.

Desde o início da moratória, dos 5,2 milhões de hectares desmatados no bioma Amazônia no período, cerca de 1 milhão de hectares (ou 19,7% do total) estão nos 73 municípios produtores de soja monitorados pelo Grupo de Trabalho da Soja, GTS, responsáveis por 98% da soja produzida no bioma. Mas apenas 47 mil hectares em desacordo com a moratória foram plantados com soja na safra 2012-2013. A área total ocupada com soja no bioma era de 3 milhões de hectares na safra passada.

Os dados foram mostrados no relatório consolidado na produção de soja na Amazônia entre 2007 e 2013 e comprovam a importância da criação e da manutenção da Moratória da Soja.

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Fonte foto: freeimages.com