Carne de porco: pense bem antes de comê-la

Carne de porco

Algumas religiões proíbem o consumo da carne de porco, a consideram “impura”, não saudável ou simplesmente a proibição se dá por motivos religiosos que aparentemente não teriam nenhuma base científica ou se encontram em costumes antigos que não têm mais a ver com a nossa vida contemporânea. Mas existiria algum fundamento para que a proibição ainda fosse correta nos dias de hoje?

Ao que parece, existem afirmações científicas que apoiam tal proibição.

Por natureza, porcos são animais que comem quase de tudo, incluindo comida estragada, fezes, urina, etc. O seu sistema digestivo, sendo muito lento, seria incapaz de remover todas as toxinas acumuladas em seu corpo, que acabariam sendo armazenadas em suas células de gordura e em seus órgãos.

De acordo com uma investigação feita pela Consumer Reports em 2013, 69% de 200 amostras de carne de porco crua testadas nos Estados Unidos, estavam contaminadas com bactérias perigosas como a Yersinia enteroclitica, a salmonela, a Staphylococcus aureus, a Listeria monocytogenes, conhecidas como as causas mais comuns de doenças transmitidas por alimentos.

O estudo pode não ser tão atual e você pode até dizer que não foi feito no Brasil, onde o controle e as normas de higiene e segurança alimentar “seriam” melhores. Ok! Mas se você achar que a nossa realidade pode ser assim, ou pior, e que a carne de porco que você leva à sua mesa pode estar contaminada, saiba que isso ainda não é tudo.

Um outro estudo diz que porcos são hospedeiros de uma série de parasitas, vírus e outros microrganismos, muitos dos quais podem ser diretamente transmitidos aos seres humanos,como a Taenia solium, a Trichinella spiralis e o Toxoplasma gondii. O estudo indica que o cozimento de carnes pode reduzir o risco de contaminação mas não há como saber se a carne de porco comprada, processada ou semipronta tenha seguido a recomendação de atingir pelo menos 77°C para eliminar o risco de contaminação pelos agentes expostos acima.

Já o relatório do Consumer Reports fala em atingir uma temperatura interna de pelo menos 63°C para costelas de porco e 71°C para carne de porco moída, o que poderia acabar com as bactérias potencialmente prejudiciais.

Recomendações

* Manter separada a carne de porco crua dos outros alimentos, especialmente aqueles consumidos crus, como as saladas.

* Lavar bem as mãos após manusear a carne crua.

Uso de drogas

Além da problemática da alta contaminação alimentar através da carne de porco, existe a questão do uso indiscriminado de antibióticos na pecuária em geral. O estudo da Consumer Reports encontrou também nas suas amostras feitas com a carne de porco, a ractopamina, uma droga usada para acelerar o crescimento do porco, proibida em 160 países mas permitida nos Estados Unidos em determinadas doses e também no Brasil. A Autoridade Europeia de Segurança Alimentar acredita não existir níveis seguros para o consumo dessa substância, que poderia causar no homem reações como ansiedade, inquietação, palpitações, etc.

Além disso, quando se administra antibióticos de baixa dosagem para promover o crescimento ou para a profilaxia das infecções, acaba-se por promover uma resistência das bactérias ao antibióticos, como diz o estudo.

Animais inteligentes

Se preocupações com a saúde não forem suficientes, pensa em como são confinados e tratados os porcos, animais super inteligentes, para satisfazer o desejo humano de comer uma carne que pode ser altamente contagiosa e cheia de fármacos nada bons para o ambiente e para a saúde humana.

O porco é um animal criado nas fazendas para abate em confinamento total, sem espaço para a simples locomoção dos bichos, que nunca ficam soltos na grama ou em pastos como o gado. Ou seja, comer fezes e beber da própria urina não é uma decisão consciente do porco, mas a única opção dada pelo homem que o trata dessa forma.

Nesses espaços eles sofrem de sarna, vomitam frequentemente e entram em depressão (sim, animais também sofrem deste mal).

Uma sondagem feita pela revista Internazionale revelou toda a crueldade cometida pela indústria alemã de suínos, país super desenvolvido, com regras claras e precisas e grande exportador de carne suíça de nível “superior”.

Entre muitos absurdos, um dos que mais me entristeceu foi saber que as porcas são inseminadas artificialmente para terem um número maior de filhotes do que sua natureza permite. Depois ela amamenta os porquinhos entre uma grade que a separa deles.

Bom-apetite

Se você acha que isso só acontece na Alemanha ou se simplesmente você não consegue viver sem a carne de porco, tente comer o mínimo possível e e tente encontrar um açougue que venda carne de porco orgânica, ou sejam, que crie suínos longe dos antibióticos e de outros hormônios, em pasto ao ar livre e com alimentos saudáveis.

Mas não se deixe enganar, a maioria ainda cria o porco sobre condições lamentáveis. Nos EUA, 97% da criação é feita em jaulas e no Brasil existem vários pedidos dos órgãos responsáveis e entidades de preservação para o fim desta prática a todos os criadores que insistem em lucrar usando estes métodos tão cruéis.

E por fim, os porcos são animais super simpáticos. Podemos muito bem viver sem comê-los, você não acha?

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Fonte foto: freeimages.com