Cooking therapy: cozinhar como instrumento de cura dos desconfortos da alma

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Cozinhar pode se transformar num ato de cura, não da cura de uma doença física, mas talvez de desconfortos mentais e da alma.

Ninguém duvida dos benefícios que cozinhar traz à saúde física, afinal, comida caseira, normalmente, é bem melhor e mais saudável do que uma comida industrializada, por exemplo. Mas além da saúde do corpo, cozinhar pode fazer bem para a alma. Traz conforto, alegria, concentração e acalma a mente.

De fato, quem cozinha é mais feliz?!

É muito comum que aquela refeição em família, aquela preparada aos domingos, ou preparada a quatro mãos com amigos ou companheiro(a), nos traga um aconchego maior, uma satisfação, um enorme prazer em cozinhar e alimentar pessoas queridas. Isso nos alegra, são momentos felizes.

Portanto, cozinhar pode ser muito terapêutico, afinal saúde é o equilíbrio entre corpo e mente.

Mas também é comum que cozinhar diariamente, ou de forma comercial, de forma obrigacional, onde questões como tempo, estresse, agilidade, são tão importantes quanto, faz com que cozinhar se torne algo mecânico e pouco reflexivo.

Mas até mesmo diante de um ato rotineiro, podemos aproveitar os benefícios que cozinhar pode trazer. Afinal, sempre somos surpreendidos a trabalhar algum sentido, seja olfato, visão, paladar, tato, provando os alimentos, verificando a textura, sentindo o cheiro dos temperos e isso pode ser muito gratificante.

Um trabalho multidisciplinar e criativo

Cozinhar é uma daquelas atividades em que nos deparamos com técnica, conhecimento e intuição.

Para a nutricionista e palestrante Louise Lopes Weber, o ritual que envolve desde a escolha dos ingredientes até a preparação do prato é

“uma verdadeira sessão de terapia para os amantes da cozinha”.

“Colocar a mão na massa desestressa. A alquimia dos sabores faz bem para a alma”, enfatiza.

Mas não é só, precisamos ser criativos também, afinal cozinhar é uma arte e sempre somos surpreendidos com algo novo, um ingrediente diferente ou faltante, uma receita que desandou, queimou, talhou, enfim, a cozinha e os alimentos são território aberto do saber e da imaginação.

Ao conseguir cozinhar sem pressa, com atenção, dedicação e cuidado, conseguimos mudar todo o nosso foco de atenção para se dedicar a uma atividade satisfatória, saborosa e, por que não?, muito criativa.

Espairecer…

E talvez quando estivermos diante de uma situação de tormento ou angústia, cozinhar pode ajudar a se concentrar em outra atividade e espairecer um pouco a mente.

É bem provável que ao cozinhar uma receita nova, que dependa de concentração, medição, pesagem dos ingredientes, aprendizagem do passo a passo, são atitudes que farão desviar seu foco e atenção, caso esteja passando por uma situação angustiante ou um problema e enfrentar um pouco melhor a dor, trabalhando os sentimentos, descontraindo a atenção.

Satisfação pessoal e afeto

Além disso, alimentar as pessoas, principalmente aquelas que amamos, pode ser extremamente satisfatório e essa sensação é acalentadora, pode trazer paz e alegria.

Cozinhar num projeto social também pode ser extremamente gratificante.

Cozinhar traz sentimentos bons de prazer e satisfação e pode ser uma tarefa utilizada para combater a ansiedade e preocupações excessivas, afinal, com certeza sua atenção estará voltada para outra atividade.

O psiquiatra e professor de Saúde Mental da Universidade de Ponta Grossa (UEPG), Marcelo Kimati, salienta que a culinária é uma das práticas sociais primordiais que mais envolvem o afeto.

Além disso, depois do prato pronto, com os elogios das pessoas, a autoestima agradece e vem acompanhada de orgulho por um trabalho bem feito ou quem sabe, o conforto de degustar, ainda que sozinho, uma bela refeição preparada por você, o importante é regozijar-se com o ato e o resultado.

Pensa que acabou?

Memória ancestral afetiva

A ligação do ser humano com os alimentos é primitiva, carregamos em nossa memória, a caça, o cultivo, o plantio, a colheita, o preparo e a divisão da comida. E tudo isso é muito afetivo, diz respeito a retomada dos laços através dessa lembrança genética.

Paulo Correia Lima, psicólogo, membro do laboratório de psicossomática da USP “SuCor” (sujeito-corpo) e diretor da Associação Brasileira de Medicina Psicossomática ( ABMP ), diz que

“dividir comida é ancestral. A gente retoma laços que criava com as pessoas para caçar, colher e se alimentar há mais de 15.000 anos. Depois, é físico, pois nosso sistema nervoso central se divide em simpático – aquele que nos mantém alertas e é ativado principalmente quando estamos sob efeito do estresse – e parassimpático, que regenera e liga uma sensação de gratificação no nosso corpo”.

Segundo o psicólogo ficamos relaxados quando comemos e quando compartilhamos a comida, aumentando a sensação de pertencimento e confiança.

Além disso, reproduzir uma receita familiar, rememora aromas e sabores que resgatam aquela sensação boa de pertencimento, de passado e memória dos seus.

Aplicação prática

Clínicas psiquiátricas dos Estados Unidos – entre elas, a Newport Academy, da Califórnia –, passaram a incluir aulas de gastronomia como reforço da autoestima, concentração e redução da ansiedade para complementar o tratamento de pessoas com depressão, ansiedade e outros tipos de problemas de saúde mental.

Serve para a quarentena

A quarentena obrigou muitas pessoas que, isoladas em casa, passaram a ter que cozinhar e descobriram um grande prazer e uma boa forma de usar o tempo numa atividade prazerosa e criativa.

Muitos se aventuraram na cozinha pela primeira vez e mesmo aqueles com certa experiência, aventuraram-se em campos ainda não explorados, como o mundo dos pães, que despertou grande interesse das pessoas nesse período.

Aproveite esse período de isolamento social e maior introspecção, e faça da sua cozinha a sua grande terapia.

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Juliane Isler, advogada, especialista em Gestão Ambiental, palestrante e atuante na Defesa dos Direitos da Mulher
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