Uma segunda onda de coronavírus no Brasil é possível, dizem especialistas

Uma segunda onda de coronavírus no Brasil é possível, dizem especialistas

Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV) alertam que, se as medidas de distanciamento social e redução de deslocamento não forem colocadas em prática ou não surtirem efeito, o Brasil terá sim uma segunda onda de coronavírus.

De acordo com uma pesquisa recentemente publicada pela Revista Pesquisa Fapesp, um novo surto de Covid-19 poderá se espalhar rapidamente pelo litoral do Rio Grande do Sul até a Bahia, caso as medidas de isolamento não sejam cumpridas ou não funcionarem.

Isso se dá pelo fato da maior parte da população viver nesses locais. O físico Marcelo Ferreira da Costa Gomes, especialista em propagação de doenças, coordenou o grupo de pesquisas e divulgou como o vírus se comportou no início da pandemia. Foram analisados o fluxo aéreo entre Rio de Janeiro e São Paulo e também terrestres entre os grandes municípios.

Além de São Paulo e Rio de Janeiro, outras sete capitais e municípios do Vale do Paraíba teriam transmissão do vírus. Dentre elas estão: Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Brasília, Recife e Salvador.

“Acreditamos estar na iminência da segunda onda, porque os centros urbanos que tinham alta probabilidade de ter transmissão do vírus já estão apresentando casos de Covid-19”, disse Marcelo à revista.

Segundo a publicação coloca, nessa segunda fase os riscos advindos de outros países existem, mas a dispersão regional, principalmente por via terrestre, deverá ter maior atenção.

Os pesquisadores alertam que o risco maior da segunda onda de coronavírus é maior nas seguintes regiões:

  • Entre a faixa litorânea que vai de Porto Alegre (Rio Grande do Sul) a Salvador (Bahia);
  • Municípios vizinhos a Paraíba, Pernambuco e Ceará (com 282 casos em 27/03/20, segundo Ministério da Saúde);
  • Entorno de Cuiabá (Mato Grosso), Goiânia (Goiás), Brasília (Distrito Federal) e For do Iguaçu (Paraná).

Por isso, os especialistas reforçam que a adoção de medidas de distanciamento e isolamento social são tão fundamentais e urgentes.

Corrida contra o tempo

A Pesquisa Fapesp mostrou através de infográficos as regiões com maior risco de transmissão da doença e também algumas simulações, estimando o efeito dessas medidas de restrição de viagens e isolamento social.

Contudo, eles foram enfáticos em dizer que “só se consegue retardar de modo significativo a chegada do vírus a esses municípios quando as duas medidas – restrição de deslocamento intermunicipal e diminuição do contato entre as pessoas – são tomadas em conjunto”.

Sem distanciamento e isolamento social, a contaminação acontece entre 5 a 20 dias. Já com as medidas de prevenção o tempo aumenta para 27 a 70 dias.

Quem falou bastante sobre isso nas últimas semanas foi o biólogo Atila Iamarino, que vem alertando há algum tempo a população sobre a necessidade de nos isolarmos, não só para nos proteger, mas principalmente para ganharmos tempo, e termos mais escolhas no futuro.

Em entrevista concedida para o Programa Roda Viva no último dia 30, Atila Iamarino reforça a necessidade de mantermos o distanciamento e o isolamento social, até que a vacina contra a Covid-19 seja criada. A previsão mínima para isso acontecer, é de 1 ano e meio. Até lá, mesmo que a curva de transmissão diminua, ninguém conseguirá voltar para a vida que tinha antigamente, pois ela não existe mais.

O mundo não é e não será mais o mesmo

O biólogo Atila Iamarino alerta que até o surgimento da vacina contra o coronavírus, mesmo que o comércio volte a abrir, não deveríamos estar totalmente tranquilos em frequentar estabelecimentos, restaurantes, cinemas e eventos públicos como antigamente. Não devemos enfrentar grandes multidões tão cedo até que a vacina seja criada e produzida, afirma Atila. Isso porque, este vírus é novo e ainda existem muitas perguntas sem respostas com relação à transmissão dele e também à reincidência da doença que ele causa. Tudo o que sabemos por ora, pode mudar, porque agora, com os casos sendo estudados, só teremos um panorama mais confiável no futuro.

Segundo Atila, a economia que existia até Janeiro de 2020, não existe mais. Teremos que criar e nos adaptar a uma nova economia de trabalhos online e cursos a distância. A rotina também vai mudar pois, por mais que fiquemos separados e isolados dos nossos familiares, nosso contato com eles, mesmo que virtual, será maior devido à preocupação e a necessidade de saber como estão. Pelo menos é essa a esperança do biólogo.

Além disso, Atila ressalta a importância que voltamos a dar neste momento à Ciência e à Mídia, algo que vinha sendo discriminado e esquecido nos últimos tempos.

Mantenha as medidas de isolamento

Em outra entrevista de Atila dada anteriormente para o site da BBC News Brasil, ele já falava sobre o seu posicionamento com relação à interrupção das medidas de isolamento, mencionadas pelo presidente.

Apesar do presidente Jair Bolsonaro discursar sobre a necessidade de voltarmos às atividades normais, Atila ressalta que é fundamental manter as medidas de isolamento social para ganhar tempo e buscar outras medidas futuramente.

“Parar agora é ganhar o tempo para fazer escolhas”, disse Atila.

Se a gente recuar agora e ceder ao que o presidente diz, a segunda onda de coronavírus no Brasil vai acontecer sim e não teremos tempo para combatê-la. Portanto, não podemos negligenciar o que dizem os especialistas da área da saúde e propagação de doenças. Vamos continuar seguindo as orientações da Organização Mundial da Saúde, que é quem tem fundamento para tratar desse assunto.

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