USP descobre elemento celular que pode interromper expansão do câncer

USP descobre elemento celular

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) identificaram um RNA que é capaz de modular a ação de um gene importante no processo de apoptose, ou morte celular programada. Desse modo, a produção desse RNA não codificador poderia ser usada no tratamento de tumores.

De acordo com Sergio Verjovski-Almeida, professor do Instituto de Química da USP, a expressão do RNA – chamado INXS – geralmente está diminuída em células cancerígenas e por isso, o estímulo à produção do INXS é positivo no combate do câncer e outras enfermidades.

O experimento

Em experimentos com camundongos, os cientistas da USP conseguiram reduzir – em cerca de 10 vezes – o volume de um tumor maligno subcutâneo ao aplicar no local injeções de moléculas, contendo INXS. Essa experiência foi divulgada na revista Nucleic Acids Research.

Os cientistas se dedicam a investigar o papel regulador dos chamados genes intrônicos não codificadores de proteína – aqueles localizados na mesma região do genoma de um gene codificador, porém na fita oposta de DNA. O INXS, por exemplo, é um RNA expresso na fita oposta à de um gene codificador de proteína conhecido como BCL-X.

O BCL-X está presente nas células em duas formas alternativas: uma que inibe a apoptose (BCL-XL) e uma que induz o processo de morte celular (BCL-XS). As duas isoformas agem sobre a mitocôndria, mas de formas opostas. A isoforma BCL-XS é considerada supressora de tumor por ativar complexos proteicos conhecidos como caspases, essenciais na ativação de outros genes que causam a morte celular.

Os animais foram então divididos em dois grupos. Metade passou a receber injeções de plasmídeos com INXS no local do tumor. A outra metade, que serviu de controle, recebeu apenas injeções de plasmídeos vazios.

Após 15 dias de tratamento, o tumor dos animais do grupo controle havia atingido volume médio de 600 mm3. No grupo tratado com INXS, o volume médio foi de 70 mm3 – cerca de dez vezes menor.

fonte foto: agencia.fapesp.br

Os tumores dos animais que receberam o INXS não apenas estavam menores e mais leves como também mais esbranquiçados, sinal de que a vascularização no local havia sido reduzida. Além disso, quando medimos a relação entre as isoformas de BCL-X, os tumores tratados tinham uma proporção maior da pró-apoptótica, o que sugere que as células tumorais restantes já estavam a caminho de morrer.

Considerações sobre os resultados da experiência

Na avaliação de Verjovski-Almeida, é possível desenvolver terapias contra o câncer, capazes de elevar a quantidade de INXS apenas nas células tumorais.

Além disso, em um novo Projeto Temático, o grupo de estudiosos pretende aprofundar o conhecimento sobre os mecanismos pelos quais o INXS modula o gene BCL-X e entender porque esse RNA não codificador está diminuído nas células cancerígenas.