Slow Medicine: a medicina sem pressa que preza pela relação médico-paciente

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Slow Medicine

A pressa e o imediatismo das sociedades contemporâneas exigem respostas rápidas para tudo, inclusive, para a saúde. Só que saúde é coisa séria e devemos buscar menos remédios e mais prevenção, mais humanidade nas relações médico-paciente, mais trocas de conhecimento, mais diagnóstico clínico e menos exames invasivos e, muitas vezes, inúteis. Uma parte da medicina está ciente disso e está apta a mudanças: é a Slow Medicine.

Se nós conversarmos com amigos e familiares, a maioria está insatisfeita com os atendimentos médicos atuais. Relações impessoais, listas de exames e medicamentos com as quais saímos das consultas estressados e com a sensação de que não vamos ter o nosso problema resolvido. Nos atendimentos de urgência, então, a situação é ainda pior.

Mas não apenas os pacientes estão insatisfeitos. Muitos profissionais sérios e comprometidos, sobretudo, os dedicados à clínica e à prevenção, trabalham muito e não são bem remunerados. Sem falar do jogo praticado pelos planos de saúde, que colocam contra a parede médicos e segurados.

Como funciona a Slow Medicine

Contra esse sistema que, infelizmente, tomou conta da saúde, surge a Slow Medicine, uma filosofia que coloca o tempo como central na abordagem médica. A Slow Medicine acredita que a escuta cuidadosa e respeitosa do paciente é parte fundamental do tratamento. "Slow", em inglês, quer dizer lento, ou seja, a consulta deve ter o tempo suficiente para que se construa uma relação entre médico e paciente.

A partir da fala do paciente, o médico analisa as informações que lhe são relatadas para, posteriormente, proceder a um exame clínico completo para avaliar os sinais que o corpo do paciente demonstra. É a partir desse conjunto de informações que o médico contrói uma hipótese de diagnóstico e, se necessário, solicita exames complementares para confirmá-la.

Finalmente, o médico está apto a planejar e propor uma terapia, que pode consistir de uma prescrição medicamentosa ou a recomendação de intervenções diagnósticas e terapêuticas, ponderando riscos e benefícios para o paciente. Ou, ainda, ele pode sugerir uma avaliação especializada, em casos que exijam maior complexidade.

Mudanças na forma de viver

Dentre as práticas utilizadas pela Slow Medicine está a sugestão para mudanças nos hábitos do paciente, no lugar de “pílulas milagrosas”, em vistas de um resultado a longo prazo e com maiores chances de êxito, portanto. Além disso, o médico observa a evolução do quadro do paciente, adotando a chamada “demora permitida”, uma importante estratégia diagnóstica e terapêutica.

O retorno do paciente é parte do acompanhamento para a avaliação dos resultados, o que só fortalece a relação médico-paciente. Afinal, essa deveria ser a essência do cuidado com a saúde, que envolve o doente, o profissional de saúde, a família e a sua comunidade.

Tecnologia bem empregada

A Slow Medicine não é contra o uso da tecnologia na prática médica, desde que ela seja usada de forma racional e apropriada, levando em consideração a individualidade do paciente. O uso desmedido da tecnologia tem altos custos econômicos para a assistência à saúde, o que inviabiliza cada vez mais o sistema de saúde.

É possível, sim, outra prática médica de mais cuidado à saúde e menos dispendiosa, que coloca o paciente como sujeito de sua doença e de seu tratamento, transformando a relação entre ele e o seu médico em um espaço de confiança e respeito.

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