Covid-19: países batem recordes, números já ultrapassam mortos de guerras. Novos focos Pequim, Alemanha e Nova Zelândia

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Desde o início da pandemia uma coisa ficou clara, é impossível atribuir números exatos, não só por causa da subnotificação, mas porque eles mudam a cada segundo.

Hoje, até o fechamento deste artigo, a estatística apontava mais de oito milhões de infectados e mais de 440 mil mortos no mundo.

Não tenha dúvidas, esses números já mudaram.

O retorno do vírus que não foi

Alguns países, vendo os números diminuírem, estão promovendo a reabertura do comércio e escolas, enquanto outros que haviam conseguido zerar o número de casos, voltaram a registrar infectados.

É o caso da Nova Zelândia, Pequim e Alemanha, países que, prevendo a possibilidade de terem que lidar com uma nova ondada do vírus, decidiram retomar o estado de alerta.

A Nova Zelândia, tendo verificado a ocorrência de dois novos casos após um período de 25 dias com zero infectados, tomou medidas ainda mais duras para evitar a nova propagação do vírus.

Pequim, depois de identificar no último dia 11 um novo surto da doença, resultante da infecção de mais de 100 pessoas, decidiu aumentar o nível de resposta à emergência, aumentando a rigidez de controle, aplicação de testes em massa na população, fechamento de escolas e comércio, isolamento e nova quarentena.

Alemanha, que identificou um novo foco da doença em um matadouro testando 657 funcionários positivos, obrigou 7.000 pessoas a entrarem em quarentena no distrito de Gütersloh.

Enquanto isso, outros países, no auge de suas epidemias, continuam a bater novos recordes de mortos e infectados por dia, como é o caso do Brasil e dos Estados Unidos.

A França por exemplo, após 8 semanas de confinamento total, vai permitir a reabertura, a partir do dia 22 de junho, de restaurantes, bares, escolas e faculdades, mas ainda se preocupa com a possibilidade de um novo surto e mantém normas de higiene e controle de aglomerações.

Ao todo, a França contabilizou até agora 193.746 casos de Covid-19 e 29.401 mortes, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, Brasil, Reino Unido e Itália em número de mortos.

Salvar a economia

Em toda a Europa, após milhares de mortes por Covid-19, principalmente na Espanha e Itália, que chegaram a registrar quase 1.000 mortes em um único dia no pico da pandemia, os membros do grupo, que antes enfrentavam impasses quanto a criação de um plano para mitigar os impactos econômicos causados pelo coronavírus, resolveram colocar uma pá de cal na questão e Alemanha e França, as maiores economias do bloco, anunciaram acordo para criação de um fundo de recuperação para a UE. Mas os planos de reabertura no bloco também impõem medidas restritivas e de higienização, temendo uma nova onda de contágio.

Inclusive, para quando da reabertura das fronteiras, prevista para ocorrer a partir de 1º de julho, a UE pretende restringir pessoas provenientes de países que ainda não contiveram a pandemia, como é o caso do Brasil.

Tristes recordes

Mas enquanto alguns países pensam na reabertura, outros enfrentam ainda crescente no número de casos e infectados, numa triste “competição” de qual vai bater mais um recorde dentro das estatísticas da Covid-19.

Nos EUA, principalmente no chamado cinturão do sol, Arizona, Texas e Flórida, esses Estados bateram novo recorde de casos diários, todos com mais de dois mil casos em 24 horas, sendo que só o Estado da Flórida conta com mais de 80 mil infectados.

A Carolina do Norte informou um novo recorde no número de hospitalizações pelo coronavírus nesta terça-feira, 16, com cerca de 74% dos leitos hospitalares e de UTI ocupados e em Oklahoma, os novos casos subiram 68%, para 1.081, em apenas 24 horas, na segunda semana de junho.

O governador de Nova Jersey, nos Estados Unidos, Phil Murphy, afirmou que a Covid-19 matou 6.770 pessoas no estado e o total de mortos nos país é maior que as vítimas de cinco guerras juntas (Primeira Guerra Mundial, Guerra da Coreia, Guerra do Vietnã, Guerra do Golfo, e Guerra do Afeganistão), um furacão (Sandy-2012) e o 11 de setembro de 2001 combinados.

No total, os EUA estão batendo todos os recordes mundiais, com mais de dois milhões de infectados e mais de 116 mil mortos, ou seja, é como se há 40 dias seguidos ocorresse um atentado igual ao do 11 de setembro por dia.

Segundo as autoridades, o aumento no número de casos vem ocorrendo porque aumentaram a testagem de pessoas principalmente em grupos de risco, asilos, presídios, além da reabertura das empresas e do comércio e às reuniões do feriado do Memorial Day no final de maio.

Os EUA também devem se preparar para um possível aumento no número de infectados por conta das milhares de pessoas que protestaram nas ruas contra a injustiça racial e a brutalidade policial nas últimas três semanas.

No México, país que vive o 11º dia da “nova normalidade“, processo de retomada gradual das atividades econômicas, também, ao que parece, permitiu a reabertura do comércio muito cedo e, na primeira semana de junho, bateu novo recorde com 4.883 casos confirmados de Covid-19 e 708 mortes, em 24 horas.

Até o momento, o México registra 129.184 casos confirmados de contaminação pelo novo coronavírus e 15.357 mortes. A maioria dos casos se concentra na Cidade do México.

De acordo com o Centro de Ciência e Engenharia de Sistemas (CSSE) da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, o México ocupa o quinto lugar, nas Américas, em número de casos, ficando atrás apenas dos Estados Unidos (2.000.600), do Brasil (772.416), Peru (208.823) e Chile (148.456).)

No Brasil, a situação é ainda pior

Nosso país conseguiu a façanha de, em apenas 2 meses, sair da 23ª posição no ranking dos países com maiores números de casos no mundo, para o 2º lugar, atrás apenas dos EUA em número total de mortos e infectados.

Depois, para piorar, o Brasil conseguiu, tragicamente, ficar em primeiro lugar em número de mortos e infectados em 24 horas, batendo todos os recordes mundiais.

Nesta terça-feira, 16, o Brasil voltou a registrar mais de mil óbitos diários por Covid-19, com 1.282 novos registros, acumulando 45.241 vítimas fatais da doença.

Segundo dados do Ministério da Saúde, outro recorde mundial batido foi em número de infectados nas últimas 24 horas, um total de 34.918 confirmações, totalizando 923.189 brasileiros que já foram atestados com o vírus.

É bom lembrar que o Brasil é também o único país do mundo que trocou, por duas vezes, o Ministro da Saúde e atualmente, o cargo está ocupado de forma provisória pelo Ministro interino Eduardo Pazuello.

Confinados com o vírus

Infelizmente, os dados mostram que os países que bateram recordes de infectados foram justamente aqueles que foram mais “relaxados” na aplicação de medidas de isolamento e contenção, como é o caso de Brasil, EUA, México e, mesmo diante do aumento dos números, parecem continuar com a opção de reabertura do comércio, ainda que em etapas.

Há que se dizer que, a retomada das atividades no Brasil, não foram sequer precedidas de um fechamento total, ou um lockdown (confinamento, em tradução literal), como dizem.

Esses países, poderiam seguir exemplos como o da Nova Zelândia que conseguiu, por 25 dias, zerar o número de casos, com duras medidas restritivas e que, tendo verificado a ocorrência de “apenas” dois novos casos após esse período, tomou medidas ainda mais duras para evitar nova ondada do vírus.

Atualmente, apenas os cidadãos neozelandeses e suas famílias podem entrar no arquipélago, com poucas exceções, como pessoas que viajam por razões profissionais ou humanitárias e esses novos casos foram identificados justamente de estrangeiros, duas mulheres do Reino Unido que deixaram o hotel onde estavam hospedadas, prematuramente e sem autorização, antes de finalizarem o período da quarentena obrigatória.

A primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, considerou o episódio um absurdo que jamais deveria ter acontecido e convocou o exército para fiscalizar com maior rigor, disciplina e confiança as fronteiras.

É comprovado que os países que tomaram medidas duras de contingenciamento tiveram respostas positivas no combate ao coronavírus. Enquanto isso, o Brasil promove a reabertura em etapas do comércio assistindo aos números de infectados e mortos baterem recordes.

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Juliane Isler, advogada, especialista em Gestão Ambiental, palestrante e atuante na Defesa dos Direitos da Mulher
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