Os matadouros são os novos focos de proliferação do coronavírus

Matadouros-frigoríficos são locais tenebrosos, que funcionam em condições horríveis tanto para os animais quanto para os humanos. Nestes locais, manter a distância necessária para evitar contágios é impossível e, devido a isso, matadouros em todo o mundo estão se tornando focos para a disseminação do vírus que causa a Covid-19.

Operadores de matadouros-frigoríficos morrendo

O SARS-CoV-2 vem infectando operadores de matadouros-frigoríficos, por encontrar nestes ambientes, condições ideais para se proliferar, pois a linha de montagem exige proximidade entre os trabalhadores. Por conta desse contexto, 40 fábricas de processamento de carne nos Estados Unidos já fecharam e a tendência é isso aumentar.

Um rastreamento do Usa Today e do Midwest Center for Investigative Reporting explica o que está acontecendo nos matadouros, principalmente nos norte-americanos que, em pelo menos 170 fábricas de 29 estados, tiveram um ou mais trabalhadores testados positivo para o novo coronavírus. Pelo menos 45 trabalhadores morreram. Além disso,  a indústria de empacotamento de carne atingiu um marco sombrio quando o número de passou de 10.000 casos de coronavírus.

Segundo informação do The Guardian, a primeira vítima foi Elose Willis, uma mulher de 56 anos que por 35 anos trabalhou na fábrica Tyson em Camilla, sudoeste da Geórgia, com expediente de cinco dias por semana, 10 horas por dia, 100.000 frangos abatidos por turno.

Em várias entrevistas com avicultores da Geórgia, Arkansas e Mississippi, um padrão de suposta negligência, sigilo e má gestão surgiu nas instalações operadas por alguns dos maiores produtores desse tipo de alimento da América. Além do baixo custo da mão-de-obra, soma-se a falta de conformidade com as medidas anti-contágio.

O sofrimento animal, e humano, contado por um matador de abatedouro

Empresas produtoras de carne fatalmente fechando

Para engrossar esse caldo de falta de prevenção e precariedade, apesar dos surto de Covid-19, o presidente Donald Trump pediu que a Lei de Produção de Defesa (DPA) obrigasse as fábricas de processamento de carne permanecerem abertas durante a pandemia, pois a interrupção dos matadouros-frigoríficos causaria uma escassez de suprimentos de carne. Porém, mais de uma semana após a ordem de Trump, os fechamentos fatalmente ocorreram. Sete matadouros-frigoríficos fecharam em 28 de abril, com uma queda total de 36% na produção semanal em comparação com o mesmo período do ano passado.

Esse problema não está acontecendo somente  com os norte-americanos, mas também diz respeito à Irlanda, Espanha, Austrália, Alemanha, Brasil, Canadá e Reino Unido.

O que têm em comum os matadouros espalhados pelo mundo é a mesma realidade terrível que os caracteriza:

  • excesso de trabalhadores
  • ausência de distanciamento social
  • trabalho envolvendo exploração e matança
  • trabalhadores que fazem parte dos grupos vulneráveis.

Para piorar, as infecções não afetam apenas os trabalhadores, mas se estendem aos seus familiares, mesmo havendo empresas que garantam que tenham implementado medidas de segurança.

Um outro lugar em que um matadouro parou de funcionar por duas semanas foi em Apúlia, na Itália, depois que 71 funcionários foram testados positivos para a Covid-19. E este pode ser que não seja o único matadouro a fechar.

Estatísticas de trabalhadores mortos por coronavírus

Em 1° de maio, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças – CDC, publicaram suas contas de infecções e mortes entre trabalhadores do setor de embalagens de carne. Mas, esses números parecem estar desatualizados, de acordo com o relatório. Por exemplo, o CDC relata que um trabalhador de frigorífico morreu na Geórgia, entretanto, em meados de abril, um porta-voz da Tyson Foods havia confirmado que quatro trabalhadores de uma de suas fábricas na Geórgia haviam morrido.

De acordo comUnited Food and Commercial Workers International Union  – UFCW, que representa o setor de embalagens e processamento de alimentos,

“20 trabalhadores de frigoríficos e de processamento de alimentos morreram. Além disso, pelo menos 5.000 trabalhadores de frigoríficos e 1.500 de processamento de alimentos foram diretamente afetados pelo vírus”.

Os dados ainda por cima, não são precisos. Além do mais, muitos funcionários se omitem por medo de repercussões negativas e incerteza econômica e, ainda, podem ter seguido trabalhando mesmo infectado ou sob o risco de contágio.

Cada vez mais, falta gente para esse tipo de trabalho

Em suma, além dos animais, os humanos também são vitimas dos matadouros!

Diante dessa cruel realidade, muitas pessoas estão enxergando que trabalhar nesses locais é insano. Como exemplo disso temos:

Bem disse, o famoso cantor britânico e vegano Paul McCartney:

“Se os matadouros tivessem paredes de vidros todos seríamos vegetarianos”

Se cada um parar de comer carne, os matadouros e todos esse prejuízos à vida animal e humana deixarão de existir.

Seja vegano e apoie a vida, a saúde e o bem-estar de todos.

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Sobre Deise Aur

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Professora, alfabetizadora, formada em História pela Universidade Santa Cecília, tem o blog A Vida nos fala e escreve para GreenMe desde 2017.

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