Calma, sangue nas fezes nem sempre é grave

Fezes com sangue não é incomum e nem sempre significa algo grave à saúde.

Podemos confundir uma simples fissura anal ou uma situação menos provável, mas não impossível, como a ingestão de determinados tipos de alimentos, como por exemplo, a beterraba, que pode alterar a coloração das fezes e até nos confundir.

O importante é ficar atento à rotina diária de alimentação, evacuação, consistência, cor e odor das fezes e sempre procurar um médico para correta avaliação.

As condições de nossa saúde podem ser notadas nos sinais que nosso fornece. Esses sinais podem ser fadiga excessiva, dores, febres, alergias, inchaços, ínguas e uma infinidade de características. A aparência das fezes também pode indicar a saúde do nosso trato intestinal.

Preste atenção no funcionamento do seu intestino, na regularidade, na ocorrência de dor e, principalmente, consistência e aparência das fezes. Notou alguma coloração diferente, notou a presença de sangue nas fezes?

Presença de sangue nas fezes

Segundo o médico Drauzio Varella, uma coisa importante que precisamos saber é que o sistema digestivo compreende um tubo contínuo que vai da boca ao ânus. Assim, em qualquer local do trato digestivo: faringe, esôfago, estômago, intestino delgado, grosso, pode ocorrer algum sangramento. Avalia-se que quanto mais próximo do ânus o sangramento ocorrer, ou seja, no trato digestivo inferior, mais fácil de aparecer nas fezes, já no trato digestivo superior, o sangue pode ficar mascarado e não ser perceptível ao olho nu, exceto quanto ao escurecimento das fezes ou, como na maioria dos casos, aparecer no vômito ou secreção expelida pela boca.

É preciso também avaliar se sente dor ao defecar, a forma como o sangue se apresenta, se pinga no vaso ou se aparece no papel na hora de se limpar ou se o sangue está junto das fezes.

Outro aspecto a ser notado é a cor do sangue, que pode variar em vermelho mais claro até escuro, quase preto, o que também pode ser um indicativo de fator causa. Dependendo da forma, pode-se dizer que se trata de uma simples hemorroida ou fissura anal, uma doença mais grave ou até câncer, por isso a necessidade de procurar sempre uma orientação médica.

Mas tenha calma

Manter a calma é sempre a melhor atitude nesses casos. Na maioria das vezes, a simples presença de sangue nas fezes não significa a existência de uma doença grave.

De acordo com o médico coloproctologista, Dr. Bruno Giusti Werneck a maioria das pessoas não possuem doença grave, muito menos câncer.

Os fatores mais comuns que podem desencadear presença microscópicas de sangue nas fezes são hemorroidas, fissuras, processos inflamatórios, verminoses, diverticulite (inflamação intestinal) e até o próprio processo de coleta das fezes, dependendo do exame realizado.

Segundo Dr. Bruno, pessoas entre 50 e 80 anos, deveriam fazer exame de pesquisa de sangue oculto nas fezes – PSOF, como forma de prevenção.

O exame é uma ferramenta de rastreamento populacional na prevenção do câncer de intestino, baseado no fato de que tumores no intestino normalmente sangram e que pequenas quantidades podem ser identificadas nas fezes, ainda que não seja visível a olho nu.

O médico alerta que o exame de pesquisas de sangue oculto não é indicado para aqueles cujo sangramento é visível ou que tenha sinais e sintomas gastrointestinais ou anais, quando devem procurar diretamente o médico especialista.

Sintomas para ficar de olho

Os principais sintomas a serem avaliados são:

  • Sangramento que sai do ânus sem causa aparente, isolado ou no momento da evacuação;
  • Sangramento detectado após a limpeza do ânus com papel higiênico;
  • Pingos de sangue no vaso sanitário após evacuação;
  • Presença de sangue visível no vaso sanitário;
  • Presença de coloração bem escura nas fezes com odor forte;
  • Presença de sangue oculto nas fezes, detectado somente através de exame;
  • Carência de ferro no sangue, detectado somente através de exame.

Possíveis causas do sangue nas fezes

O sangramento pode ocorrer no tubo digestivo baixo ou trato gastrointestinal inferior, ou seja: intestino delgado, intestino grosso, reto ou ânus e o sangue costuma aparecer nas fezes, visível a olho nu e normalmente na cor vermelha, demonstração que é recente o local onde foi alojado, normalmente ocorrem nos casos de hemorroidas, fissuras anais e diverticulute.

Já no tubo digestivo alto, quando o sangramento está presente no trato gastrointestinal superior, duodeno, estômago ou esôfago, aparecem nas fezes tornando-as mais moles, escuras e com cheiro muito forte, sinal que o sangue foi digerido, normalmente ocorrem nos casos de úlceras estomacais ou duodenais.

Hemorroidas

As hemorroidas podem ser uma causa provável bem comum da presença de sangue nas fezes. Metade das pessoas na idade adulta tem ou já tiveram algum sintoma relacionado às hemorroidas. Presença de sangue vivo no momento da evacuação, sangramento detectado após limpeza com papel higiênico e pingos de sangue visíveis no vaso, podem ser causas de hemorroida ou fissuras anais.

Segundo o médico Helio Antonio Silva,

“hemorroidas são estruturas anatômicas normais formadas por vasos sanguíneos comunicantes situados na parte interna do canal anal. Quando esses vasos aumentam de tamanho, inflamam e produzem sintomas surge a doença hemorroidária. Ela pode ser interna, situada dentro do canal anal, ou externa, situada na borda do ânus”.

A doença tem múltiplas causas e podem ser decorrentes de mudanças na consistência das fezes, esforço evacuatório, gravidez, trauma pelo uso de papel higiênico e até fatores hereditários.

O que comer em caso de hemorroidas? O médico recomenda dieta rica em fibras, frutas e verduras e ingestão de muito líquido, pelo menos dois litros de água por dia, fatores que auxiliam na regulação da frequência intestinal e alteram a consistência das fezes, deixando-as mais macias, facilitando a evacuação, se o caso for de fezes secas e intestino preso.

O médico também alerta quanto ao uso de ducha higiênica com jato de água, evitando o uso de papel higiênico que pode causar atrito com a região anal.

O tratamento é simples, na maioria das vezes, além das alterações comportamentais e alimentares, pode haver a necessidade de uso de medicamentos, como pomadas e analgésicos ou em casos mais graves, tratamentos cirúrgicos.

Fissura anal

Cortes ou rupturas na região anal é a causa da origem da fissura anal. Geralmente é decorrente de fezes duras e podem iniciar um processo inflamatório no local, com a aparecimento de dor e sangramento na região, principalmente no momento da evacuação e limpeza da região com o uso de papel higiênico.

Segundo o portal da proctologia, veículo oficial da Sociedade Brasileira de Proctologia, a doença pode surgir a partir das seguintes causas: a) trauma do canal anal, e b) hipertonia do esfíncter do ânus, ambas podendo ocorrer tanto pela defecação de fezes endurecidas, prisão de ventre (constipação intestinal) quanto na diarreia.

Todas essas situações podem contribuir e prejudicar as condições necessárias para cicatrização da fissura.

Ainda segundo os especialistas, o tratamento deverá ser escolhido após exame físico feito por especialista que poderá indicar banhos de assento com água morna, pomadas anestésicas, dieta rica em fibras e associar a prescrição de medicações tópicas para reduzir a contratura do esfíncter interno do ânus, permitindo a cicatrização da fissura.

Em casos de a doença retornar, tornar-se recidiva, pode ser necessária a intervenção cirúrgica, mas normalmente isso só ocorre em casos extremos.

Diverticulite intestinal

De acordo com Marcos Belotto, cirurgião gástrico do Hospital Sírio-Libanês, a diverticulite caracteriza-se por uma inflamação das paredes internas do intestino grosso e afeta principalmente pessoas que adicionam muito carboidrato refinado em uma dieta que, em geral, é pobre em fibras, por isso é considerada uma doença da civilização ocidental. O distúrbio também costuma aparecer a partir da meia-idade, atingindo os idosos com maior frequência.

Segundo o médico os principais sintomas são: dor abdominal (habitualmente localizada no quadrante inferior esquerdo), diarreia, cólicas, alteração dos hábitos intestinais e, ocasionalmente, hemorragia retal severa. É caracterizada por uma inflamação e ou infecção dos divertículos.

Dr. Marcos aponta que os especialistas não sabem dizer a etiologia exata, ou seja, o mecanismo de formação dos divertículos. Muitos acreditam que a presença de pequenas hérnias na mucosa do intestino grosso (cólon) se formam e inflamam ou causam infeção.

Elaine Moreira, gastroenterologista do Instituto EndoVitta, explica que

“quando as fezes apresentam-se endurecidas, o intestino necessita fazer mais força para empurrá-las, e isso acaba por aumentar a pressão dentro do cólon. Essa pressão aumentada força determinados pontos de baixa resistência na parede do cólon, projetando externamente pequenas saculações ou divertículos, aumentando o risco de complicações quando pequenas quantidades do bolo fecal e bactérias penetram nos divertículos, cansando inflamação”.

Esse processo inflamatório pode levar ao aparecimento de sangue nas fezes, por isso deve procurar orientação médica para o correto tratamento.

Úlceras pépticas, gástricas (estômago) e duodenais (primeira parte do intestino)

Já os sintomas de coloração bem escura nas fezes com odor forte, presença de sangue oculto nas fezes, carência de ferro no sangue, podem ser sintomas de inflamação e úlceras que, causando sangramento, fazem com que seja absorvido pelo trato digestivo e não sejam vistas a olho nu nas fezes, apenas alterando a cor, odor e consistência.

Segundo o médico Mauro Bonatto as úlceras do estômago ou duodenais (primeira parte do intestino) são a maior causa das hemorragias, sendo que o sangramento acontece porque as feridas atingem e rompem alguma artéria ou veia da parede do órgão.

Mauro Bonatto explica que a úlcera é um ferimento no revestimento do estômago ou duodeno causadas pela ação do ácido e pespina, enzimas digestivas, por causa de algum desequilíbrio ou também pela presença da bactéria Helicobacter Pylori. São as gastrites originárias.

Outra possível causa de sangramento, é a gastrite erosiva, causada principalmente pelo uso dos remédios anti-inflamatórios, incluindo a aspirina, ou medicamentos antirreumáticos, como feldene, voltarem, que podem danificar a camada de muco no estômago e duodeno após o qual o ácido do estômago causa a lesão final.

Outra causa apontada é a cirrose, alterações na circulação do sangue através do fígado de uma pessoa com a doença, podem levar a dilatação das veias do esôfago e estômago promovendo o rompimento e uma hemorragia digestiva.

O Médico aponta que outro fator que pode causas úlceras e ferimentos, ocorre em pessoas que vomitam muito, podendo levar a lacerações na mucosa do esôfago e estômago.

Ele finaliza apontando que cirurgias vasculares que alteram as veias e artérias, como angiodisplasias ou ectasias também podem alterar a mucosa de qualquer parte do trato digestivo e que podem causar sangramento pela boca ou pelas fezes, sendo esse último bem mais comum.

Em quaisquer desses casos, podem haver aparecimento de sangue nas fezes, porém não de uma forma tão visível, como ocorre nos casos das hemorroidas e fissuras, onde o sangue normalmente é visto a olho nu.

Câncer intestinal

Outra causa rara de sangramento visível ou não, menos de 1% dos casos, mas que não pode deixar de ser diagnosticada, é o câncer. Tumores benignos ou malignos (câncer) do esôfago, estômago ou intestinos podem causar hemorragia, que pode, inclusive, ser a primeira manifestação da doença.

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer, o câncer de intestino abrange os tumores que se iniciam na parte do intestino grosso chamada cólon e no reto (final do intestino, imediatamente antes do ânus) e ânus. Também é conhecido como câncer de cólon e reto ou colorretal.

Os sintomas mais frequentemente associados ao câncer do intestino são: sangue nas fezes, alteração do hábito intestinal (diarreia e prisão de ventre alternados), dor ou desconforto abdominal, fraqueza e anemia, perda de peso sem causa aparente, alteração na forma das fezes (fezes muito finas e compridas) e massa (tumoração) abdominal.

Os sintomas são muito parecidos com as outras doenças já relacionadas neste artigo: hemorroidas, fissuras, úlceras, somente exames específicos poderão apresentar o diagnóstico correto.

O Instituto do Câncer ainda aponta que a doença tem tratamento e na grande maioria dos casos é curável, principalmente quando detectada precocemente. Grande parte desses tumores se inicia a partir de pólipos, lesões benignas que podem crescer na parede interna do intestino grosso.

Tratamentos

Para cada caso existe um tratamento específico que somente um médico poderá prescrever.

No entanto, algumas indicações apontam que uma alimentação saudável, rica em fibras, frutas, verduras e legumes, concomitante com a ingestão de bastante líquido, em média 2 litros de água por dia, podem contribuir na prevenção do surgimento de algumas doenças, como hemorroidas, fissuras, prisão de ventre.

Uma rotina de alimentação saudável aliada a prática de exercícios, podem melhorar a consistência das fezes e facilitar o processo digestivo, evitando inflamações e outras complicações decorrentes.

Procure um médico

As informações aqui dadas pretendem apenas apoiar e não substituem a consulta médica. Procure sempre uma avaliação no Serviço de Saúde, somente um médico poderá indicar qual exame necessário a ser realizado e qual melhor tratamento indicado.

Fique atento aos sinais que seu corpo emite e em caso dúvidas, dores ou alterações, procure sempre orientação de um profissional de saúde.

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