Devo lavar tudo? Por quanto tempo o coronavírus permanece nas roupas e superfícies?

Muitas dúvidas rondam o novo coronavírus. Uma delas é por quanto tempo o Sars-Cov-2 permanece  sobre as superfícies. Esclarecer essa questão é importante para sabermos como desinfetar corretamente as superfícies e evitar a resistência do vírus nelas.

A Live Science publicou uma matéria sobre um estudo publicado em fevereiro no The Journal of Hospital Infection que analisou vários artigos publicados anteriormente sobre coronavírus humanos (além do novo coronavírus – Sars-Cov-2) para entender melhor por quanto tempo eles podem sobreviver fora do nosso corpo.

Sobrevivência nos diferentes tipos de superfícies

No mundo todo está havendo uma corrida aos supermercados para a compra de materiais de limpeza. Não se sabe exatamente o tempo pelo qual o novo coronavírus permanece sobre as superfícies.

Ele pode permanecer…

  • no ar por até 3 horas
  • Em áreas de cobre, ele resiste por até 4 horas;
  • em papelão, por até 24 horas;
  • em plástico ou em aço inoxidável, por até 72 horas.

A conclusão é que o novo coronavírus se comporta de maneira similar às demais cepas de corona, que causam a SARS e a MERS. Ou seja, ele pode permanecer sobre diferentes tipos de superfícies – como metal, vidro ou plástico – por até nove dias. Entretanto, alguns deles não permanecem ativos por muito tempo quando submetidos a temperaturas superiores a 30 graus Celsius.

Além disso, em todas as superfícies, há uma deterioração exponencial da carga viral deles, o que faz com que se tornem cada vez menos eficazes do ponto de vista infeccioso.

Desinfetantes e soluções caseiras

Os autores do estudo descobriram, também, que os coronavírus podem ser eliminados por desinfetantes domésticos. Um solução caseira eficaz para essa finalidade são os desinfetantes com 62-71% de etanol, 0,5% de peróxido de hidrogênio ou 0,1% de hipoclorito de sódio (água sanitária), porque eles podem “inativar” os coronavírus em apenas um minuto.

Soluções diluídas de alvejante doméstico, soluções que contenham, no mínimo, 70% de álcool e a maioria dos desinfetantes comuns, parecem ser eficazes na desinfecção de superfícies contra o coronavírus.

A solução de alvejante pode ser preparada misturando 5 colheres de sopa (1/3 de xícara) de alvejante por galão de água ou 4 colheres de chá de alvejante por litro de água.

Mas atenção…

Os pesquisadores advertem que jamais deve ser misturado alvejante doméstico com amônia. Alguns químicos, quando misturados, criam vapores tóxicos prejudiciais à saúde. Por exemplo, quando o alvejante é misturado com uma solução ácida, uma reação química produz gás cloro, o que pode causar irritação nos olhos, garganta e nariz. Em altas concentrações, esse gás pode causar dificuldades respiratórias e fluidos nos pulmões, e em concentrações muito altas pode levar à morte, de acordo com o relatório.

Portanto, melhor não complicar! Um desinfetante comercial comum, feito à base de álcool ou de água sanitária, são suficientes para manter a limpeza da casa.

Contágio por meio de materiais é difícil

Muitas pessoas se preocupam em lavar roupas, deixar sapatos fora de casa, etc. Mas o contágio por meio de materiais é difícil porque, para que haja infeção é preciso:

1: que alguém infectado tenha cuspido, tossido ou espirrado no material ou na superfície;

2: que o vírus tenha se mantido vivo no material ou na superfície e

3: que uma pessoa ao tocar esses lugares leve às mãos à boca, nariz ou olhos.

A mais provável forma de contágio é a de o vírus se espalhar de pessoa para pessoa através de contato próximo e gotículas respiratórias de tosses e espirros que podem pousar na boca ou nariz de uma pessoa próxima, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

O Ministério de Saúde italiano também acredita que o contágio por meio de materiais é muito difícil:

Este método de contágio é absolutamente marginal comparado ao contágio inter-humano”, enfatiza o Presidente do Conselho Superior de Saúde na Itália, Franco Locatelli.

“Não introduzir roupas ou sapatos na casa” usados fora é, portanto, considerado por Locatelli como uma “medida extrema”, atualmente não recomendada naquela país.

Isso porque, na contaminação via sapatos, por exemplo, seria necessário pisar nas gotículas infectadas de alguém que tossiu, cuspiu ou espirrou na rua e, em seguida, tocar na sola dos sapatos com as mãos para depois colocar as mãos no nariz ou na boca. Uma situação difícil de acontecer. O mesmo para superfícies têxteis como roupas e estofados.

Mas dado que evitar de levar as mãos à boca é difícil, ficam as dicas:

Quem for mais cauteloso pode, por exemplo, evitar de tocar as roupas de pessoas que não conhece ou que não sabe por onde estiveram (donas de casa, empregadas por exemplo, podem usar luvas ao manusear as roupas da família).

Quando sair de casa, leve sempre o álcool gel na bolsa porque, ao tocar dinheiro e outros materiais ou superfícies de uso público, nunca se sabe quem os tenha tocado antes. Como não é fácil ter água e sabão à disposição, o álcool gel é um alívio e desinfeta.

O que limpar em casa

Uma pessoa com suspeita de ter contraído o Sars-Cov-2 deve ter a residência limpa e desinfetada diariamente, sobretudo, as superfícies mais tocadas da casa.

As áreas comuns incluem

  • mesas,
  • cadeiras com encosto alto,
  • maçanetas,
  • interruptores de luz,
  • controles remotos,
  • telefones
  • banheiros e pias.

Já em locais públicos, é importante manter a limpeza de:

  • botões de elevador
  • caixas eletrônicos
  • corrimões

Isolamento

Outra recomendação é “tanto quanto possível, uma pessoa doente deve ficar em uma sala específica e longe de outras pessoas em sua casa”. O responsável por cuidar do doente deve evitar o máximo de proximidade. Conseguindo fazê-lo, o próprio doente deve limpar e desinfetar as superfícies do cômodo onde está repousando.

A Covid-19 exige muitos cuidados com os quais não estávamos habituados, mas é fundamental, neste momento, que eles sejam cultivados e incorporados às nossas rotinas.

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É doutora em Estudos de Linguagem, já foi professora de português e espanhol, adora ler e escrever, interessa-se pela temática ambiental e, por isso, escreve para o GreenMe desde 2015.
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