A famosa preguiça causada pela maconha é cientificamente comprovada

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Maconha provoca redução de resposta cognitiva nas tomadas de decisões, segundo afirma uma pesquisa da Universidade de Colúmbia Britânica, em Vancouver, Canadá.

O estudo feito em ratos machos adultos, constatou que o uso da maconha pode gerar redução nas respostas cognitivas (lerdeza ou falta de interesse em realizar ações) e que esta é uma reação ao tretraidrocanabinol (THC), principal composto psicoativo da maconha.

Porém, este efeito negativo do THC é contrabalançado, em certa medida, pelo efeito contrário de outro fito-canabinóide da planta conhecido como canabidiol (CBD), usado no tratamento de dores crônicas, epilepsia e até mesmo o câncer.

A hipótese testada neste estudo é “de que o THC prejudica a função cognitiva relevante para o sucesso a longo prazo, ou seja, a vontade de exercer o esforço cognitivo para maiores recompensas, e que o CBD poderia atenuar essas deficiências de tomada de decisão”.

No entanto, temos de entender que esta pesquisa científica foi feita pela administração controlada de THC, CBD além de outros canabinoides e não, com a administração da planta Cannabis sativa, indica ou ruderalis, na forma de erva seca, fumo ou chá.

Mason Silveira, coordenador da pesquisa, comenta: “Talvez sem surpresa, nós descobrimos que quando damos THC a esses ratos, eles basicamente se tornam cognitivamente preguiçosos. O interessante é que suas habilidades para realizar desafios complicados não foram afetadas pelo THC. Os ratos ainda podiam cumprir as tarefas, mas simplesmente não queriam”.

Então, subentende-se que não são afetadas as funções primordiais mas que, simplesmente, as cobaias do estudo não reagiam com ansiedade ou estresse às solicitações, demonstrando que não estavam “nem aí” para as recompensas. Relax total, diríamos.

As 29 cobaias deste estudo tinham sido treinadas para realizarem experimentos comportamentais específicos em troca de um prêmio (açúcar). Normalmente, com o treino e o prêmio já reconhecido, os ratinhos correriam para fazer a tarefa mais difícil e ganharem torrão maior de açúcar. Quando recebiam THC, os ratinhos preferiam a tarefa mais fácil, e ganhavam uma recompensa menor mas, quando recebiam CBD, continuavam a preferir as tarefas mais difíceis com recompensas maiores.

Era expectativa dos cientistas que o CBD bloqueasse os efeitos “negativos” do THC mas, tal não se verificou como afirma Catharine Winstanley, professora associada à pesquisa: “Isso foi uma surpresa, já que tem sido sugerido que altas concentrações do CBD podem modular ou reduzir os efeitos negativos do THC. Infelizmente, isso não parece ser o caso”.

O que talvez muitos saibam é que o consumo da maconha, pelas formas conhecidas e comuns (erva seca, fumo, chá) produz, a curto prazo, um relaxamento significativo. Mas, a longo prazo, será que esse relaxamento poderia resultar em uma menor capacidade de reação? Ou será que esse relaxamento produz uma capacidade de adequação maior do indivíduo ao estresse de vida?

O que parece muito interessante neste estudo é que, nas suas conclusões, os cientistas dizem que já é comprovado que o uso prolongado da maconha em seres humanos, leva a condições socioeconômicas menos privilegiadas, ou piores, ou menos ricas, mais pobres, enfim, que as pessoas que a usam deixam de se interessar, por algum motivo, pela corrida ao dinheiro, ao bom desempenho profissional com fins de enriquecimento.

Lê-se também nas conclusões do estudo, que o problema que mais os preocupa não é, na verdade, o tipo de efeito colateral adverso do uso medicinal da cannabis mas sim, essa falta de vontade de enriquecer, melhorar de vida, que o ser humano usuário parece adquirir. Interessante, não é?

Leia aqui o estudo na íntegra (em inglês). E veja o vídeo abaixo:

Fontes: O Globo e Journal of Psychiatry and Neuroscience

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