Filme brasileiro mostra que brincando se aprende a viver

brincando se aprende a viver

Território do Brincar, projeto que estréia um documentário de 90 minutos, amanhã em São Paulo e no Rio de Janeiro, teve sua pré-estreia na Ciranda de Filmes, no último dia 20, mostra as brincadeiras infantis em diversas regiões brasileiras.

Com uma produção de Maria Farinha Filmes e Ludus Vídeos e Cultura, este projeto, idealizado e realizado pela educadora Renata Meirelles e o documentarista David Reeks, percorreu de abril de 2012 a dezembro de 2013, estradas e culturas pelas mais diversas regiões brasileiras. Seu objetivo? Ouvir o que dizem as crianças brasileiras, dar voz a seus gestos, saberes e fazeres. Este é um trabalho que já fazem os realizadores há 16 anos e encontram, na linguagem própria da infância, nas brincadeiras de cada um, a expressão mais verdadeira do que é aprender a viver.

Percorrendo os caminhos brasileiros de várias comunidades nativasindígenas, quilombolas, urbanas, campo, cidade e praia, os pesquisadores reconhecem a realidade brasileira através dos olhos das crianças que, brincando de fazer, e fazendo de brincadeira, mostram a alma do povo, com suas particularidades e idiossincrasias culturais tão peculiares. Esta é a forma mais verdadeira já que gerada na espontaneidade da infância e seu entendimento do mundo.

A proposta do projeto Território do Brincar não se extingue em terras brasileiras pois, pretende ultrapassar fronteiras e documentar também outras realidades, conforme se lê no site do projeto.

Cartaz Território do Brincar

foto: territoriodobrincar.com.br

Brincar é saudável e necessário às crianças, tanto quanto o ar que respiram e a comida que comem ou o sono que dormem. Não importa se a realidade da vida é dura, a criança encontra sempre um jeito de transformá-la, com imaginação e alegria, em uma vida mais gostosa de se viver.

No entanto causa conflito a realidade da criança das grandes cidades, que está dobrada ao uso de aparelhos eletrônicos para a sua rotina de brincadeira, em detrimento do compartilhar uma bola de rua ou uma corrida de corre-cotia. A violência das cidades grandes desfavorecem o brincar nas ruas, o andar em grupo pelos campinhos e praças. E as crianças são refugiadas, pelos adultos, dentro de casa e dos programas eletrônicos.

Mas, o convite a uma correria sempre será aceito, depois de ganhar a confiança no grupo. Felizes são as crianças que, na sua comunidade e realidade, mantêm a liberdade de serem crianças, livres de brincar de viver e de viver brincando.

Nos materiais disponíveis se nota a profundidade da reflexão proposta pelo projeto Território do Brincar. Uma reflexão profunda que mexe com a segurança interna dos adultos, mas que, se enfrentado esse medo, ganharemos todos, nós adultos e nossas crianças.

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Fonte foto capa: territoriodobrincar.com.br