Coronavírus: como na guerra, Itália usa toque de recolher e povo se rebela

Na Itália o termo lockdown está em desuso. Talvez ele cause gastura em um povo que fichou fechado, mas fechado mesmo, durante quase 3 meses, período no qual bares, restaurantes, escolas, comércio, tudo esteve fechado e até visitar parentes e amigos era proibido.

Com o contenção da pandemia, devagar o país foi se abrindo, chegou o verão, a vida normal seguia até que agora, com a chegada do outono, o aumento de casos de coronavírus levou o governo a determinar novas medidas restritivas: o coprifuoco.

Como na guerra

O termo, que seria literalmente traduzido para cobrefogo, tem origem na Idade Média mas recentemente foi usado nas nações ocidentais em tempos de guerra para evitar incêndios noturnos, ou seja, para cobrir o fogo.

Em outras palavras cobrefogo nada mais é que um “toque de recolher“.

Enquanto no Brasil a discussão (e a divisão de opiniões) está entre vacinar ou não vacinar, na Itália a questão é cobrir ou não o fogo noturno, fechando tudo a uma certa hora.

Há quem diga que estão exagerando e fazendo terrorismo midiático com a divulgação do número de casos, que aumenta conforme aumenta o número de testes feitos, e que o importa é o número de assintomáticos x número de internações.

Rebeliões

Cientistas escreveram uma carta ao governo italiano pedindo para fecharem tudo antes do colapso do sistema sanitário, como divulgou ontem, 23, o la Repubblica.

De fato o toque de recolher ja está em vigor e é a meia-noite, mas especula-se que o governo pretenda adiantá-lo para as 21:00 ou as 18:00 se os casos continuarem subindo.

Enquanto isso, ontem, 23, governador da região Campania (capital Nápoles) decretou coprifuoco as 23:00, o que gerou protesto violento entre os moradores da capital.

Centenas de pessoas responderam à chamada nas redes sociais e marcharam contra De Luca (o presidente da região) com gritos de “Você nos fecha, você nos paga”: lixeiras queimadas, quebra-quebra e choque com a polícia. Houve protesto também em Salerno, uma outra região italiana.

Chega de histeria

Enquanto alguns cientistas temem pelo aumento vertiginoso do vírus, e pedem por novo lockdown, há quem, ao contrário, clame por “chega de histeria“:

“95% dos positivos são assintomáticos. Fechar tudo? Não, chega de histeria ” diz o professor titular de Microbiologia e Virologia da Universidade de Pádua, Giorgio Palù.

“O número que realmente importa é o de internados em terapia intensiva”

É preciso que os especialistas façam bem as contas da pandemia que virou sindemia para, de fato, acabar a histeria porque do jeito que está, parece mesmo que estamos em guerra, cobrindo fogos aqui e ali.

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Sobre Daia Florios

Daia Florios
Ingressou no curso de Ecologia pela UNESP e formou-se em Direito pela UNIMEP. É fundadora e redatora-chefe em GreenMe Brasil.

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