O Preocupante Declínio da Natalidade: O Que Isso Significa para o Futuro?


Um novo estudo publicado na revista The Lancet revela um panorama preocupante: a taxa de fertilidade global está em declínio acentuado, e 97% dos países não terão taxas suficientes para sustentar o tamanho da população até 2100. Isso significa que, em apenas algumas décadas, o mundo enfrentará uma “mudança social surpreendente”, com implicações socioeconômicas de grande alcance.

Esta é a principal conclusão de um novo estudo sobre as taxas globais de fertilidade – o número médio de filhos que nascem de uma mulher ao longo da sua vida – realizado pelo Instituto de Métricas e Avaliação de Saúde (IHME) da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington.

O cenário futuro

  • População em declínio: Mais de três quartos dos países não conseguirão manter o tamanho da sua população até 2050, e essa tendência se intensificará até o final do século.
  • “Mundo demograficamente dividido”: O declínio da natalidade será mais acentuado em países desenvolvidos, enquanto alguns países de baixo rendimento na África Subsariana experimentarão taxas de fertilidade relativamente elevadas. A previsão é de que cerca de 77% dos nascimentos ocorram em países de rendimento baixo e médio-baixo até ao final do século.
  • Envelhecimento da população: A força de trabalho diminuirá, enquanto a necessidade de cuidar da população idosa aumentará.
  • Desafios socioeconômicos: Crescimento econômico estagnado, escassez de mão de obra, sobrecarga dos sistemas de saúde e previdência social.

Possíveis soluções

  • Políticas de apoio aos pais: Licença parental, creches gratuitas, incentivos financeiros e direitos laborais adicionais.
  • Empoderamento da mulher: Apoio à mulher e à cuidadora que perde trabalho por ter que cuidar de pais e filhos (geração sanduíche), além da proteção aos direitos reprodutivos.

O estudo destaca a necessidade de um planejamento global para lidar com esse declínio. É crucial que os governos, organizações internacionais e a sociedade civil se unam para encontrar soluções que assegurem um futuro sustentável para a humanidade.

“Estamos enfrentando mudanças sociais surpreendentes ao longo do século XXI. O mundo enfrentará simultaneamente um ‘baby boom‘ em alguns países e um ‘baby bust‘ em outros”, disse o professor Stein Emil Vollset, autor sênior do IHME, em um comunicado enviado ao IFLScience.

“Enquanto a maior parte do mundo enfrenta sérios desafios ao crescimento econômico de uma força de trabalho em contração e à forma de cuidar e pagar o envelhecimento das populações, muitos dos países com recursos mais limitados na África Subsariana estarão a debater-se sobre como apoiar a população mais jovem e de crescimento mais rápido do planeta, em alguns dos lugares mais politicamente e economicamente instáveis, estressados pelo calor e com sistemas de saúde mais pressionados na Terra.”

As mudanças nas taxas de fertilidade são impulsionadas principalmente por duas forças, diz o estudo: o acesso aos contraceptivos modernos e a educação feminina. É preciso manter o empoderamento feminino e o direito da mulher de estar onde quiser e fazer o que bem quer, ao mesmo tempo que é imperativo manter às mulheres o direito e o apoio para que tenham o número de filhos que desejam, e ao mesmo tempo possam prosseguir em suas carreiras, se assim quiserem.

Nos últimos tempos, parece que houve um culto à mulher independente que não quer ter filho e um desprezo àquelas que ficaram em casa “às custas do marido”. É preciso reconhecer o valor social da mulher que se apraz sendo “apenas” mãe e dona de casa.

Este é um tema complexo e multifacetado, e o debate sobre as melhores soluções está apenas começando. É importante que todos se engajem nessa discussão e contribuam para a construção de um futuro melhor para as próximas gerações.

Os detalhes da pesquisaGlobal fertility in 204 countries and territories, 1950–2021, with forecasts to 2100: a comprehensive demographic analysis for the Global Burden of Disease Study 2021” foram publicados na revista científica The Lancet.

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Daia Florios

Cursou Ecologia na UNESP, formou-se em Direito pela UNIMEP. Estudante de Psicanálise. Fundadora e redatora-chefe de greenMe.


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