Clarice Lispector
Clarice Lispector

Clarice Lispector: vida, frases, poemas

Clarice Lispector nasceu em Chechelnyk (Ucrânia) em 10 de dezembro de 1920. Ela é uma das escritoras e uma das poetisas brasileiras mais amadas do século XX. Com seu olhar profundo sobre as questões da vida, Clarice conhecia como poucos a natureza da alma humana e, sabendo descrevê-la com seu talento literário, tornou-se um ícone da literatura brasileira e teve obras traduzidas em diversas línguas. Vamos saber sobre ela?

A dura vida de Clarice Lispector

Filha de judeus russos, Clarice foge da Guerra Civil Russa com sua família na década de 1910. Entre os percalços da vida em um país em guerra (sua mãe fora estuprada por soldados e contraiu sífilis) a família Lispector consegue em 1922 emigrar legalmente para o Brasil. Seus nomes foram abrasileirados quando aqui chegaram em Maceió, e assim nasceu de Chaya Pinkhasovna Lispector, seu nome de origem, a Clarice Lispector que conhecemos hoje.

Clarice se autodenominava totalmente brasileira pois, tendo chegado muito pequena aqui (aos 2 anos de idade) ela dizia que “naquela terra (Ucrânia) eu literalmente nunca pisei: fui carregada de colo”. A escritora dizia ter chegado aos dois meses de idade, mas a documentação da família atesta outra datação.

De Maceió, a família de Clarice se transferiu para o Recife e depois para o Rio de Janeiro, onde se estabeleceram. Clarice perdeu sua mãe aos 8 anos e seu pai aos 20. Formou-se em Direito pela UFRJ e começou sua carreira como escritora fazendo incialmente traduções.

Clarice foi casada com o diplomata Maury Gurgel Valente com o qual teve 2 filhos, Pedro Lispector Valente e Paulo Lispector Valente. O primogênito do casal, Pedro, foi diagnosticado com esquizofrenia quando adolescente. Era um menino de comportamento muito agressivo, tendo sido internado recorrentemente e enfrentado todo tipo de tratamento psicológico e psiquiátrico. Clarice se separou de Maury que, por questões profissionais, estava sempre viajando com a família e a escritora preferiu cuidar do filho e da própria carreira sem as idas e vindas que deixavam seu filho cada vez mais agitado, tendo que fazer sempre novos amigos, mudar sempre de escola, etc.

Um dia antes de seu 57° aniversário, Clarice morre em 9 de dezembro de 1977, em decorrência de um câncer de ovário detectado tardiamente.

Como se percebe, a vida de Clarice não foi um mar de rosas e, talvez todo o seu sofrimento tenha lhe ajudado a desenvolver ainda mais o seu talento de mergulhadora da natureza humana. Poucos escritores conseguiram desvendar tão bem todos os medos, anseios, alegrias, enfim, toda a complexidade da natureza humana como o fez Clarice.

Sua história de vida guarda ainda muitos detalhes e curiosidades. Vejamos alguns fatos interessantes da vida dessa escritora estupenda.

Curiosidades sobre a vida de Clarice Lispector

Clarice fumava e bebia já desde adolescente. Ela quase morreu depois de ter incendiado seu quarto tendo dormido com um cigarro aceso na mão. Quase teve que amputar a mão por conta da queimadura causada.

Ela teve um amigo de 4 patas, o Ulisses, que lhe restou a seu lado até sua morte. Ulisses também “fumava” ou melhor, comia bituca de cigarro e bebia coca-cola e whisky. Além de Ulisses, conta-se que Clarice teve Dilermando em Nápoles, Itália e Jack em Washington, Estados Unidos.

Clarice Lispector falava pelo menos sete idiomas: português, inglês, francês, espanhol, hebraico, iídiche e russo.

Tendo sido casada com um diplomata, Clarice chegou a morar na Itália, Inglaterra, Estados Unidos e Suíça. Seu primeiro filho nasceu na Suíça e o segundo, nos Estados Unidos.

Depois de ter participado na Colômbia de um congresso mundial sobre bruxaria, disseram as más línguas que sua obra era pura bruxaria e que a escritora andava se vestindo somente de preto e coberta de amuletos.

Obras, frases, poemas

Clarice Lispector publicou o seu primeiro conto quando tinha apenas 19 anos. Seu primeiro livro, Perto do Coração Selvagem, foi lançado quando a escritora tinha 24 anos.

Entre suas principais obras, ou as mais famosas, estão Laços de Família, A Paixão segundo G.H. (traduzida para 22 idiomas), A Hora da Estrela e Um Sopro de Vida, que foram seus últimos livros publicados. Mas Clarice nos deixou uma vasta obra literária composta de romances, novelas, contos, crônicas, correspondências, artigos publicados em jornais, literatura infantil e entrevistas.

Além das suas obras imperdíveis, sobre a vida desta escritora existem algumas biografias para quem quiser se aprofundar sobre a sua história de vida. Muitas de suas obras são pedidas em vestibulares, fazem parte do programa didático brasileiro ou são aconselhadas por professores de literatura, mas a verdade é que cada livro seu, representa uma fase de sua vida e não há nada que não mereça ser lido dentro da vasta herança literária que Clarice Lispector nos deixou.

Para finalizar, deixamos algumas frases e poemas famosos para aguçar no leitor uma vontade de Clarice. Dizia Cazuza que chegou a ler o romance Água Viva por 111 vezes. Clarice Lispector realmente nunca é demais!

Frases e Poemas

“O óbvio é a verdade mais difícil de enxergar.”

“Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.”

“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito.”

“Passei a vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar.”

“O que eu sinto eu não ajo. O que ajo não penso. O que penso não sinto. Do que sei sou ignorante. Do que sinto não ignoro. Não me entendo e ajo como se entendesse.”

“Perder-se também é caminho.”

“Acho que devemos fazer coisa proibida – senão sufocamos.

Mas sem sentimento de culpa e sim como aviso de que somos livres.”

“E o que o ser humano mais aspira é tornar-se ser humano.”

“Corro perigo

Como toda pessoa que vive

E a única coisa que me espera

É exatamente o inesperado

Sou composta por urgências:

minhas alegrias são intensas;

minhas tristezas, absolutas.

Entupo-me de ausências,

Esvazio-me de excessos.

Eu não caibo no estreito,

eu só vivo nos extremos.

Pouco não me serve,

médio não me satisfaz,

metades nunca foram meu forte!

Todos os grandes e pequenos momentos,

feitos com amor e com carinho,

são pra mim recordações eternas.

Palavras até me conquistam temporariamente…

Mas atitudes me perdem ou me ganham para sempre.

Suponho que me entender

não é uma questão de inteligência

e sim de sentir,

de entrar em contato…

Ou toca, ou não toca.”

“Não me provoque, tenho armas escondidas…

Não me manipule, nasci para ser livre…

Não me engane, posso não resistir…

Não grite, tenho o péssimo hábito de revidar…

Não me magoe, meu coração já tem muitas mágoas…”

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Sobre Daia Florios

Daia Florios
Ingressou no curso de Ecologia pela UNESP e formou-se em Direito pela UNIMEP. É redatora-chefe e co-founder de GreenMe Brasil.

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