Através de um triciclo, a leitura se espalha nas vielas e ruas do Morro do Zinco, RJ

E a iniciativa partiu de dois jovens – Guilherme Vinicius Roberto, de 29 anos, e Luan Oliveira, de 17. Sua livreteria, como chamam o projeto, nada mais é do que um armário cheio de livros acoplado a um triciclo. O objetivo dos amigos é estimular a leitura entre crianças e jovens do Complexo de São Carlos.

O nome oficial que escolheram – Livreteria Popular Juraci Nascimentohomenageia uma líder comunitária do complexo que, antes de falecer, costumava reunir crianças para atividades de contação de histórias, teatro, dança e festas.

O funcionamento da iniciativa é simples. A cada semana, os jovens escolhem um local e estacionam seu triciclo. As crianças chegam, retiram os exemplares e podem ficar com eles por até três semanas; tudo de graça. Todo o acervo vem de doações, e é composto majoritariamente por literatura infanto-juvenil. Aos sábados, a dupla organiza contações de história.

A caminhada de Guilherme e Luan começou há dois meses. Eles apresentaram a ideia da biblioteca ambulante à Agência de Redes para Juventude, programa do Avenida Brasil – Instituto de Criatividade Social. Foram aprovados e receberam R$5 mil para tirá-la do papel. Além do triciclo – que custou R$1,9 mil –, eles querem criar um clube do livro, para estimular trocas entre os moradores.

“Sempre amei os livros. Vejo que muitas crianças só fazem leitura obrigatória, isso quando fazem”, disse Guilherme. E completou: “Muito do que sou, muitas das escolhas que fiz, é por causa dos livros que li.” Ele cursou jornalismo na PUC como bolsista e hoje trabalha no clipping de notícias de uma empresa.

Livros mudam vidas. Em um país com uma média de leitura tão baixa como a do Brasil – a estatística é de 1,7 livro por ano –, é essencial que iniciativas como essa se disseminem cada vez mais. O estímulo à leitura é uma das mais arrebatadoras revoluções silenciosas que podemos fazer rumo à construção de um país e de uma sociedade melhores.

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Fonte foto: agenciarj.org