Ecoturismo no Brasil pode contribuir para a conservação da biodiversidade

Alguns anos atrás, víamos pequenos focos de discussões sobre o que poderia deter o avanço do consumo e a degradação do meio ambiente. Além de educação e conscientização, alguns poucos indivíduos estimulavam a ideia de que o próprio mercado poderia se tornar a salvação do meio ambiente e das espécies ameaçadas de extinção. Tal argumento sempre pareceu contraditório, mas hoje, começamos a enxergar exemplos de que isso pode realmente acontecer.

Aqui mesmo falamos de relatórios sobre os gastos com saúde e na perda bilionária que a agricultura brasileira e mundial pode sofrer se as mudanças climáticas continuarem. Pois bem, agora chegou a hora de darmos outro exemplo falando sobre uma importante vertente do mercado, o turismo.

Mais precisamente o turismo ecológico. E, neste caso, o turismo ecológico com passeio para visualização de baleias-franca em Santa Catarina, região Sul do país.

Crescimento do turismo no Brasil

Como todos sabem, o turismo cresce exponencialmente no Brasil. Mesmo em ano de crise, 2015 deve ser mais forte no turismo do que 2014, ano de Copa do Mundo, principalmente em termos de mercado interno.

E, em tempos de dólar alto inibindo viagens internacionais, deve crescer ainda mais. Segundo o Anuário Estatístico do Ministério do Turismo, em 2014 o país recebeu mais de 6,4 milhões de turistas, 600 mil a mais que no ano anterior. Aproveitar esses visitantes e torná-los aliados da conservação da natureza, especialmente nas Unidades de Conservação brasileiras, é o objetivo do trabalho desenvolvido em diversas cidades do país, como Bonito (MS), Fernando de Noronha (PE), Imbituba (SC) e Salvador (BA).

Bastaria que os roteiros de turismo ecológico fossem bem estabelecidos. Nas cidades acima citadas, as ações de conservação de espécies aproxima a comunidade de visitantes interessados em conhecer nossa rica biodiversidade e as belezas da natureza.

Na cidade de Bonito, por exemplo, o trabalho com a arara-vermelha-grande, Ara chlorpterus rende cerca de 6 mil visitas por ano no município. E em Fernando de Noronha, o maior exemplo nacional, 60 mil turistas do planeta inteiro viajam para conhecer o golfinho-rotador.

Ou seja, quanto maior a preservação, maiores os benefícios com o turismo e para a economia também.

Um espetáculo ao ar livre no Sul

Todas as regiões do país podem desenvolver um trabalho que gere grandes frutos com o turismo ecológico, mas é fato que a maioria ainda engatinha nesse sentido.

O que não muda o potencial de cada uma das cinco regiões brasileiras. Um exemplo é o “balé” das baleias-franca, Eubalaena australis, em Imbituba (SC) e municípios vizinhos, a poucos quilômetros ao sul da capital Florianópolis. As baleias-franca medem entre 15 e 18 metros, pesam até 60 toneladas e tem corpo negro e arredondado.

Na Área de proteção Ambiental da Baleia Franca, os visitantes podem avistar mães com seus filhotes nadando próximos à costa, saltando e interagindo entre sim em um verdadeiro espetáculo ao ar livre e sem a necessidade de prender os animais em um Sea World da vida.

O espetáculo das baleias-franca ocorre no período reprodutivo da espécie no Brasil, que acontece entre julho e novembro, porém a melhor época para encontrá-las é entre a segunda quinzena de agosto até a primeira quinzena de outubro, quando um número maior de indivíduos se concentra na região. Após esse período, elas retornam para as Ilhas Geórgias do Sul (Inglaterra) onde ficam de dezembro a junho.

“Valorizar as características próprias de cada região incentivando o turismo ecológico é uma excelente estratégia para gerar conhecimento sobre espécies da biodiversidade brasileira, aproximando-as da sociedade e contribuindo para sua conservação”, explica Malu Nunes, diretora executiva da Fundação Boticário, uma das instituições que já apoiou projetos de conservação da espécie nas regiões Sul e Sudeste, entre eles, destaca-se um onde se monitorou o comportamento das baleias-franca durante as atividades de observação turística da espécie.

Leia também:

COMO AS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PODEM INFLUENCIAR NA DIMINUIÇÃO DA POBREZA?

TURISMO NAS ALDEIAS: UM AUTÊNTICO PROGRAMA DE ÍNDIO