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Macassar: conheça essa PANC de grande poder medicinal e espiritual

Popularmente conhecida como macassar, macassá, catinga-de-mulata ou água-de-colônia, dependendo da região geográfica onde é encontrada, a Aeolanthus suaveolens (da família da Lamiaceae) é uma erva pequena, com aproximadamente 40 cm de altura, caule circular e ramificado, de cor verde clara a escura, e flores levemente arroxeadas.

De origem africana, pode ser encontrada em todo o território brasileiro, porém é predominante na região amazônica e nordestina, em comunidades tradicionais indígenas e não-indígenas, muito utilizada como planta medicinal, para fins místico – religiosos, para compor fragrâncias regionais e como planta ornamental.

É uma planta rústica, não precisa de muitos cuidados. Pode ser cultivada sob sol pleno e em substrato levemente arenoso.

PANC

Podemos considerá-la uma PANC (Plantas Alimentícias não Convencionais), pois suas folhas são incrivelmente perfumadas, lembrando o aroma do coco, podendo ser utilizadas como substituto da baunilha, na aromatização de leites e no preparo de extrato vegetal.

No livro “Guia Prático de Panc” é descrita como

“pequena planta, parente da hortelã, possui um forte aroma de coco. Usada como aromatizante em pudins, doces, cremes e sorvetes, substitui a baunilha e outras especiarias. Pode ser usada para dar sabor em licores e bebidas. A folha não deve ser amassada, caso contrário seu aroma lembrará o aipo”.

Estudos científicos revelam propriedades e benefícios

Bactericida, fungicida, inseticida

Segundo estudos científicos, a macassar é rica em óleo essencial linalol, o mesmo encontrado na lavanda, coentro, louro e jacarandá, considerado potencialmente antioxidantes, bactericida, fungicida e até mesmo inseticida.

Para tratar dores em geral

A Embrapa possui pesquisas sobre a macassar e a descreve como “uma planta medicinal popularmente conhecida como Catinga-de-mulata utilizada pela população para dores em gerais”.

No artigo publicado pela Fiocruz, “Química e etnofarmacologia de plantas místicas em uma comunidade amazônica”, no qual abordam as práticas medicinais que envolvem, principalmente, a botânica, a química e a farmacologia das plantas, os principais componentes voláteis identificados na fibra da macassar foram “Acetato de linalila (27,5%), linalol (20,7%) e (E)-b-farneseno (20,5%)”, dentre outros.

Atividade antimicrobiana

De acordo com o estudo, esses componentes linalol, β-farneseno e massoilactona são apontados como antimicrobianos e, detectou-se que o óleo essencial também apresentou atividades contra bactérias e fungos para “Escherichia coli (Gram-negativa), Staphylococcus aureus (Gram-positiva) e Candida albicans e antifúngica para Cryptococcus neoformans”.

O artigo aponta também a substância ativa “massoia lactona”, responsável pelo forte aroma que a macassar exala, sendo um importante composto para a indústria, como flavorizantes e para a economia, no controle de pragas e para a medicina, como antibióticos.

Anticonvulsivante

Ainda, restou identificada ação anticonvulsivante contra epilepsia e atividade depressora do sistema nervoso central a partir da substância linalol, como princípio ativo do óleo essencial.

Dor de ouvido

Segundo a Revista Brasileira de Plantas Medicinais, a macassar possui indicação terapêutica, e suas folhas podem ser maceradas e usadas para dor de ouvido.

Combate a enxaqueca

Outro benefício popularmente apontado é auxiliar no combate à enxaqueca, problemas cardíacos e de labirintite, na forma de chá.

Banho de cheiro

A planta também é utilizada em banho de cheiro, perfume caseiro, repelente de insetos e calmante da pele, em caso de picadas.

Indicações de uso popular

Segundo o livro “Ciências ambientais e o desenvolvimento sustentável na Amazônia”, a macassar, ou Aeolanthus suaveolens

“mostrou-se com elevado valor de importância terapêutica, devido a presença de constituintes químicos responsáveis por relevantes atividades biológicas, como os efeitos analgésicos e antimicrobianos”.

Segundo os autores do livro, eles realizaram um estudo através do levantamento e análise de artigos de domínio científico voltados aos aspectos etno-farmacológicos e fitoquímicos da macassar, realizados em comunidades rurais, urbanas e feiras livres dos biomas Amazônia, Mata Atlântica, Caatinga e Cerrado e, através de uma abordagem qualitativa, conseguiram verificar as categorias de uso e indicações terapêuticas da planta.

No livro, eles reuniram informações do uso popular da macassar e atribuíram as indicações da planta para:

  • Gripes e resfriados, febre, dores de ouvido;
  • Dor de cabeça;
  • Dores reumáticas;
  • Dores em geral, dor de dente, dores nas pernas, dores no corpo, fraqueza,
  • Derrame;
  • Cólicas menstruais;
  • Verminoses;
  • Asma;
  • Problemas no coração;
  • Repelente, picada de inseto, inseticida;
  • Tirar panemeira e quebranto de criança;
  • Descarrego; para bem-estar; espantar maus espíritos e mau olhado.

Formas de uso

Estudos apontam que todas as partes da planta podem ser usadas, inclusive as plantas inteiras, dependendo do preparo, mas principalmente as folhas e as flores, como chás, infusões, banho, sumo e compressa.

Nas religiões africanas e para os místicos, é muito usada para banhos de atração, de limpeza e purificação.

Dicas de uso

Para fazer infusão: utilize 10 folhas, flores e ramos em ½ litro de água, deixe ferver por 15 minutos, desligue. Beba de 2 a 3 xícaras por dia.

Para um banho de cheiro: utilize cerca de 500g de planta, dentre flore, folhas e caule, dando preferência para as partes situadas nas extremidades das plantas e ferva por 20 minutos em 1 litro de água, depois misture a água do banho, se for banheira, ou derrame sobre o corpo, no final do banho.

Resgate essa tradição

Com tantas propriedades terapêuticas, não deixe passar a oportunidade se encontrar uma planta dessas por aí, além de ser importante conhecer, valorizar e principalmente, resgatar e manter esses ensinamentos e usos populares.

Mas não se esqueça, todo tratamento fitoterápico (com o uso de plantas) deve ser orientado e acompanhado por um profissional da área de saúde. Plantas também podem ocasionar interação medicamentosa e ser perigoso à saúde, principalmente de quem faz uso de medicamentos.

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Sobre Juliane Isler

Juliane Isler
Juliane Isler, advogada, especialista em Gestão Ambiental, palestrante e atuante na Defesa dos Direitos da Mulher

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