Você tem medo da morte? Estudo revela quem são os tipos mais e menos medrosos

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Para morrer, basta estar vivo. Assim diz o dito popular, que, de forma enxuta, sintetiza o ciclo final da vida. Muitas pessoas veem a morte com superstição, medo, chegando ao ponto de não quererem falar sobre essa "indesejável das gentes", como bem expressou o poeta Manuel Bandeira.

Existe até uma patologia do medo da morte, a tanatofobia, que é um tipo de fobia que se caracteriza pela sensação de extremo medo da morte. Quem sofre dessa síndrome tem medo de sair de casa, evita conversar e falar sobre morte, além de evitar funerais. A origem da palavra tanatofobia vem do mito grego Tânato, divindade grega da morte. Tanto que na psicanálise, Tânato personifica a pulsão de morte, que, segundo Freud, é um impulso inconsciente de destruição.

Os que mais têm medo da morte

Independentemente de fé religiosa, ou até da ausência dela, a gente vai vivendo a vida sem se preocupar com a morte, pelo menos enquanto gozamos de saúde. Mas para algumas pessoas, ao contrário, a morte está muito presente, sendo um tema de preocupação.

Segundo o estudo do psicólogo Jonathan Jong, da Universidade de Oxford, quem sofre de crises existenciais são as potenciais pessoas que podem desenvolver o medo da morte.

Ou seja, quem está no "limbo" é quem mais receio tem da morte, já que, segundo a pesquisa, fiéis fervorosos e ateus são os grupos que menos medo têm dela.

Os que menos têm medo da morte

A pesquisa de Jong reviu uma literatura científica sobre fé e medo da morte, entre os anos 1961 e 2014, que engloba mais de 100 estudos que analisaram 26 mil pessoas em todo o mundo. Na visão do psicólogo, “isso complica as coisas para a visão mais aceita pelo senso comum, a de que pessoas religiosas têm menos medo da morte do que as não-religiosas. Talvez o ateísmo também proporcione conforto – ou então pessoas que não têm medo da morte não se sintam compelidas a buscar uma fé”.

Outro dado interessante do estudo é sobre o peso da morte para quem tem uma fé intrínseca, isto é, pessoas que adotam uma crença sem vê-la como algo com utilidade imediata, e para quem tem uma fé extrínseca, ou seja, pessoas que escolhem uma religião para ter algum conforto pessoal ou por alguma questão social. O primeiro grupo não se deixa afetar tanto pela morte, enquanto o segundo sente medo dela com mais frequência.

Driblando o cérebro da morte

A relevância de um estudo sobre a morte é porque ela pode levar a um tipo de angústia capaz de mudar os rumos da mente. Afinal, até que se prove o contrário, a partir do momento em que nascemos, só temos esta vida para viver e não existe nada para além da morte. E o cérebro é consciente disso. Ou seja, estamos sempre com a morte diante de nós, à nossa espera, a despeito do nosso desejo de viver.

Para a "teoria do gerenciamento do terror" (em inglês, terror management theory, ou só TMT), a palavra “gerenciar” significa que precisamos nos convencer de que a morte biológica não é o fim, encontrando estratégias que convençam o cérebro de que há um algo mais.

Segundo essa teoria, as religiões são uma estratégia extremamente eficaz para a sensação de imortalidade, por causa da abordagem da vida após a morte ou da reencarnação, por exemplo. Outra formas de perpetuação simbólica seriam o nacionalismo, a família e suas árvores genealógicas e a noção da superioridade da espécie humana sobre as demais espécies.

O importante é entendermos que a morte é o fim do ciclo da vida, como a gente estuda acerca do ciclo das plantas na escola. Como seres vivos, nós temos essa mesma limitação de perenidade. Longe de ser uma temeridade, a morte é algo natural. Assim como a vida. Então, vamos aproveitar esta enquanto temos a possibilidade de desfrutá-la.

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