Indígenas vão à justiça contra supermercado francês que vende carne brasileira

Indígenas vão à justiça contra supermercado francês que vende carne brasileira

Uma coalizão de grupos indígenas brasileiros e colombianos e de entidades ambientais francesas e estadunidenses decidiu abrir um processo contra um supermercado francês por danos ambientais e violação de direitos humanos.

A justificativa se baseia em que a carne fornecida pela JBS para a empresa Casino, cujo proprietário é o mesmo da rede Pão de Açúcar, no Brasil, e do Éxito, na Colômbia, provoca desmatamento na Amazônia.

Na França, existe uma lei de  “dever de vigilância”, de 2017, que responsabiliza companhias que tenham mais de 5.000 funcionários por violações socioambientais  em sua cadeia de suprimentos, informa o FolhaPe.

É a primeira vez que uma empresa francesa sofre uma ação desse tipo com base nessa lei. Na ação, os indígenas pedem compensação por danos ambientais, provocados pelo desmatamento, e invasão de terras, promovida pelos fornecedores do Casino.

O supermercado, questionado pelo jornal Folha de S. Paulo, respondeu que não vende carne brasileira na França, mas que a sua subsidiária brasileira cumpre “os critérios socioambientais (sem desmatamento, sem trabalho forçado, sem trabalho infantil), definidos com a ONG Imaflora e pelo governo brasileiro”.

Mas não é o que diz um levantamento feito pelo Centro de Análise de Crimes Climáticos (CCCA), que afirma que as empresas do grupo varejista compraram carne de três frigoríficos da JBS, que comercializa carne oriunda de 592 criadores que provocam desmatamento na Amazônia.

Segundo o CCCA, de 2008 a 2020, 50 mil hectares (cinco vezes a área da capital francesa) foi desmatada por pecuaristas. Uma das áreas invadidas faz parte do território de indígenas uru-eu-wau-wau, em Rondônia.

Para as ONGs, o Casino falhou na fiscalização da sua cadeia de abastecimento.

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