Louva-a-deus, símbolo de fé para os humanos, na Natureza é um guerreiro!

O louva-a-deus pode ser visto de várias maneiras. Para alguns, ele é símbolo da sorte, para outros, é uma proteção para as plantações. Alguns o veem como um voraz predador. E outros como uma criatura frágil, vítima dos processos da Natureza.

Todas essas visões sobre o louva-a-deus têm a ver com esse animal.

A seguir entenderemos o porquê disso.

Confiram!

Alguns aspectos e curiosidades sobre o louva-a-deus

O louva-a-deus, também conhecido como cavalinho-de-deus, é um inseto pertencente à ordem dos Mantodea.

Existem cerca de 2400 espécies de louva-a-deus. A maioria vive em ambientes tropical e subtropical. Grande parte dessas espécies é encontrada na Ásia.

Seu nome popular é devido ao fato de que, quando este animal se encontra pousado, ele lembra uma pessoa orando.

O louva-a-deus é um inseto relativamente grande, de cabeça triangular, tórax estreito com pronoto (parte anterior do tórax, onde se situa o primeiro par de patas) e abdômen bem desenvolvido.

O tempo de vida desse inseto é de aproximadamente 12 meses.

As fêmeas, geralmente são maiores, mais pesadas e têm um abdômen maior do que o dos machos.

O voo do louva-a-deus é impressionante, lembra o voo rasante de um avião de combate.

Ele tem a capacidade de se desviar dos ataques de morcegos em pleno voo, através de sua agilidade em dar mergulhos.

Este inseto é muito venerado na China, inclusive os seus movimentos de combate influenciaram a criação de uma postura usada na arte marcial do Kung Fu.

No Japão, ele é o símbolo dos Samurais.

As habilidades do louva-a-deus

As marcas registradas do louva-a-deus são:

  • sua capacidade de camuflagem (mimetismo) – ou seja, este inseto se funde ao meio do qual faz parte, o corpo fino, esverdeado, alongado e imóvel, se mistura e se confunde com os ramos de qualquer planta.
  • sua forte agressividade – tanto com os predadores, como com suas presas. Não é à toa que no Kung- Fung, existe uma posição de luta que imita a postura de ataque do louva-a-deus.
  • A visão multifuncional do louva-a-deus – sua capacidade visual é potencializada pelos seus cinco olhos: dois deles (olhos compostos) se situam de forma convencional (onde costumam se situar os olhos dos insetos) e acompanham os movimentos do que ele vê ao seu redor. Os outros três olhos, situados na região da testa, detectam variações de luminosidade.

Louva-a-deus e seu significado no xamanismo

O louva-a-deus nos remete à capacidade de luta, à entrega ao fluxo da vida, seguindo os movimentos naturais da existência.

Quem está vivendo um momento em que precisa aprender sobre o tempo e a existência, segundo a Medicina Xamã, deve utilizar o louva-a-deus como totem (imagem e visualização deste inseto, mentalizando, refletindo e aprendendo com suas qualidades).

Louva-a-deus na cultura indígena

Os índios (tupis) chamam este inseto pelo nome de bicho de “emboici“, que significa “mãe de cobra”.

O motivo desse nome é que, no interior do abdômen do louva-a-deus, costuma existir com certa frequência, um verme fino e comprido (um parasita natural).

Para os índios esse verme é um filhote que, após nascer e crescer, se tornará uma cobra comum.

A simbologia do louva-a-deus nos sonhos

Sonhar com um louva-a-deus pode ter vários significados, dependendo da história e do momento de vida que a pessoa que sonha está passando.

Geralmente seus significados estão associados ao sentimento que o sonhador nutre em um relacionamento ou situação, e que o deixa vulnerável.

Este arquétipo nos lembra da necessidade de enfrentar de frente as inseguranças, e ter atitude.

Em contrapartida, pode ser que o sonhador esteja  fazendo isso com outra pessoa, submetendo-a à seus desmandos e a deixando-a insegura, expondo suas vulnerabilidades.

É preciso interpretar a presença do animal no sonho, considerando tantas outras questões como, por exemplo, se o animal causava medo, nojo, admiração ou espanto durante o sonho.

Os ensinamentos do louva-a-deus

Coisas que podemos aprender entendendo melhor a vida deste inseto:

  • A forma com a qual lidamos com os perigos e obstáculos é o que faz a diferença, mais do que os problemas em si. O louva-a-deus parece magro e frágil, mas age com força, astúcia e inteligência.
  • É possível adaptar-se a um ambiente perigoso, mantendo a quietude e deixando o perigo passar.
  • É preciso encarar os desafios enfrentando-os em posição assertiva e de combate, sem deixar sua integridade ser ameaçada.

A abnegação do louva-a-deus ao ciclo da Natureza:

  • No acasalamento com a fêmea, depois, que ela é fecundada, ele se entrega para servir de alimento à ela (canibalismo).Isso com o objetivo de que a fêmea fique bem alimentada, enquanto fecunda os ovos e não precise sair para se alimentar, correndo o risco dela e seus ovos, serem comidos por algum predador.
  • Ou seja, o louva-a-deus, instintivamente, se entrega e aceita o fim de seu ciclo, para que, a partir dele, outros ciclos possam se iniciar.

O estilo de vida do louva-a-deus

  • Este inseto gosta mais da vida solitária.
  • Ele é reservado, difícil de encontrar, não se expõe abertamente, escondendo-se em meio às plantas.
  • Através do mimetismo (camuflagem natural), ele se funde entre flores e folhas e, assim, evita ser pego pelos predadores. Dessa forma, utiliza instintivamente a Lei do Mínimo Esforço, sem lutar e se esforçar, se mantém protegido dos perigos naturais.
  • Mas apesar de saber muito bem usar essa técnica passiva, este inseto, embora pareça uma mansa criatura, é um agressivo predador, alimenta-se de outros insetos, roedores e pássaros (ele é carnívoro).
  • Ele só aceita o convívio quando é para acasalar com a fêmea, então, cumpre seu propósito para com a Vida e se entrega ao fim de seu ciclo, ao ser devorado pela sua parceira, como vimos anteriormente.

Assim como cada ser humano, o louva-a-deus, tem suas ambiguidades:

  • de um lado, o inseto protege os jardins e plantações de parasitas; do outro, o voraz predador come até mesmo um inocente beija-flor;
  • do lado passivo, ele evita os perigos confundindo-se ao meio no qual vive; do outro, ataca quando ameaçado e, se precisar enfrentar um morcego, seu predador natural, ele o fará corajosamente, em posição de combate, estilo louva-a-deus.

Conclusões

Vimos as diversas expressões do louva-a-deus, e de como este inseto muito interessante se comporta na Natureza, onde o bem e o mal são conceitos que não existem.

Cada criatura segue o fluxo natural de sua existência, guiando-se pelo seu instinto.

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Sobre Deise Aur

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Professora, alfabetizadora, formada em História pela Universidade Santa Cecília, tem o blog A Vida nos fala e escreve para GreenMe desde 2017.

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