O que diz o laudo sigiloso da PF sobre crime ambiental em Brumadinho

O que diz o laudo sigiloso da PF sobre crime ambiental em Brumadinho

Um laudo da Polícia Federal (PF), até então sigiloso, sobre o crime ambiental cometido pela mineradora Vale e pela consultoria alemã Tüv Süd em Brumadinho (MG), em 2019, mostra que o descumprimento das empresas a regulamentos internacionais foi decisivo para a tragédia.

Obtido com exclusividade pela Agência Pública, o laudo de engenharia, que apura responsabilidades pelo rompimento da barragem I da Mina Córrego do Feijão, aponta ainda uma terceira empresa envolvida no crime, a multinacional holandesa Fugro.

O crime ambiental em Brumadinho matou 270 pessoas e deixou um rastro de destruição socioambiental. O laudo da PF levanta como principal hipótese para o rompimento da barragem uma perfuração geotécnica cujo objetivo era coletar amostras de solo e instalar piezômetros multiníveis, que são instrumentos que medem a pressão da água presente nos poros do solo. O procedimento teve o aval da consultoria Tüv Süd e foi executado pela empresa Fugro, contratada pela Vale. As três empresas, segundo o relatório, teriam ignorado regulamentos técnicos internacionais:

“A empresa Vale S.A. e a sua consultora Tüv Süd haviam sido alertadas quanto aos riscos de executar perfurações com utilização de água, em uma estrutura tal como a barragem I. De fato, normas e regulamentos internacionais relatam sobre o potencial de causar danos por esse método, estabelecendo diversas restrições e recomendações. Esses cuidados não foram tomados pela Vale S.A., pela sua consultora Tüv Süd, ou pela responsável pela execução do serviço, a empresa Fugro, em um procedimento pouco cuidadoso na definição da técnica e do equipamento utilizado”.

Os peritos consultados argumentam que tanto a Tüv Süd quanto a Fugro deveriam ter considerado as recomendações das melhores práticas internacionais de engenharia, que preveem, por exemplo, um histórico de incidentes de ruptura hidráulica decorrentes da utilização de fluidos durante a execução de perfurações, as quais devem ser realizadas a seco em estruturas como a de Brumadinho.

Leia AQUI a reportagem completa de Léo Rodrigues para A Pública para obter mais informações e detalhes sobre o caso.

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