Agave: planta de surpreendentes usos industriais. Tudo sobre ela

Agave: planta de surpreendentes usos industriais. Tudo sobre ela

A agave é uma planta incrível. Além de ornamental, tem uso medicinal e é cercada de mistérios e símbolos. Seus usos industriais são surpreendentes. Conheça tudo sobre ela!

O que é agave

A agave é uma planta do gênero das suculentas, pertencente à família Agavaceae. Originárias sobretudo do México e em menor grau dos Estados Unidos, América Central e América do Sul, apresenta plantas pontiagudas, sem caule, de folhas rígidas que contêm ou não espinhos terminais e laterais, das quais se extraem fibras têxteis dos mais variados tipos.

Existem mais de 183 espécies desse gênero, algumas das quais largamente cultivadas. Por exemplo, a Agave tequilana, agave azul (para produção de tequila, mezcal e açúcar);  a Agave americana, ou pita, a Agave sisalana (para produção de fibras), a Agave-dragão ou attenuata (ornamental), Agave-do-Caribe ou angustifólia, Agave-polvo ou vilmoriana e muitas outras.

Agave é símbolo de fecundidade e nutrição

Presente ao longo da história, a agave esteve sempre associada ao poder, à fertilidade e à feminilidade.

A palavra agave é derivada do grego “agavos”, que significa “ilustre”. É o nome mítico de uma filha de Cadmo, herói lendário, fundador de Tebas e introdutor do alfabeto fenício na Grécia.

Na cultura Asteca, a deusa Mayheul tem uma agave como símbolo. Mayahuel é das divindades femininas relacionadas à maternidade, à fecundidade e à nutrição, representando saúde, longevidade, festividade, fertilidade e poder feminino.

Para o povo Nahuatl, habitante original do oeste do México, a planta era adorada por representar o poder terreno da deusa Mayaheul sobre o vento, a chuva e as colheitas.

Desde tempos remotos, usava-se a agave em rituais religiosos nos quais utilizavam seus espinhos para derramamento de sangue. Mas a planta é mais conhecida pela bebida produzida a partir da fermentação de sua seiva, usada em muitos rituais e cerimônias pelo povo asteca.

Usos medicinais da agave

Já contamos aqui dos diversos usos medicinais que a planta pode apresentar, vários obtidos através do conhecimento popular.

A raiz da planta, no México por exemplo, chegou a ser usada como “panacéa universal” por muito tempo, como curativa de tudo.

Outros, usados inclusive na homeopatia e na indústria farmacêutica.

Alguns benefícios foram associados ao tratamento de doenças estomacais, gonorreia, hidrofobia e escorbuto, varizes, hemorróidas e úlceras, anemia, blefarite, catarros bronquiais, feridas, problemas no fígado, hemorragia, icterícia, inchaços das pernas, intestino (inflamação), irritações na pele, irritações e ou inflamações oftálmicas, lepra, queda de cabelo, problemas nos rins, sacudidelas nos testículos e cordões espermáticos, seborreia, sífilis e tosses.

Usos Industriais

Com a agave se produz bebidas, açúcares, álcoois, inseticidas, fibras, madeira, forragem, ornamental e muitos outros produtos.

Além da famosa tequila, a agave também pode servir para produção de bioálcool e açúcar e, as fibras, servem para uma infinidade de produtos e subprodutos.

O açúcar é um deles. Já contamos aqui que o agave é composto por 70% de frutose e 20% de glicose, e tem sido uma ótima substituição de adoçante no lugar do açúcar comum derivado da cana.

O bioetanol é outro. Pesquisadores das universidades de Oxford, no Reino Unido, e de Sydney, na Austrália, descobriram que a agave pode ser transformada em combustível de verdade, ou, mais especificamente, em bioetanol.

A pesquisa também revela que a Agave sisalana, que dá origem ao sisal, pode ser uma outra fonte de etanol, usando a biomassa do sisal para essa produção.

Isso é muito interessante porque é uma forma ecológica de destinar o bagaço resultante da extração dos fios, vez que eles representam 96% da planta e são descartados de forma irregular ou sem tratamento, em rios, lagos e mares, poluindo o meio ambiente.

O projeto para o uso da biomassa é uma parceria do Instituto de Inovação em Produção da Universidade de Dar es Salaam, na Tanzânia, com a Universidade de Aalborg, na Dinamarca.

Outra forma de utilizar o bagaço pode ser para extrair uma cera para ser empregada na fabricação de discos para vitrolas, impermeabilização de couros, papel carbono, cera para assoalho, diversos álcoois, fenóis, plásticos, açúcares e mais.

O bagaço ainda verde ou fermentado, depois de retirada a bucha (fibras enroladas no ato da extração) é ótimo alimento para os bovinos.

O bagaço também pode servir como excelente fertilizante de solos como pré-preparo para plantio.

O líquido que escorre durante a extração da fibra é nocivo para o meio ambiente e merece um descarte sustentável ainda não regulamentado nem tratado da maneira correta e eficiente.

Mas a indústria já vem pensando nisso porque está sendo cada vez mais cobrada, inclusive pelo poder público, e existem alguns exemplos de fabricação de sabão, apresentando a vantagem de não precisar de soda cáustica, cozinhando o líquido sob alta pressão com outros produtos, como ácido sulfúrico.

A fibra da agave

Mas da agave, de fato, a fibra, é rainha da vez.

Elas podem ser empregadas não só na indústria de tecidos grossos e sacos, mas também para a fabricação de cabos, cordas, cordões, barbantes, tapetes, móveis, vassouras e muitas outras utilidades.

Pode ser aplicada em tapetes, esteiras, capachos, bolsas e cestos, cordões, cortinas e estores, fios e linhas de pescar, chicotes e laços, rédeas, protetores de garrafas, falsas rendas, redes de todos os tipos, velas marítimas, redes e tarrafas de pesca, sacaria em geral, brochas e pincéis, imitação de crina animal, chapéus, mochilas, almofadas, espanadores, luvas e tantas outras infinidades de coisas.

Por ser uma planta de fácil manejo e cultivo, atende muito bem aos anseios da indústria.

Agave na indústria brasileira

No Brasil, o grande destaque fica para o sisal ou Agave sisalana.

Na região semiárida nordestina está inserida a região sisaleira, responsável pela quase totalidade da produção de sisal do mundo. A Bahia é responsável por 90% da produção de fibra de sisal do Brasil, seguida pelos estados da Paraíba e Pernambuco

O sisal (Agave sisalana pierre) foi introduzido na Bahia, mais especificamente no município de Santaluz, localizado na região sisaleira, por volta de 1910.

Atualmente, a maior parte da fibra de sisal é destinada para o mercado externo, seja na forma de fibra bruta, seja na forma de manufaturada, garantindo a sobrevivência de quase 1 milhão de pessoas, mesmo em tempos de estiagem.

Dois genótipos são utilizados no cultivo de sisal no Nordeste brasileiro: A. sisalana, ou sisal comum, que é amplamente cultivado na região, e o Híbrido 11648, que foi desenvolvido na região Oeste da África.

Porém, a produção de sisal está ameaçada e em franca decadência.

A preferência pelas fibras sintéticas, mais baratas e de qualidade superior, explica em parte o declínio do sisal, infelizmente.

Por isso a necessidade de valorizar e fomentar a demanda por fibras naturais, e de outro lado, modernizar as formas de produção, reduzindo o atraso tecnológico, que gera além de baixa produtividade, encarecimento dos mecanismos, diminuindo o lucro.

Também por esse fato, o sisal vem sendo pensado para além das fibras.

Outros projetos como biocombustível e mesmo produção de bebida alcoólica vem sendo discutido principalmente na região nordestina, para alavancar a comercialização do sisal e melhorar o desenvolvimento social dos produtores da planta.

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