Apaixonar-se aos 75? Tanto é possível que acontece, ensina Isabel Allende


Se a esperança é a última que morre, que ela morra com a própria morte porque enquanto houver vida, há possibilidade de amar.

Apaixonar-se aos 75 anos de idade, digamos que perto dos 45′ do 2° tempo, tanto é possível que acontece.

Assim ensina Isabel Allende… E o jogo da vida se prorroga.

A coragem de amar

O sobrenome Allende faz parte da história das lutas democráticas no Chile e, por extensão, na América Latina. Salvador Allende deixou um legado de luta por justiça social, que exigiu dele uma enorme coragem para manter-se firme e digno contra a ditadura tramada pelo general Augusto Pinochet.

Coragem, talvez, seja uma boa associação para Allende, ambos – palavra e sobrenome – herdados por Isabel, escritora septuagenária que se permitiu apaixonar-se.

Amar é um ato de bravura, ainda mais na idade de Isabel Allende. Para as mulheres, sobretudo, aquelas na velhice, a sociedade parece ter interditado o amor, a paixão, o desejo, a própria sexualidade.

Em 2017, ao El Pais, a escritora contava sobre ter rompido de forma civilizada, aos 73 anos, um relacionamento que durava há 28 anos. Descrevendo-se como “estrangeira sempre, começando de novo em lugares diferentes a vida toda” (ela saiu exilada do Chile aos 13 anos), Isabel sabia que estar disponível para o amor é colocar-se diante de um estranho, um estrangeiro – e, talvez, por essa autoconsciência, ela tenha se permitido viver uma experiência que para alguém da sua idade foi construído um estereótipo negativo: o da inviabilidade do amor e da paixão.

Amar, além de ser uma abertura para esse outro estranho, também é uma oportunidade de assumir riscos, como argumentou a escritora. O risco que assumiu começou com um e-mail enviado por um homem que a escutou falar em uma rádio enquanto dirigia. Após o terceiro e-mail, ela decidiu responder-lhe, porque a nova mensagem veio acompanhada por um buquê de flores.

Diariamente, Isabel passou a receber e-mails desejando-lhe “bom dia” e “boa noite”. Quando houve uma oportunidade, após cinco meses, ela aproveitou para conhecer o seu admirador. Resultado: em cinco minutos tudo aconteceu e eles passaram a viver juntos.

A escritora talvez não teria imaginado escrever para si, em sua história de vida, aos 75 anos, a sua terceira grande paixão. Isabel acabou por assumir o risco com um ato de coragem. Ao jornal espanhol, ela sintetizou:

“Sempre estou alerta, aberta ao mistério da vida, às coisas maravilhosas que a gente espera, e às trágicas que a gente não deseja. O pior já passou. Quando me separei de Willy, que amei muitíssimo, as pessoas me davam pêsames, como se dissessem ‘coitada dessa senhora idosa que vai ficar sozinha’. E eu pensava: ‘isso não é nem 10% do que passei quando Paula morreu’. Nada mais me abala”.

O valor da vida e o peso da morte

Para quem não sabe, Paula é a filha de Isabel que morreu, em 1995, aos 28 anos, por causa de uma doença respiratória chamada porfiria. À época, a escritora disse que:

“O livro é uma celebração da vida e da morte”.

Uma mulher como Allende, tão extraordinária quanto as mulheres de seus livros, conhece o valor da vida e o peso da morte: perdeu o tio e a filha em circunstâncias trágicas. Poderia ser uma mulher triste, amarga, ressentida, mas teve a coragem de escolher assumir riscos, dentre eles, o de amar.

Em qualquer idade, seja como for, o amor – se chegar – é uma espécie de milagre. Diante de um, muitos se tornam incrédulos e não assumem o risco da dádiva que lhe é dirigida. Uma pena porque, enquanto houver vida, há possibilidade de amar. Aproveitem!


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Gisella Meneguelli

É doutora em Estudos de Linguagem, já foi professora de português e espanhol, adora ler e escrever, interessa-se pela temática ambiental e, por isso, escreve para o greenMe desde 2015.


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