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Candida auris, fungo super-resistente: alerta risco de morte

Candida auris, fungo super-resistente: alerta risco de morte

Essa semana a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) emitiu um alerta sobre possível identificação de um fungo super-resistente a remédios e portanto, muito perigoso e fatal, conhecido por Candida auris, com chances de 30% a 60% de risco de morte dos infectados.
Segundo a Anvisa, o fungo emergente representa uma grave ameaça à saúde global e foi identificado pela primeira vez como causador de doença em humanos em 2009, no Japão e já se alastrou por mais de 30 países. 
O caso está sendo investigado no Estado da Bahia, em um homem que está na UTI e foi internado possivelmente vítima de duas novas doenças, uma causada por um vírus e outra por um fungo.
Como no caso do coronavírus, não é a primeira vez que um vírus, bactéria ou fungo sofre mutação genética e fica mais resistente aos medicamentos ou se torna capaz de infectar humanos.
Segundo o professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e médico infectologista, Alessandro Comarú Pasqualotto, disse à BBC Brasil,

“o paciente baiano representa um futuro em que estaremos mais vulneráveis a patógenos que evoluem para nos infectar com maior eficácia e que ultrapassam todas as fronteiras”.

Coincidentemente, em 2019, Pasqualotto juntamente com outra médica, Teresa Cristina Sukiennik, da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, e Jacques F. Meis, pesquisador na Holanda, publicaram um estudo descrevendo exatamente esse cenário, ou seja, que seria questão de tempo até o fungo Candida auris chegar ao Brasil, se é que já não havia chegado.
O estudo é intitulado originamente em inglês: “Brazil is so far free from Candida auris. Are we missing something?”, em tradução literal, “O Brasil está até agora livre da Candida auris, ou estamos perdendo algo?
O risco desse fungo é que além de altamente infeccioso e altamente contagioso, espalha-se com facilidade, sendo a resistência a medicamentos é o que mais preocupa.
Segundo a Organização Mundial de Saúde -OMS, patógenos resistentes a medicamentos representam uma das maiores ameaças à saúde global.

Risco hospitalar

O alerta da Anvisa deixou os brasileiros bastante preocupados, porque o fungo da Candida pode ser comumente encontrado em ambiente hospitalar.
Existem mais de 20 tipos de fungos da família da Candida que podem causar doenças em humanos e muitos deles costumam “aparecer” nos hospitais, infectando cateteres e outros aparelhos médicos, principalmente em situações mais invasivas como em UTIs e nas realizações de cirurgias.
Foi justamente na ponta do cateter utilizado no paciente investigado na Bahia que foi encontrado esse fungo e levado à análise.
Isso porque além de resistente a medicamentos, o fungo da Candida pode permanecer ativo por semanas e até meses, além de apresentar resistência a diversos desinfetantes, inclusive os utilizados em hospitais.

O assunto não é novo por aqui

Para o professor e médico Pasqualotto ouvido pela BBC Brasil, é bem provável que esse não tenha sido o primeiro caso ocorrido por aqui, e que provavelmente, houve subnotificação.
Aliás, em 2019, um sistema de vigilância contra fungos foi criado pelo Ministério da Saúde, segundo contou o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Kleber de Oliveira, afirmando que a questão tem sido discutida nacionalmente há cerca de três anos.
Na época, o assunto veio à tona justamente por causa do fungo Candida auris, que estava sendo notícia no mundo e no Brasil não havia uma estrutura adequada para prevenção e controle de fungos.
O modelo anunciado pelo Ministério da Saúde, na época, contemplava vários tipos de fungos e iria funcionar da seguinte forma, segundo explicou o secretário:

“É fato que não temos um sistema de vigilância como temos para a dengue, mas o monitoramento é feito a partir da internação e dos casos graves. O Plano Nacional para a Prevenção e o Controle da Resistência aos antimicrobianos e o sistema de vigilância será alinhado com essa iniciativa. O modelo, possivelmente será de sentinela, ou seja, não vai contemplar todas as unidades de Saúde”.

Na ocasião, o assunto ainda estava sendo discutido com o a sociedade científica.
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