Preocupante aumento de casos de chikungunya no Brasil

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Novos dados apresentados pelo Ministério da Saúde registraram o aumento do número de casos chikungunya em apenas quatro semanas. São 259.928 novos casos da infecção e 138 mortes suspeitas.

Isso representa 10 vezes mais casos do que havia sido registrado em 2015, segundo informa o UOL.

O que é a chikungunya?

A chikungunya é uma infecção causada por um arbovírus transmitido aos seres humanos pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus. O comportamento da chikungunya é diferente do vírus zika, que se tornou uma epidemia nos primeiros meses desta ano. O chikungunya tem se mostrado mais persistente, pois, em 2016, embora a maior parte dos casos tenha sido contabilizada de fevereiro a maio, a ocorrência de novos ainda é significativa.

O curioso nome veio do aportuguesamento de chikungunya, nome da doença na língua maconde, falada oficialmente na Tanzânia, local onde houve o primeiro registro da infecção, em 1953. A raiz verbal de onde provém o nome é kungunyala, que significa "tornar-se dobrado ou contorcido", uma referência acerca da aparência curvada dos pacientes, em decorrência das intensas dores musculares e nas articulações provocadas pela doença.

Diferenças entre chikungunya, zika e dengue

A principal característica da infecção chikungunya é a sua persistência. Dores e inchaços nas articulações por tempo prolongado chegam a impedir que a pessoa infectada siga com as suas atividades rotineiras.

Já a zika apresenta manifestações neurológicas, como paralisia facial e fraqueza nas pernas.

A dengue provoca uma grave desidratação e dores no corpo. Os casos de dengue também subiram em novembro, mas de forma menos alarmante. Em cinco semanas, foram 17.585 novos casos, com 601 mortes confirmadas.

Mortalidade

A chikungunya tem desafiado a ciência e os profissionais de saúde sobre o motivo da sua alta taxa de mortalidade. No nordeste, no primeiro semestre deste ano, foram registradas 45 mortes - um número bastante elevado em comparação com os casos de óbito provocados pela dengue (35) e pelo zika (5) - de acordo com um levantamento feio pelo UOL com as secretarias de saúde de estados do Nordeste.

A região é a mais afetada pela doença, com 87% dos registros de casos do país. Até maio de 2016, 107 mil pessoas foram infectadas pela febre chikungunya.

Para o médico infectologista Kleber Luz, professor da UFRN e integrante do grupo de cientistas do Ministério da Saúde, as causas da morte por chikungunya preocupam muito pois este é um comportamento raro da doença e ainda não se sabe ao certo porque se dão. Existem duas teorias: "Temos vistos alguns casos em que o vírus tem invadido o sistema neurológico, causando encefalite grave, e em crianças há um quadro clássico com múltiplas lesões de pele, mas isso já era esperado. Uma outra possibilidade é que, no Brasil, a venda é livre de todos os remédios, com exceção dos antibióticos; ao adoecerem e por terem muita dor, os pacientes talvez estejam usando anti-inflamatórios e corticoides."

Tratamento

Assim como a dengue e a zika, não há um tratamento específico para a chikungunya. O tratamento para os sintomas são feitos com medicação para a febre e para as dores articulares.

Alisson Brandão Ferreira, farmacêutico Mestre em Medicina/Biomedicina, para o Gazeta de Muriaé indica que, se houver qualquer sinal da doença, é fundamental procurar um posto de saúde, para que o médico prescreva o tratamento mais adequado.

A automedicação deve ser, sempre, evitada, pois o uso de ácido acetilsalicílico e fármacos anti-inflamatórias aumentam o risco de complicações hemorrágicas.

Prevenção

A melhor forma de evitar a infecção por chikungunya é a prevenção. Sociedade e poder público devem estar unidos para impedir o avanço da doença.

A primeira medida é combater o Aedes aegypti fazendo a limpeza de casa e evitando água parada em vasos, pneus e locais onde o mosquito possa procriar.

O uso de repelentes também ajuda a manter o mosquito distante. Você mesmo pode fazer o seu repelente caseiro.

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