Dia Mundial da Saúde 2016 - controlar a diabetes é a palavra de ordem

Todo ano se comemora do Dia Mundial da Saúde em 07 de Abril. Esta é uma data em que a Organização Mundial da Saúde - OMS, em parceria com outras organizações internacionais, escolhe um tema a ser discutido vastamente. Neste ano, 2016, a OMS está trabalhando em parceira com a Federação Internacional de Diabetes. O motivo é a discussão e os alertas são sobre a diabetes e os perigos que dela advém. O objetivo da comemoração é alertar às populações sobre os riscos das doenças mais graves, como preveni-las, como tratá-las, e impulsar políticas públicas adequadas.

 

A diabetes é responsável por 14,5% do total das mortes que ocorrem no mundo e, conforme o Atlas do Diabetes da Federação Internacional de Diabete. Em 2015 morreram cerca de cinco milhões de pessoas entre os 20 e os 79 anos, muito mais do que os que morreram em guerras e outros conflitos armados, Aids e todas as outras doenças juntas. Em 2015 também, foram diagnosticadas com diabetes (tipo I e II) cerca de 415 milhões de pessoas e, segundo as previsões, para 2030 este número atingirá algo em torno dos 640 milhões de pessoas. Parece ser, pelas estatísticas, que essa é uma doença que avança à galope sobre a humanidade, não? Para além do mais, a diabetes não tem constrangimento de sexo, atinge homens e mulheres em porcentagens muito próximas (51,9% e 48<1%, respectivamente).

Fatores que favorecem o surgimento da diabetes

A obesidade é tida como um dos fatores que favorecem o surgimento da diabetes e, neste caso, as mulheres são mais afetadas do que os homens. Este fato deverá orientar novas políticas de saúde pública que tenham em conta o aumento significativo dos casos de obesidade nas nossas cidades e, paralelamente, os casos novos de diabetes que aparecem. Um dado interessante é de que o 90% de todos os casos de diabetes são as do tipo II, que aparece mais tarde na vida, e que ocorre um aumento significativo deste tipo em crianças e jovens. A diabetes é uma doença crônica, não curável para a medicina tradicional ocidental e que tem como base hábitos alimentares errados, o consumo excessivo de açúcar branco e de carboidratos não integrais acompanhado de um, estilo de vida pouco saudável pautado pelo sedentarismo. É uma doença silenciosa, com poucos sintomas e que afeta de forma mais séria às pessoas que não têm acesso fácil ao um serviço de saúde efetivo.

No Brasil a diabetes apresenta crescimento anual de 3 a 3,5% ao ano e, segundo o Atlas Internacional de Diabetes, em 2015 aqui existiam 14,3 milhões de pessoas diagnosticadas com a doença e, pelo menos 10 milhões em situação pré-diabética. Se essa tendência não for alterada, em 2030, segundo as projeções, haverá no Brasil algo em torno de 22,5 milhões de pessoas com a doença e 18 milhões de pré-diabéticos, um enorme desafio para o sistema público de saúde.

Prevenção é a solução

“A melhor forma que as pessoas têm de prevenir a diabetes é seguir uma dieta saudável, evitando sobretudo os alimentos ultra-processados – ricos em calorias e pobres em nutrientes – e bebidas açucaradas, além de realizar atividades físicas regularmente para manter um peso saudável” e sua prevenção, no entanto,“não é apenas uma responsabilidade individual". É imperativo que os governos adotem políticas e medidas eficazes para “fazer a escolha saudável ser a escolha mais fácil”. Assim explica Carissa Etienne, diretora da Organização Pan-americana da Saúde (OPAS), do escritório Regional para as Américas da OMS. 

Já se sabe que o aumento progressivo da diabetes no mundo pode ser minorado através de políticas públicas que relacionem a questão financeira, as legislações, a proteção ambiental e a conscientização da população para os fatores de risco. A má alimentação, a excessiva oferta de alimentos ultra-industrializados e excessivamente açucarados a preços convidativos, a falta de possibilidades de que a população tenha atividades físicas, o excessivo horário de trabalho, entre outros, como fator de sedentarismo e má qualidade de vida, são fatores propiciadores característicos da sociedade doente que atualmente temos na maioria dos países. Em alguns países da Europa do Norte foi adotado o aumento de impostos sobre os alimentos que usam açúcar (bebidas, doces, pães, bolachas, etc) e a rotulagem clara, para leigos, dos conteúdos dos alimentos processados, como a alta quantidade de gordura, açúcar e sal, como políticas públicas de saúde populacional com bons resultados a longo prazo.

Diabetes já é considerada uma epidemia


Pelos dados do relatório 2015 se conclui que a extensão da diabetes na humanidade é já de proporções consideradas epidêmicas apesar de não ser uma doença transmissível, contagiosa. Porém, o tipo de vida, alimentos, falta de saúde que a originam sim, parece ser contagioso e os países membros da OMS se comprometeram na luta para limitar o aumento tanto da diabetes quanto da obesidade, tendo como horizonte o ano de 2025. “A menos que sejam tomadas medidas urgentes, o mundo não vai reverter essa epidemia”, afirmou Alberto Barceló, assessor regional em diabetes da OPAS.

E quem tem diabetes?

A medicina ocidental já possui medicamentos que possibilitam a que as pessoas com diabetes possam ter uma vida saudável, desde que a doença seja detectada a tempo e seja bem tratada. O bom acompanhamento da diabetes podem prevenir complicações futuras (alterações cardíacas, AVC, problemas oculares, problemas decorrentes de má circulação, etc) e a morte prematura. “Precisamos garantir que as pessoas com diabetes tenham acesso aos cuidados e medicamentos que necessitam, bem como à educação e às intervenções que facilitem um estilo de vida saudável”, indicou Barceló.

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Fonte: OMS Brasil