Trombas d’água: alerta sobre os riscos e como escapar desse perigo

Um acidente provocado por uma tromba d’água, na cidade de Passos (MG), que culminou na morte de quatro jovens mostra o risco, nesta época do ano, de práticas esportivas de aventura.

Em dezembro, o calor chega e junto com ele as chuvas. Em alguns estados brasileiros, como Minas Gerais, as cachoeiras e as montanhas podem levar os aventureiros a caírem numa cilada.

O acidente natural em Passos ocorreu pouco antes do Natal. Quatro jovens estavam fazendo rapel na Cachoeira do Zé Pereira quando foram atingidos pela água. Outras três pessoas nadavam no local e um outro conseguiu escapar e buscar ajuda.

Em ocasião do triste acidente, o capitão do Corpo de Bombeiros, João Paulo Pessoa, explicou ao G1 que:

“O local onde foram encontrados os corpos das vítimas é um desfiladeiro bastante alto. O Corpo de Bombeiros, por via terrestre, estava demorando 1h30 para chegar até o local. O pessoal descreveu pra gente. Houve uma grande quantidade de água que desceu lá da nascente, por causa de chuva (…) e pegou essas pessoas desprevenidas”.

Cuidados Durante as Férias

Durante as férias de verão no Brasil as pessoas costumam ir a lugares onde há praia ou cachoeira, porque ninguém aguenta sentir calor por tanto tempo na cidade. Devemos sempre respeitar a natureza, sobretudo, quem não está acostumado a ir para o mato e nadar em rios e cachoeiras.

Por causa das chuvas de verão, as cheias das nascentes podem provocar acidentes, envolvendo, inclusive, aqueles que são experientes em práticas de esportes de aventura. Por isso, todo cuidado é essencial para manter-se em segurança.

O que é Tromba d’Água

Tromba d’água – também conhecida por cabeça d’água – ocorre quando chove muito na cabeceira (nascente) de um rio, aumentando rapidamente o volume de seu fluxo. O nível das águas sobe vários metros em poucos segundos, como uma de tsunami dos rios. Nesta época do ano, devido à intensidade das chuvas, as chances de ocorrerem trombas d’água aumentam consideravelmente.

Riscos e Perigos: Como se Prevenir

Existem formas de minimizar os riscos de se expor a trombas d’água, segundo especialistas consultados pela BBC News Brasil. Algumas delas são:

  • medir constantemente o nível das águas,
  • evitar banhos em vales com encostas íngremes e
  • monitorar as nuvens nas cabeceiras dos rios.

Sobre este último item, o tenente do Corpo de Bombeiros de Passos (MG), Roberto Morais Ribeiro, alerta que é fundamental perceber a presença de nuvens no alto dos rios, pois, mesmo que haja sol na parte baixa, a probabilidade de chegar uma tromba d’água é grande. Caso os banhistas percebam as nuvens no alto dos rios, devem sair imediatamente da água. É comum um forte barulho momentos antes da chegada da tromba d’água. Outros sinais de sua vinda são folhas secas e demais materiais orgânicos flutuantes no rio.

O chefe do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (GO), Fernando Tatagiba, destaca que o fenômeno pode ser previsto com a leitura desses indícios, entretanto, o tempo para agir pode ser insuficiente.

Outra dica de Tatagiba para os banhistas é demarcarem as pedras dos rios, a fim de que tenham uma ideia do nível das águas. “Se perceber que a pedrinha ou o nível de referência sumiu, acompanhado de uma possível turbidez da água, tem que sair imediatamente de perto do rio, buscando um local mais elevado”, recomenda.

O especialista ainda explica que os trechos mais íngremes dos rios e afastados das nascentes são mais propícios a trombas d’água mortíferas, pois o nível de água tende a subir mais. Já os locais próximas às cabeceiras são menos perigosos.

Sinalização

É fundamental que os proprietários de cachoeiras privadas e os gestores de parques nacionais e estaduais utilizem placas de alerta sobre onde estão os locais mais sujeitos à ocorrência de trombas d’água.

De qualquer forma, é importante que o visitante procure se informar sobre os riscos e os cuidados que deve tomar no ambiente natural em que for visitar.

Conforme alerta Tatagiba:

“Diferentemente de clubes ou shoppings, o ambiente natural não é controlado, por isso é fundamental que o visitante esteja ciente de que há riscos inerentes a esses espaços e adote condutas que reduzam a chance de ser pego de surpresa”.

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É doutora em Estudos de Linguagem, já foi professora de português e espanhol, adora ler e escrever, interessa-se pela temática ambiental e, por isso, escreve para o GreenMe desde 2015.