Fumo passivo danifica a artéria de crianças

Fumo passivo danifica a artéria de crianças

De acordo com o Inca – Instituto Nacional do Câncer, no Brasil morrem cerca de 200 mil pessoas todos os anos acometidas pelo tabagismo. Não é novidade que o fumo causa danos não só ao fumante, mas também aos fumantes passivos. Mas a preocupação atual está voltada para os danos causados às crianças que infelizmente são fumantes passivas.

Segundo um estudo feito pelo Ambulatório de Drogas do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (USP) mais da metade das crianças com até 5 anos de idade, na cidade de São Paulo, é fumante passiva, devido ao vício dos pais. Essas crianças desenvolveram mais bronquites, rinites, asma e possuem o risco duas vezes maior de sofrerem morte súbita se comparadas com as de pais não fumantes.

Um estudo recente, publicado pela European Heart Jornal, apresenta novos dados sobre os riscos desse convívio com adultos fumantes. Segundo a pesquisa, o fumo passivo causa danos irreversíveis nas artérias e torna os vasos sanguíneos até três anos mais velhos quando expostos à fumaça. Devido ao envelhecimento, as paredes das artérias engrossam, o que acarreta ataques cardíacos e enfartes na idade adulta.

O estudo analisou cerca de 2 mil crianças com idades entre 3 à 18 anos, na Finlândia e Austrália. Foi verificado que esse tipo de dano se apresenta em crianças que tinham pai e mãe fumantes.

Foram feitos exames de ultrassom, com acompanhamento durante anos. Estes exames mostraram que filhos de pais fumantes apresentavam mudanças na carótida, principal artéria do corpo, que vai do pescoço à cabeça. No início, as diferenças de espessura eram modestas, após cerca de 20 anos, quando as crianças chegavam à idade adulta, a diferença na espessura passaram a ser bastante significativa. Esse dano, foi apresentado somente em crianças que cresceram com pai e mãe fumantes, não foi encontrado resultados semelhantes em crianças que cresceram com apenas um dos pais fumando, provavelmente devido ao nível de exposição a fumaça não ser tão elevado.

O fumo passivo e as campanhas educacionais

Tabagismo passivo é a inalação da fumaça de derivados do tabaco por indivíduos não fumantes. Segundo o Inca o tabagismo passivo é a 3ª maior causa de morte evitável no mundo.

A fumaça pode permanecer no ar por até duas horas e meia, essa fumaça possui três vezes mais nicotina e monóxido de carbono e até 50 vezes mais substâncias cancerígenas do que a fumaça tragada, que só entra pela boca do fumante ativo, após passar pelo filtro do cigarro.

Crianças que convivem com fumantes tem um risco mais alto de desenvolverem asma, tosses, gripes, além da morte súbita, meningite e otite. É importante que pais, ou casais que planejam ter filhos, parem de fumar. Tanto para a recuperação de sua própria saúde, quanto para a proteção da saúde de seus filhos no futuro.

No Brasil sete estados e 23 municípios brasileiros já implementaram leis próprias para garantir lugares 100% livres da poluição causada pela fumaça do tabaco. Com a adoção de políticas públicas saudáveis, estados e municípios contribuem na melhoria da qualidade de vida da população brasileira e na redução de custos, que hoje sobrecarregam todo o sistema de saúde do país, devido a doenças crônicas relacionadas ao tabaco.

Para José Rosemberg, professor de Pneumologia que tem se destacado no combate à tuberculose e ao tabagismo, se o padrão de consumo não se alterar, em 2030 morrerão aproximadamente dez milhões de pessoas por ano, devido ao tabaco. José Rosemberg aponta que a melhor saída para reverter esse quadro é um programa educacional de âmbito nacional contra o tabagismo. “Nossa esperança é que até 2050 tenhamos conseguido conscientizar a sociedade de que fumar é um ato antissocial. Faz mal a quem fuma e a quem convive com o fumante".

Fonte foto: Morgue File