Diferenças entre ricos e pobres impactam na aprendizagem

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Existem algumas coisas que deveriam ser óbvias, mas parece que uma parte da sociedade só leva a sério quando algum estudo baseado em provas concretas é feito, e seus resultados são exibidos ao mundo. É o caso das relações entre a pobreza infantil e o impacto no desenvolvimento cerebral das crianças com relação ao ensino. Um estudo publicado no último dia 30 no site da Science, mostrou o que já era, praticamente, uma certeza: os filhos de pais mais ricos e instruídos possuem cérebros com mais habilidades cognitivas do que os filhos de pais com menos condições financeiras.

O estudo, liderado pelas neurocientistas cognitivos especializadas em desenvolvimento infantil da Universidade de Columbia, Kimberly Noble e Elizabeth Sowell do Hospital Infantil de Los Angeles, nos EUA, também aponta que a ajuda social e o ensino de qualidade, podem diminuir as diferenças.

As pesquisadoras contaram com a ajuda de especialistas de nove universidades e hospitais norte-americanos para realizar exames de ressonância magnética nos indivíduos recrutados, o que permitiu medir a área da superfície do cortéx cerebral de cada um. O córtex é a camada externa do cérebro onde o processamento cognitivo mais avançado tem lugar, incluindo a linguagem, leitura e funções executivas. Os pesquisadores escolheram medir a área de superfície cortical porque pesquisas anteriores haviam mostrado que esta se aumenta ao longo da infância e da adolescência, conforme o cérebro se desenvolve, tornando-se assim um indicador potencialmente sensível das capacidades intelectuais.

A descoberta pode relacionar a estrutura cerebral com a renda familiar. Foram testados 1.099 meninos e meninas com idades entre 3 e 20 anos de idade com o desenvolvido característico de diversos segmento da sociedade, com comparação entre renda e nível de educação dos pais.

A maior disparidade entre os jovens foi notada a medida que diferença econômica dos pais aumentava. Por exemplo, houve uma diferença maior entre os resultados das crianças de famílias com renda anual de até 30 mil dólares e 50 mil, em comparação com as famílias que possuem renda anual entre 90 e 110 mil anuais.

E no caso de uma diferença ainda maior, de famílias com renda anual de 25 mil dólares, os jovens podem ter a área da superfície cortical até 6% menor do que a dos jovens de famílias com renda anual acima de 150 mil dólares.

A pesquisa faz questão de esclarecer que não há a tentativa de passar uma mensagem de que os mais pobres não terão um QI tão alto quanto os jovens com maior poder aquisitivo, mas sim demonstrar a importância de políticas sociais e de um ensino qualificado nas camadas menos favorecidas, para diminuir as diferenças entre os jovens ricos e pobres.

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Fonte foto: direto.digipix.com.br