©Maria Oswalt/Unsplash

Vidas, e vidas negras e pobres, importam. Mas não no Carrefour

Na noite de ontem, véspera do feriado do Dia da Consciência Negra, dois homens brancos, incluindo um PM, agrediram até a morte João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, negro.

O crime aconteceu em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, em uma unidade do supermercado Carrefour.

Imagens da agressão foram gravadas e circulam nas redes sociais.

Os assassinos foram presos e, em Nota o supermercado anunciou o rompimento do contrato com empresa que ‘responde pelos seguranças que cometeram a agressão’.

Em que pese o histórico de atos violentos e má conduta que acontecem repetidamente nesse supermercado, é possível dizer que romper contrato com a empresa de segurança ou fazer uma Nota de Repúdio, não é suficiente para impedir que tragédias ocorram novamente.

Por que sempre o Carrefour?

Em 2018, uma cachorrinha foi espancada até a morte com barra de ferro pelo segurança do Carrefour.

O fato rendeu, além de uma Nota de Repúdio, a condenação do hipermercado ao pagamento de uma multa milionária, em acordo feito na Justiça com o Ministério Público.

Em agosto deste ano, Moisés Santos, um representante de vendas morreu enquanto trabalhava em um supermercado Carrefour no Recife, e teve o corpo coberto por guarda-sóis e cercado por caixas de papelão, engradados de cervejas e uma proteção improvisada entre as gôndolas do estabelecimento enquanto a unidade seguia funcionando normalmente.

Agora, um homem negro é agredido até a morte por funcionários do mesmo hipermercado.

É passada a hora de rever seriamente suas condutas e aplicar treinamento dos seus funcionários, apresentando uma política séria de valores éticos e morais e principalmente de respeito às vidas, porque apenas Notas de Repúdio e pagamentos de multas milionárias não servem para alterar o padrão de violência e negligência que vem se repetindo.

A empresa praticamente se exime da responsabilidade, sempre atribuindo a culpa aos seus colaboradores, e considerando que um pedido de desculpas seja suficiente.

Mas será que é seu dever fazer mais que Notas de Repúdio para alterar essa triste realidade?

Investir em treinamento e colaboradores sérios é o mínimo que se espera dessa empresa com potência internacional.

Porque isso acontece e se repete

E a história se repete.

Em fevereiro do ano passado, agora no hipermercado Extra, um jovem negro foi morto asfixiado após levar uma gravata do segurança, no Rio de Janeiro.

A todo momento vemos crianças pobres vitimadas de bala perdida e população negra sofre preconceito, racismo, ofensas e atos de violência.

Parece que no Brasil é permitido matar os pobres e negros.

O Brasil é o país com a maior população negra fora do continente africano. De acordo com o IBGE, somos 110 milhões de pessoas negras no país.

Mas por que isso ainda acontece?

É óbvio que carregamos o DNA da raiva, todo o estigma da escravidão, mas a população negra que já tanto sofreu com isso, não vai viver sob esse grilhão. Não mais.

Acabou!

Por isso a luta não pode parar.

Por isso a necessidade dos movimentos negros.

Por isso a importância do feriado para lembrar a todos que vidas negras importam!

Por isso o movimento não pode parar, enquanto houver uma pessoa sendo oprimida, negligenciada ou violentada, a sociedade não será justa, nem democrática, nem tampouco boa para ser viver.

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Sobre Juliane Isler

Juliane Isler
Juliane Isler, advogada, especialista em Gestão Ambiental, palestrante e atuante na Defesa dos Direitos da Mulher

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