Cultura do cancelamento: O que é, exemplos, Psicologia e Filosofia

Condividi su Whatsapp Condividi su Linkedin

Cultura do cancelamento é um termo criado para definir atos de boicote ou manifesto contra pessoas que tiveram atitudes incoerentes e ou questionáveis nas redes sociais. O “cancelado” sofre terríveis acusações da parte de quem cancela, mas esse último também terá suas consequências dos pontos de vista filosófico e psicológico. Veja mais detalhes e alguns exemplos.

O que é Cultura do Cancelamento?

A Cultura do Cancelamento ou “cancel culture” é uma espécie de justiça social, na qual uma pessoa é excluída de uma posição de influência ou fama por ter cometido algum erro. Esse termo ficou famoso em 2019 e é comumente atribuído a boatos da internet ou comentários nas redes sociais.

O cancelamento acontece frequentemente no meio das celebridades ou personalidades públicas e as consequências são o afastamento de amigos, a diminuição dos seguidores e até mesmo o prejuízo devido ao cancelamento de contratos vinculados à imagem.

Um dos principais motivos para esse tipo de cancelamento é o racismo, seja ele proposital ou não. Esse tipo de preconceito é cada vez menos tolerado, mas além dele as piadas maldosas e o bullying também são motivos para os ataques dos canceladores de plantão.

No entanto, essa cultura está tomando proporções catastróficas, pois envolve a reputação dos cancelados que, em muitos casos, perdem até o emprego por conta de atos como esse. Veremos alguns exemplos mais a frente.

O fato é que a internet tornou-se uma grande “justiceira” e a Cultura do Cancelamento funciona como uma forma de punição para quem fez ou disse algo errado e que não é tolerado pelas pessoas.

O que leva ao cancelamento

Os motivos mais comuns pelos quais o cancelamento ocorre são

  • racismo
  • preconceito com classes sociais
  • xenofobia
  • homofobia e até motivos banais como falar mal de alguma pessoa famosa ou dizer que não gosta de algo popular.

Grande parte dos casos ocorre por um conflito de opiniões e, na maioria deles, a “vítima” do cancelamento nem tem como se defender.

Foi o caso da influenciadora Gabriela Pugliese que postou fotos de uma festa que deu em sua casa em Abril, em plena pandemia de Covid-19, contrariando não só as recomendações da OMS, mas também o fato dela mesma ter se curado da doença logo no início da pandemia.

A repercussão desse caso foi tão negativa para ela, que boa parte dos seus patrocinadores cancelaram contratos com ela, causando um grande prejuízo para a influencer.

A Filosofia da Cultura do Cancelamento

Do ponto de vista filosófico, a Cultura do Cancelamento é um comportamento em que as pessoas isolam ou excluem membros do próprio grupo, pois esses ousaram discordar da opinião majoritária.

O filósofo Michel Foucault, em sua teoria chamada Microfísica do Poder, explica que o poder não está em um só lugar ou em uma só pessoa, mas sim está na rede composta de saberes e discursos. Ou seja, um grupo mantém-se coeso por causa do seu discurso.

Para Foucault, para controlar uma população ou um grupo é preciso controlar os micropoderes, ou seja, o cotidiano dos indivíduos, seus costumes, hábitos e maneiras de pensar. Esse controle, muitas vezes está relacionado com o ato de calar pessoas e impedir que elas emitam suas opiniões que vão contra a um discurso.

Em qualquer grupo há o risco de cancelamento, seja na militância, na igreja, na esquerda e na direita, o que existe é o constante vigiar e punir. Contudo, discordar não é a mesma coisa que cancelar e é necessário ter maturidade suficiente para lidar com opiniões divergentes.

Cancelar alguém não é o mesmo que xingar ou perseguir, pois isso é considerado selvageria. Para os filósofos e especialistas, o cancelamento só é válido com discursos extremistas como, por exemplo, a defesa do nazismo ou da venda de órgãos humanos por pessoas pobres.

A punição com o cancelamento pode fazer a pessoa repensar ou ao menos parar de disseminar certos absurdos para as demais pessoas.

Tudo seria melhor se pudéssemos simplesmente discordar do grupo que estamos ou que as pessoas pudessem discordar daquele que discordou. Porém, de acordo com a filosofia de Foucault, a Cultura do Cancelamento é a expressão de uma tirania que não vem dos grandes poderosos, mas sim daquilo que você fala e pensa.

Em outras palavras, a Cultura do Cancelamento depende de como o discurso é construído e do quanto ele tolera a divergência.

“Tolerar a divergência, só assim poderíamos nos livrar da prisão do pensamento.”

A Psicologia da Cultura do Cancelamento

Apesar de usarmos o termo “cancelamento” para pessoas famosas, os anônimos também podem sofrer com isso quando dizem algo que contraria os amigos, por exemplo.

Nas redes sociais, muitas pessoas se acham juízes e especialistas em diversos assuntos. Esse meio de comunicação permitiu que pessoas, que antes não tinham “vozes”, pudessem agora expressar sua opinião, seja para o bem ou para o mal, julgando ou rotulando as pessoas.

O cancelamento pode impulsionar atitudes como o preconceito sutil e a busca por uma perfeição inexistente. Ninguém quer ser cancelado ou restringido e, com isso, as pessoas começam uma luta interna contra seus próprios defeitos, pois ela não se aceita como é.

Canceladores de plantão são pessoas críticas e intolerantes, algo nada saudável do ponto de vista psicológico. Já os cancelados podem sofrer abandono, desprezo, desconsideração e esquecimento, o que é extremamente nocivo para a saúde mental.

Para evitar esse tipo de problema, a Psicologia recomenda que haja uma conversa franca e reservada entre as partes, sinalizando o que não agradou na fala ou atitude do outro. É importante prestar atenção na maneira como se dirigir ao outro, sem apontar dedos ou julgar atitudes.

Precisamos dar espaço para as pessoas amadurecerem, pois crescer demanda tempo… Precisamos aprender a perdoar os erros das pessoas porque nós também erramos e o perdão é uma ferramenta de amor-próprio,” escreve Diego Garcia para o Uol.

Em outras palavras, quando nos livramos de sentimentos como rancor, mágoas e emoções negativas, cedemos espaços para o amor, a empatia e o perdão.

Exemplos de pessoas canceladas e suas consequências

Um dos cancelamentos mais recentes e conhecidos no Brasil foi o da influenciadora Gabriela Pugliesi, que publicou fotos de uma festa em sua casa plena pandemia, após ter se livrado do coronavírus. Segundo o BBC News, esse cancelamento rendeu a ela um prejuízo de cerca de R$ 2 milhões, pois as marcas que a patrocinavam foram forçadas a cancelarem seus contratos com a moça.

Nos Estados Unidos, os cancelamentos por justiça social estão sendo considerados injustos em alguns casos. Eis alguns exemplos:

  • Uma professora de teatro em Nova York foi acusada de racismo por ter cochilado durante uma reunião online para tratar de ações por justiça racial no curso. Ela alegou ter descansado as vistas olhando para baixo.
  • Emmanuel Cafferty foi suspenso de seu emprego após duas horas da publicação de uma foto no Twitter, em que ele aparece fazendo o sinal de Ok com os dedos, no carro da empresa. Segundo os canceladores, esse gesto é racista, porém nos Estados Unidos e em outros lugares, representa de fato uma confirmação. No caso dele, ele disse não estar fazendo nem uma coisa, nem outra, mas sim apenas esticando os dedos. Ele disse ter perdido o melhor emprego de sua vida por conta dessa foto.
  • Um pesquisador foi demitido por ter publicado no Twitter o resultado de um estudo de 1960 sobre protestos raciais violentos que favoreciam votos dos republicanos, enquanto que os pacíficos ajudavam os democratas. As pessoas acharam que isso era uma afronta pela morte de George Floyd e por isso exigiram a demissão do pesquisador.
  • A autora de Harry Potter, J.K. Rowling, é acusada de transfobia e assinou, juntamente com outros nomes importantes, uma carta contra a cultura de cancelamento, julgando essa ser uma “atmosfera sufocante”.

Veja esses e outros exemplos de cancelamento na explicação da repórter da BBC News, relacionada à mesma matéria:

Uma boa conversa

Em suma, a Cultura do Cancelamento, à princípio, até poderia ter um propósito positivo se não fosse um ato tão extremista e nada pedagógico. Não é com isolamento ou falta de respeito que consertamos as pessoas.

Como foi dito anteriormente, uma boa conversa e o respeito às divergências promovem uma convivência pacífica entre as pessoas, principalmente em um meio tão frio e distante quanto a internet.

Talvez seja justamente esse o problema, com o advento das redes sociais, tudo tem ficado cada vez mais artificial, urgente e passageiro.

Só não podemos esquecer que as marcas deixadas pelas relações virtuais não são nada artificiais, pois estas causam traumas e feridas na mente e no coração.

Talvez te interesse ler também:

Condividi su Whatsapp Condividi su Linkedin
Formada em Administração de Empresas e apaixonada pela arte de escrever, criou o blog Metamorfose Ambulante e escreve para GreenMe desde 2018.
Você está no Pinterest?

As fotos mais bonitas sempre contigo!

Você está no Instagram?

Curta as mais belas fotos, dicas e notícias!

Siga no Instagram
Siga no Facebook