Carnaval Rio 2020: vence o protagonismo das mulheres na história do Brasil

É tradição que o desfile das escolas de samba mostre na avenida a diversidade da nossa cultura e a beleza da nossa criatividade em narrativas temáticas politizadas.

Nos últimos anos, não faltaram justas homenagens a figuras importantes para a nossa cultura e para a luta política.

Em 2019, a Mangueira contou a história do país pela ótica dos heróis populares esquecidos pelas narrativas oficiais, dando destaque a Marielle Franco, assassinada no ano anterior.

Em 2020, a verde e rosa homenageou ninguém menos que Jesus – o Jesus da gente.

Elza Soares, símbolo de resistência, também foi condecorada rainha do carnaval tanto em São Paulo, pelo bloco Acadêmicos do Baixo Augusta, quanto no Rio, pela Mocidade Independente de Padre Miguel.

A arquitetura de Brasília, desenhada pelas mãos de Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, foi homenageada pela Unidos de Vila Isabel em uma versão da criação da capital federal.

De Alma Lavada

Mas foi a Unidos do Viradouro, escola de Niterói, que levou o título de campeã do carnaval 2020 do Rio de Janeiro com o samba-enredo De Alma Lavada, que mostrou o grupo musical baiano As Ganhadeiras de Itapuã para homenagear o protagonismo das mulheres na história do Brasil.

As Ganhadeiras de Itapuã é um grupo musical formado por mulheres, na Bahia do século XIX, que trabalhava para comprar alforrias. A produtora da banda, Ivana Soares, comentou ao jornal baiano Correio que o desfile da Viradouro mudou a vida delas:

“A nossa vida mudou com esse desfile, não só pela mídia, mas pelo nosso próprio autoconhecimento. Nós entendemos que representamos milhões de mulheres que lutam todos os dias pela sobrevivência. Há um crescimento social nisso”.

O enredo do samba da Viradouro trouxe o afoxé e os batuques para a Marquês de Sapucaí para cantar a história de mulheres escravizadas no século XIX, em Salvador, que usavam o dinheiro ganho lavando roupa na lagoa do Abaeté para comprar a sua própria alforria e de outras companheiras. No desfile, elas foram elevadas a “primeiras feministas do Brasil”, segundo o El Pais.

Ancestralidade negra e feminismo

Tanto o público quanto os jurados se encantaram com o desfile da Viradouro, que mesclou ancestralidade negra e feminismo – um tema extremamente relevante atualmente com as pautas do feminismo negro.

Parabéns a Viradouro, por nos dar um desfile de beleza, história e reflexão – três elementos que a sociedade brasileira vem precisando tanto – e não apenas no carnaval.

https://www.youtube.com/watch?v=u3LEdaIVMvE

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Fonte foto: G1

Sobre Gisella Meneguelli

Gisella Meneguelli
É doutora em Estudos de Linguagem, já foi professora de português e espanhol, adora ler e escrever, interessa-se pela temática ambiental e, por isso, escreve para o GreenMe desde 2015.

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