ONG usa a arte para integrar crianças refugiadas à cultura brasileira

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Aqui no Brasil, diferentemente da Europa, a maioria de nós não tem contato com pessoas refugiadas de outros países. Por causa disso, desconhecemos suas histórias, seu passado e suas expectativas em reconstruir suas vidas no nosso país.

A Organização não Governamental (ONG) I Know My Rights e o Centro Universitário Belas Artes de São Paulo lançou, no sábado (4), um projeto de integração, chamado Arte como Refúgio, voltado para crianças refugiadas. O projeto conta com o apoio da Agência da Organização das Nações Unidas para Refugiados (Acnur).

Através de contações de histórias, ateliê de pintura, aulas de balé, ensaios e aulas de canto coral, as crianças têm a oportunidade de manter o contato com a sua cultura nativa e, também, aprender mais sobre a nossa. 

“A proposta de integração é por meio da arte porque a nossa preocupação é o corpo emocional dessa criança. Nós queremos preservar a identidade cultural de cada criança que chega. A gente quer que ela entenda que é muito rico o que ela traz, que ela não precisa querer se abrasileirar porque está sofrendo muito preconceito na escola, onde ela vive, e querer negar essa origem que ela tem”, disse Viviane Reis, fundadora da ONG I Know My Rights, que hoje atende cerca de 300 crianças.

As aulas ocorrerão em três sábados por mês. O projeto terá o apoio dos alunos do curso Relações Internacionais do centro universitário, que atuarão como voluntários nas oficinas e auxiliarão em questões jurídicas, políticas e psicológicas que integram o projeto.

“Sem dúvida, essas atividades que eles estão fazendo fazem toda a diferença na vida dessas crianças. Nós, que estamos aqui no Brasil, podemos pouco fazer para evitar que essas crianças tenham que fugir de maneira forçada do seu país de origem. Mas tem muita coisa que a gente pode fazer para integrá-las aqui no Brasil e tornar a vidas delas a melhor possível”, conta Isabela Mazão, assessora de Proteção da Acnur.

No dia do lançamento do projeto, um coro composto por crianças refugiadas, acompanhado da orquestra do centro universitário, cantou músicas brasileiras. “Estou gostando muito de cantar, está demais”, estusiasma-se Emillie Luzo Nanga, de 8 anos, nascida no Congo, há dez meses no Brasil. “É muito bom participar do coral. Agora penso em estudar, fazer universidade”, acrescentou Júlia Samuel Nicolau Antonio, de 13 anos, natural de Angola, há um ano e dois meses no Brasil.

Para a nossa cultura e daqueles que chegam ao nosso país são muito importantes esses projetos de integração, pois nos dão a oportunidade de conhecer o outro que é diferente de nós e, ao mesmo tempo, voltarmos para nós mesmo, para as nossas identidades.

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Fonte: ebc