Os avós na construção de uma humanidade mais competente

Avós

Você se lembra da sua avó, do seu avô? Se sim, então você pode ser considerada uma pessoa de sorte. Na modernidade do nosso século XXI as famílias estão perdendo tamanho. Cada vez mais o que se considera família é aquela tríade que mora em casa com o filho. E tantas vezes, a família é só de um adulto com os filhos. Muitas outras tantas vezes os filhos têm duas famílias, a do pai, a da mãe, cada uma em casa diferente. Isso é bom? Eu não acho.

Quando eu era pequena família era um conjunto grande de pessoas que viviam juntas ou perto porque se gostavam demais da conta. Tinha avô, avó, tias, tios, primas e primos. Até tinha mais avós e avôs, os do pai, os da mãe. Uma fartura que te permitia ter colo, cafuné, compreensão, nas horas mais inusitadas. Era gostoso. Um quintal de família, lá prô meio do século XX, era um terrenão cheio de coisas e gentes. Todo um mundo onde nós, crianças, vivíamos, crescíamos, aprendíamos a nos relacionar, bem ou mal, com a diversidade e valores daquela família. Tinha briga, rolar no chão, ficar sujo de terra, jogar brinquedo na cabeça um do outro, subir na árvore, pular da barra-fixa, balançar bem alto no balanço, e por aí, vai. De tarde, depois da escola, correr para a casa da avó mais próxima, que sempre tinha um bolo de qualquer coisa para o lanche dos netos, e aquela capacidade só dela de ouvir nossas histórias sem fim. Um sonho de vida!

Mas, não só porque era assim gostoso é que eu quis lembrar aqui deste assunto. Acontece que os avós têm uma importância fundamental na criação do futuro, que são as crianças.

A gente sabe que criança sem amor será um adulto ressecado, cheio de dificuldades de relacionamento e um potencial problemático incrível. Pois é, avós e avôs são, e sempre foram, os fornecedores do tal “amor incondicional” que todo ser humano precisa para se tornar verdadeiramente humano.

Avós e avôs, em algumas sociedades primitivas, também foram, são, os distribuidores dos alimentos, portanto, os fornecedores das calorias necessárias à continuidade de uma vida saudável. Não só de cuidar dos pequenos, apoiar seus primeiros passos, incentivar suas primeiras descobertas e habilidades mas, também, distribuir equitativamente, e conforme as necessidades, os alimentos do conjunto, a aldeia, a família. Paul Hooper, antropólogo responsável pela pesquisa que fundamenta este meu artigo, aponta que "são os entes mais velhos que garantiram que a infância durasse mais tempo e que os humanos vivem mais tempo do que outros primatas porque mantêm por mais tempo o convívio com os avós, que reforçam os recursos aos seus clãs". Esta foi a temática escolhida para estudar a etnia Tsimane, da Amazônia boliviana (aqui o artigo científico publicado na Proceedings of the Royal Society Bque concluiu que os avós são os responsáveis pela evolução humana pois, ao analisarem durante cinco anos a vida de 239 famílias Tsimane de 8 aldeias diferentes, que ainda vivem um estilo de vida pré-industrial, ficou claro que a sobrevivência dos mais jovens era garantida pelos avós, tanto em cuidados como em qualidade de alimentação e desenvolvimento de habilidades necessárias às fases seguintes da vida.

“Muitas vezes, é fácil ignorar a importância dos avós na sociedade moderna, em que os jovens são forçados a se tornarem competentes desde muito cedo. Mas é importante lembrar que se você é bom no que faz hoje é porque alguém te apoiou enquanto estava desenvolvendo suas habilidades. Na economia da aprendizagem, os avós são seres muito importantes para os humanos”, afirma o pesquisador.

E nós concordamos integralmente.

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