Em um presídio brasileiro, o social e o ambiental andam lado a lado

Sabemos que a situação carcerária do Brasil é precária e degradante, e que os presídios dificilmente cumprem seu papel de ressocializar os detentos. Também sabemos que, espalhadas pelo País, há um sem-número de áreas de preservação ambiental degradadas. Mas onde está a conexão entre essas duas afirmações? Foi o que procurou encontrar a cidade de Passos, em Minas Gerais.

Desde o dia 16 de junho, está sendo conduzido um projeto no presídio da cidade cujo objetivo é cultivar mudas de plantas nativas da região. O cultivo será executado pelos próprios detentos, e toda a produção será doada à população de baixo poder aquisitivo que precisa reflorestar áreas de preservação em propriedades rurais particulares, conforme diretrizes do Código Florestal Brasileiro.

A viabilidade do projeto - que consiste na aplicação de um curso e na implantação do viveiro no presídio - exigiu a participação de diferentes atores: Polícia Militar Ambiental, Instituto Social Educacional de Pesquisa de Minas Gerais (Isepen), Associação Regional de Proteção Ambiental (Arpa) e a Usina Itaiquara, produtora de açúcar e álcool.

O curso terá duração de, no mínimo, 40 horas/aula, incluindo as partes teórica e prática, e dará um certificado aos concluintes.

Os resultados do projeto estão tanto no âmbito ambiental, quanto social. No ambiental, ao contribuir para a recuperação das áreas de preservação desmatadas na região – principalmente matas ciliares, às margens de nascentes, rios e mananciais. No social, ao oferecer aos detentos um papel que lhes mostra sua importância para a sociedade. Através da participação no curso, os detentos poderão reduzir suas penas e, depois da capacitação, quatro serão selecionados para um trabalho remunerado no Horto Florestal de Passos, pertencente ao Isepen.

Além de contribuir para a sustentabilidade da região, o projeto nos mostra como é possível quebrar certos estereótipos atrelados à violência e tratá-la, não com mais violência, mas sim com uma postura mais colaborativa e humana.

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Fonte e fotos: agenciaminas.mg.gov.br