Urnas biodegradáveis propõem vida após a morte

Urnas biodegradáveis

Das nossas cinzas surgirá uma árvore, o que de certa forma pode tomar o nosso lugar na Terra, quando não estivermos mais aqui. É uma das novas oportunidades oferecidas para aqueles que gostariam de ter uma cerimônia funerária em nome da sustentabilidade ambiental, uma opção que já é possível, graças às urnas biodegradáveis.

Os designers Martin Azua e Gerard Moniné criaram uma urna funerária feita de materiais biodegradáveis como a celulose, a turfa e cascas de coco, em formato de cone para abrigar as cinzas humanas. Quando enterrada em solo fértil, a urna dará início a uma outra vida.

Paralelamente a estas urnas, existe também a Poetree. Uma outra urna funerária projetada pela designer francesa Margaux Ruyant. Trata-se de um recipiente biodegradável com espaço para conter as cinzas e plantar uma pequena árvore, que pode ser colocada no chão, juntamente com a urna.

A árvore vai crescendo e expandindo suas raízes com o recipiente, que sendo composto de materiais naturais, como a cortiça, completamente inofensiva e não poluente, quando se rompe se dissolve no solo. Neste momento se pode decidir em manter ou não a base circular do Poetree como homenagem à pessoa que se foi, escrevendo seu nome.

A árvore vai tomar o lugar de um túmulo comum feito de mármore, pedra ou concreto, criando um lugar talvez mais agradável para se visitar, onde se possa permanecer e meditar para se lembrar daqueles que não estão mais entre nós. A árvore será cuidada e visitada pelos entes queridos, dando-lhes desta forma, uma pequena chance de consolação.

Urnas como estas permitem aproximar o fenômeno da morte ao cumprimento do ciclo normal da natureza. A tradição estática da morte, desta forma, torna-se mais circular, natural e fluida.

As iniciativas de Martin, Gerard e Margaux, levam a um reflexão com relação as alterações no meio físico gerado pelos cemitérios. No Brasil, cerca de 75% dos cemitérios são fontes de contaminação do solo e das águas por diversos metais que formam o organismo humano, o principal contaminante na decomposição dos corpos é um líquido conhecido como necrochorume, que contém aproximadamente 60% de água, 30% de sais minerais e 10% de substâncias orgânicas degradáveis. Durante o processo de decomposição orgânica, há emissoões de alguns tipos de gases, entre eles, o gás sulfídrico (H2S), dióxido de carbono (CO2), metano (CH4), amônia (NH3), hidrato de fosforo (PH3), além desses, outros gases são emitidos das urnas mortuárias.

Toda essa polêmica em relação ao potencial contaminante levou órgãos de vigilância e proteção ambiental a criarem uma Resolução (nº335/2003) estabelecendo que todos os cemitérios horizontais e verticais devem ser submetidos a um processo de licenciamento ambiental.

A partir do plantio é possível ver um novo recomeço para as cinzas que ditavam o fim. As urnas biodegradáveis sugerem um pensamento mais amplo a respeito da morte: que tal seria se ao invés de cemitérios, visitássemos parques e árvores de entes queridos?

Fontes: urnabios.com

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