Tortura e um sistema prisional deficitário no Brasil

Tortura e um sistema prisional deficitário

Human Rights Watch (HRW), que é a organização internacional responsável pela observação, análise e denúncia de atentados contra os direitos humanos em todo o planeta, aponta seus olhares para o Brasil no World Report 2015, divulgado no último dia 29.

Entre os destaques, nada positivos, do documento estão a existência frequente e contumaz de tortura que “permanece como um problema crônico” do país, bem como as péssimas condições de todo o sistema prisional, a atuação de forças policiais – incluindo a impunidade a policiais que matam em ação –, o tratamento dado a detidos, entre outros.

Os membros do HRW ressaltam, entretanto, que passos significativos têm sido dados de modo a tentar minimizar tais abusos, mas o fato é que tudo ainda está muito longe de uma realidade minimamente justa, que leve em consideração o bem-estar pleno da pessoa humana no país.

O relatório, que está em sua 25ª edição, estuda e avalia a situação dos direitos humanos em 90 nações do mundo, e refere-se a 2014. Há ainda uma pequena ironia no texto oficial do documento, que afirma a importância crescente do país nas discussões realizadas em nível internacional, envolvendo direitos humanos, mas que, por outro lado, falta ao Brasil prestar mais atenção a seu próprio cenário, para coibir as muitas transgressões praticadas aqui, cotidianamente.

É importante termos acesso ao documento, uma vez que a análise é bem ampla, considerando ainda questões relativas à falta de punição, aos membros ativos da ditatura militar (1964 – 1985) e às mortes por conflitos agrários – outra chaga marcante do Brasil, que está muito presente no centro-norte do país, e que é praticamente desprezado por autoridades e pela mídia e formadores de opinião, em geral.

A liberdade de expressão das pessoas em protestos também é um dos temas do relatório, em trechos que criticam duramente a atuação da polícia nos protestos de julho de 2013, que continuaram com menor força em 2014 e ainda ocorrem no começo de 2015, por conta do aumento das passagens de ônibus, em cidades como Rio e São Paulo.

Quem tem em mente que a "turma dos direitos humanos" teria que sofrer para entender que bandido tem que ser maltratado, deveria levar em consideração que o Brasil é um país injusto e desigual e que muitas pessoas que nascem em um ambiente hostil, crescem e naturalmente permanecem hostis, enquanto o governo finge nada ver, quando não apenas poderia, como DEVERIA, ter uma missão mais humana para um desenvolvimento que respeite em primeiro lugar, as pessoas. Ódio gera ódio e esta bola de neve só vem crescendo no Brasil, infelizmente.

É hora de mudarmos nossa abordagem e respeitarmos a vida, você não acha?

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Fonte foto: freeimages.com