Deputada NÃO faz blackface. Entenda o porquê


O cenário político na Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP) ferveu nesta semana após deputados de esquerda protocolarem um pedido de cassação contra a deputada Fabiana Bolsonaro. A acusação, baseada no uso de uma caracterização facial durante seu discurso, tenta forçar um enquadramento no conceito de “blackface”. No entanto, uma análise honesta dos fatos mostra que a narrativa de racismo é uma distorção grosseira da realidade.

O que é, de fato, o Blackface?

Para entender por que a acusação é improcedente, precisamos retomar a origem real do termo. O blackface surgiu no século XIX em espetáculos de menestréis, onde atores brancos escureciam o rosto com o objetivo específico de ridicularizar, estereotipar e desumanizar pessoas negras, impedindo que ocupassem esses espaços.

Diferente do que pregam os detratores, o foco daquela prática era a exclusão racial. Não foi o que aconteceu na ALESP.

A metáfora e o contexto do discurso

A deputada utilizou a caracterização como uma metáfora visual impecável. O objetivo central foi expor a contradição lógica de uma colega de parlamento que, sendo biologicamente homem, exige ser reconhecida como mulher.

Ao mudar sua aparência, Fabiana Bolsonaro não atacou uma raça, mas utilizou um recurso teórico bastante didático para questionar a subjetividade das identidades modernas: se a autodeclaração basta para mudar a biologia, por que a reação é tão agressiva quando a mudança é apenas estética? A intenção foi usar a liberdade de expressão parlamentar para expor uma “percepção subjetiva da realidade” imposta pelo identitarismo, e não promover qualquer tipo de preconceito.

Tentativa de censura e o “vício” da narrativa

O que vemos agora é um movimento coordenado por setores que sofrem de uma clara dissonância cognitiva. Ao serem incapazes de debater o mérito central da crítica, ou seja, a questão da realidade biológica versus a identidade de gênero, optam pelo caminho mais fácil: a censura e a perseguição de quem pensa diferente da massa e da pauta woke.

Tentar enquadrar uma analogia como crime de racismo é uma estratégia baixa para calar vozes dissonantes e desviar o foco do debate público. O discurso da deputada buscou o confronto de ideias, enquanto a reação dos opositores busca, pura e simplesmente, anular um mandato legitimamente eleito por meio da distorção de conceitos históricos.

O que a deputada realmente disse:

“Eu sendo uma pessoa branca […] decido me maquiar, me travestir como uma pessoa negra… E agora? Eu virei negra? Eu senti o desprezo da sociedade? […] Eu quero justamente mostrar: não adianta eu me maquiar, eu não sei as dores que vocês passaram. Eu não sou negra, eu estou pintada de negra por fora. […] Sabe por que eu não posso cuidar dessa pauta? Porque eu não sou negra. Eu não sei as dores da essência que essas pessoas tiveram.”

Análise do fato: Note que a deputada faz o oposto do blackface. Enquanto a técnica histórica servia para ridicularizar e “substituir” o negro, Fabiana Bolsonaro usa a caracterização para afirmar que a aparência não substitui a essência biológica. Ela admite que a maquiagem não lhe dá o direito de falar por quem é negro. Exatamente a lógica que ela aplicou para defender o espaço das mulheres biológicas.

Assista o discurso na íntegra:

 




Daia Florios

Cursou Ecologia na UNESP, formou-se em Direito pela UNIMEP. Estudante de Psicanálise. Fundadora e redatora-chefe de greenMe.


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