O vulto de um negro sem identidade, vigiado pela vela branca que consome a bandeira

Banksy é o maior expoente da street art. Sua obra é carregada de ironia e se posiciona sobre várias questões contemporâneas de forma sensível e crítica.

E não foi diferente em relação à morte de George Floyd provocada por um policial branco nos Estados Unidos – um flagrante caso de crime por racismo.

Em um primeiro plano, vemos um vulto negro em um porta-retrato, que poderíamos associar à morte, e uma vela branca rodeada por flores, talvez representando o luto.

Em um plano mais profundo, vemos a chama da vela consumindo a bandeira dos Estados Unidos, o que poderia nos autorizar a ler que o vulto representa alguém sem identidade e visibilidade em um país cujas vidam negras importam pouco. Essa vela branca pode representar a supremacia racial construída em um país que edificou a sua democracia sendo antidemocrático, visto que a política estadunidense sempre foi excludente com os negros.

Banksy mais uma vez mostra o seu engajamento e sensibilidade ao tratar de temas polêmicos e difíceis, mas que precisam ser encarados. E a arte é um espaço mais do que necessário, neste momento, não apenas para nos ajudar a refletir como nos tocar profundamente.

O racismo é um problema dos brancos

Em sua conta no Instagram, o artista diz que, antes de qualquer coisa, ele deveria se calar e ouvir o que as pessoas negras têm a dizer. Todavia, ele toma o problema do racismo também como seu e, por isso, não não se cala e fala através da sua arte.

Em seguida, Banksy analisa que as vidas negras estão sendo corroídas por um sistema falho. Esse sistema, que é branco, tem levado à miséria o povo negro. Logo, esse problema é um problema dos brancos. E, caso eles não o resolvam, alguém terá de limpar essa sujeira.

Luta contra o racismo também no Reino Unido

No país de Bansky, também a questão racial está sendo pautada e combatida. Nesse fim de semana, em Bristol, a estátua de um comerciante de escravos foi derrubada pela população. 

A luta contra qualquer forma de preconceito é constante. Em relação ao preconceito e os seus símbolos só resta uma atitude: a destruição, como ocorreu com a estátua que tomba e é engolida pela força do rio.

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Sobre Gisella Meneguelli

Gisella Meneguelli
É doutora em Estudos de Linguagem, já foi professora de português e espanhol, adora ler e escrever, interessa-se pela temática ambiental e, por isso, escreve para o GreenMe desde 2015.

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