Projeto fotográfico trata a insegurança das pessoas, expondo-as

Pense na sua maior insegurança ou vulnerabilidade. Agora, imagine escrever exatamente essa insegurança ou vulnerabilidade no seu rosto, para todo o mundo ver. E, depois de ter escrito, imagine tirar uma foto e postar em todas as redes sociais. Lá estará: nada além de você e aquelas palavras escancaradas, expondo, a quem quiser ver, um de seus lados que mais te perturbam e incomodam.

É justamente essa experiência que um fotógrafo norte-americano, Steve Rosenfield, almeja promover. Seu objetivo, segundo o que contou ao portal ivoh, é criar um movimento em que as pessoas ganhem segurança através daquilo que mais lhes dá insegurança. E ele alcança isso através de conversas honestas com as pessoas, algumas poucas, porém poderosas, palavras escritas no corpo e uma câmara fotográfica.

O projeto, chamado “What I Be”, já fotografou mais de 2.500 pessoas, e todas as fotos são amplamente divulgadas online – no Facebook, Instagram, YouTube, e no próprio site do projeto.

Rosenfield contou ao ivoh que nunca se viu como um cara “durão”, mas que, mesmo sendo compassivo à realidade das outras pessoas, tinha dificuldade em se abrir e expor suas próprias vulnerabilidades.

Após uma viagem de 4 anos ao redor do mundo, depois de abandonar o emprego, o fotógrafo se viu reconhecendo que é intrínseco à experiência humana ter vulnerabilidades e fraquezas. Todos temos; e todos nos esforçamos para enfrentá-las diariamente.

O que aconteceu a partir disso, segundo conta, foi que ele diminuiu as barreiras que outrora mantinha para não deixar tais inseguranças virem à tona. Essa postura acabou criando uma atmosfera de confiança ao redor de Rosenfield, e ele notou que o efeito foi transmitido a seus amigos, que, do mesmo modo, começaram a compartilhar suas próprias inquietações.

O “What I Be” surgiu da ideia de expandir esse ambiente de confiança a mais pessoas. Rosenfield acreditava que, se ele conseguira nutri-lo em seus relacionamentos pessoais, seria possível estimular que outras pessoas fizessem o mesmo. Hoje, com mais de 32.000 seguidores, ele pode afirmar que seu intuito inicial foi alcançado. O projeto se tornou uma rede que promove o empoderamento e a honestidade.

“Quando vamos à frente e admitimos algo, nos sentimos bem. É algo que nos ajuda a superar certas coisas”, Roselfield comentou ao ivoh. “Eu acho que quando as pessoas compartilham, isso permite que comecem a se curar.”

O projeto preza pela diversidade, e, para capturar diferentes figuras, Rosenfield viaja pelos EUA visitando escolas, universidades, festivais, centros de Yoga, e até asilos que procuram o fotógrafo querendo participar. Nas sessões de fotografia, que tem duração aproximada de 45 minutos, o que acontece é o seguinte: Rosenfield procura conversar com os participantes sobre as principais lutas internas que enfrentam, inseguranças, medos etc.; a partir disso, os ajuda a identificar algumas palavras que tenham relação e representem tais inseguranças. Os participantes, então, escrevem as palavras escolhidas em alguma parte do corpo, geralmente na testa, mãos ou braços. Finalmente, a fotografia é tirada – o que, em si, leva menos de um minuto.

No site, é possível navegar pelos milhares de fotos tiradas por Rosenfield e identificar pontos de similaridade. “É reconfortante saber que você não está sozinho.” Além das fotos, alguns participantes selecionados gravaram vídeos lendo depoimentos próprios de como as inseguranças os têm afetado ao longo da vida.

O “What I Be”, além de ilustrar um exercício de extrema coragem, por parte dos participantes, nos faz lembrar daquela fala muito repetida, porém pouco aplicada: jamais julgue uma pessoa; você não conhece as histórias e as lutas que ela carrega consigo.

Veja algumas fotos:

Rayhaan Merani, estudante da Universidade de George Washington entrevistado para o projeto, afirmou a Steve Rosenfield, “Eu não sou a minha fé.” No corpo ele escreve que nem todo muçulmano é violento.

Uma senhora de 100 anos, residente de uma casa de repouso, disse a Rosenfield, “Eu não sou o meu amanhã.”

Philip Jacobs, um participante da Georgia, escolheu, como principal vulnerabilidade, “Eu não sou minha amputação.”

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Fonte fotos: whatibeproject.com