Sopa camponesa - qual o segredo?

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Uma boa sopa camponesa é grossa, da colher ficar em pé. E cheirosa, de dar água na boca. Bom, toda sopa camponesa é boa, gostosa, reconfortante e, cada povo tem seus temperos, seus ingredientes preferidos. Vamos conversar um pouco e te dou a receita.

Minha avó sempre dizia que, para se fazer uma sopa boa, rica, bastava ir até a praia, lá no costão, e escolher uma pedra de bom tamanho (conforme o tamanho da panela, claro), cheia de cracas, algas, mariscos, tudo o que o mar nos dá, e por para ferver em fogo lento na trempe do fogão.

Sim, era tempo de fogão à lenha, de cozinhar na lareira (na trempe, que quer dizer, pendurada no ferro) com aquelas panelas grandes e pesadas. Mas, nessa água de pedra do mar, que cozinhava a manhã inteira, minha avó ia jogando de tudo um pouco o que encontrava pela cozinha - uma batata, aquela cenoura já meio feia, os dentes de alho que sobraram, ah, e uma batata doce, maravilhoso, um pedaço de nabo (às vezes também punha lá um osso com tutano, e em outras, um naco de toucinho gordo ou rodelas de chouriço, aqueles eram tempos de “não vegetarianismo”, não é?).

Bem, conforme a tarde avançava, e a panela fervia e exalava aquele cheiro delicioso, minha avó picava as folhagens, tudo bem miudinho, para engrossar o caldo e, quase na hora da janta, ela jogava tudo lá dentro (tirava a pedra antes pois ocupava muito espaço e já tinha dado tudo o que era bom, com tanta “ferveção”, não é?) e abafafa, quer dizer, tampava a panela e deixava ali só no calor da chapa. Se a noite estava muito fria, no “finzinho” ela ainda engrossava mais a sopa com uma colherada bem mexida de fubá fininho. Ah, nem te conto, ficava uma delícia de que até hoje eu me lembro.

Ah, mas tinha um segredo final - era o “fio de azeite”, dourado, cheiroso, que arrematava o tempero. Minha avó não cozinhava o azeite (de oliva) para ele não perder suas propriedades nem sabor.

Tinha que ser um belo de um panelão esse da sopa da minha avó Maria - eramos 10 netos famintos em volta da mesa, na casa do Suarão, na praia, e mais os filhos, noras, minha mãe, meu avô. Era sopa até não se poder mais. E a panela, de ferro, para driblar qualquer caso de anemia na família. Sabedoria dos antigos.
E, vou te dizer uma coisa, essa sopa de pedra, igualzinha a daquela história de Pedro Malazartes, é uma sopa que existe em todos os lados, em todos os povos. Porque o povo do campo, ou da praia, enfim, o povo de raiz sabe como tirar “sopa de pedra”.

Aproveite então, para ouvir essa toada aqui e ver o filme A sopa de pedra, encenado e filmado pelos meninos secundaristas da E. E. Ariovaldo Fonseca , de  Ibitinga, São Paulo.

 

 E também, vale a pena rever As Aventuras de Malazartes, antigo, bonito, um clássico, com Mazzaropi.

 

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